MTE identifica aumento de afastamentos do trabalho relacionados ao vício em jogos
Data de publicação: 28 Out 2026
Número de trabalhadores que receberam benefício por incapacidade temporária passou de 67, em 2023, para 361, em 2025.
Fonte: MTE
Um estudo do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), feito pela da Subsecretaria de Estatísticas e Estudos do Trabalho (SEET), identificou um aumento no número de trabalhadores que receberam benefício por incapacidade temporária relacionado à ludopatia, transtorno associado ao comportamento compulsivo de jogar.
A análise considera os benefícios por incapacidade temporária concedidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), identificados pelo código CID F63.0, relacionado ao jogo patológico, como diagnóstico principal ou secundário. Esses casos abrangem diferentes tipos de jogos e, mais recentemente, estão mais associados às apostas eletrônicas (bets).
Os dados mostram que o número de beneficiários mais que dobrou entre 2023 e 2024 e voltou a crescer de forma expressiva no ano seguinte. Em 2023, foram registradas 67 pessoas nessa condição. Em 2024, o número chegou a 157 e, em 2025, alcançou 361 pessoas. Como o número de casos é limitado, optou-se por analisar suas características de forma agregada, considerando o período de 2023 a 2025.
Para a subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho, Paula Montagner, a restrição aos jogos eletrônicos integra um conjunto de medidas necessárias para proteger a saúde mental da população, especialmente dos trabalhadores expostos ao endividamento associado aos jogos.
“A restrição aos jogos eletrônicos é uma medida que se soma às medidas que buscam recuperar a saúde mental dos brasileiros, em especial dos trabalhadores que, na busca de alguma ajuda financeira, terminam endividados em proporções desesperadoras. Os poucos dados disponíveis são bastante claros em relação ao vício que os jogos eletrônicos criam. Precisamos afastar essa ameaça da vida de crianças, adolescentes e adultos em todas as regiões do país”, afirma.
Perfil dos trabalhadores
Entre os trabalhadores com vínculos ativos que receberam o benefício no período analisado, 71% eram homens e 29% eram mulheres. A faixa etária de 30 a 39 anos concentrou a maior proporção, com 44,1% dos casos, seguida pelos trabalhadores de 40 a 49 anos (22,8%) e pelos jovens de 25 a 29 anos (17,1%).
Em relação aos setores econômicos, os serviços concentraram 54% dos trabalhadores com vínculos ativos que receberam o benefício. A indústria respondeu por 23% dos casos, e o comércio, por 20%. Os 2,8% restantes corresponderam a outras atividades. O estudo também identificou uma participação proporcionalmente maior da indústria e do comércio, em comparação com a agricultura e a construção.





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