Não se brinca com a democracia

Data de publicação: 11 Set 2026

O sinal de alerta está ligado depois da investida do ministro André Mendonça contra a Polícia Federal e as relevantes investigações e inquéritos em curso que envolvem o Banco Master, o filme “Dark Horse” e seus agentes.

Marcos Verlaine*

Diante disso, as eleições livres e democráticas de 2026 correm riscos que não podem ser tratados com indiferença. E um dos mais perigosos é a possibilidade de que conflitos institucionais sejam transformados em combustível para crise política capaz de contaminar o processo eleitoral.

O episódio que envolve os ministros André Mendonça, Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Edson Fachin é sério sinal de alerta.

Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A decisão foi imediatamente contestada por Dino, que a suspendeu. Coube a Fachin interromper o choque entre as decisões e levar o caso para o âmbito colegiado do Supremo.

É difícil imaginar algo mais inadequado às vésperas de eleição presidencial do que disputa pública entre ministros que envolve justamente o comando da Polícia Federal.

Investigar, sim. Politizar, não

As denúncias e suspeitas que envolvem autoridades do STF devem ser investigadas. Não há autoridade acima da lei, e transparência e prestação de contas são indispensáveis à República.

As mensagens atribuídas a Moraes e Daniel Vorcaro e os questionamentos sobre a condução de investigações, portanto, precisam ser esclarecidas pelos canais institucionais competentes.

Mas uma coisa é investigar. Outra, bem diferente, é permitir que investigações, decisões individuais e disputas entre ministros produzam crise institucional de grandes proporções. O Supremo precisa ser parte da solução, não da crise.

A quem interessa o tumulto?

É preciso olhar além do episódio. Em uma sociedade ainda profundamente polarizada, qualquer conflito entre instituições pode ser convertido rapidamente em arma política. A extrema direita já demonstrou disposição de atacar o sistema eleitoral, questionar decisões judiciais e construir narrativas de fraude antes mesmo de a população votar.

Crise no STF pode alimentar a desconfiança nas instituições. Crise na Polícia Federal pode ser apresentada como perseguição. Divergência entre ministros pode virar argumento para desacreditar o Judiciário. E a soma de tudo isso pode criar o ambiente perfeito para questionar, de antemão, a legitimidade das urnas.

Não é preciso conspirar para reconhecer o perigo.

Democracia acima das disputas

Por isso, as forças democráticas — esquerda, centro-esquerda, direita democrática e centro-direita — precisam estar atentas.

Defender a democracia não significa dar cheque em branco a ministros ou instituições. Significa defender simultaneamente a independência dos Poderes, o devido processo legal, a transparência, o contraditório e a soberania do voto popular.

A decisão de Fachin de interromper o choque entre as medidas individuais e remeter o conflito ao colegiado aponta, nesse sentido, para o caminho correto: menos voluntarismo, mais institucionalidade; menos decisões solitárias, mais colegialidade.

Aqui cabe uma observação objetiva: a decisão de Dino não se compara à de Mendonça. Ao suspender o afastamento, Dino restabeleceu a paridade de armas e abriu caminho para que o presidente da Corte assumisse a responsabilidade de recompor a institucionalidade abalada pela decisão de Mendonça.

Linha vermelha

O Brasil não pode voltar ao ambiente de ruptura que culminou nos ataques de 8 de janeiro de 2023.

As eleições de 2026 serão nova prova para a democracia brasileira. Por isso, não se pode brincar com a estabilidade institucional nem permitir que conflitos entre autoridades sejam usados para incendiar o ambiente político, na tentativa de conflagrar o ambiente eleitoral mirando a campanha de Lula (PT).

Investigar, sim. Fiscalizar, sim. Criticar, sim. Mas a eleição deve ser decidida pelo voto. E o resultado das urnas, respeitado. A democracia não pode ser colocada em risco pelas disputas de poder de quem deveria justamente protegê-la.

(*) Jornalista, analista político, assessor parlamentar do Diap e redator do HP

Fonte: DIAP 
A Construção de uma NOVA CENTRAL SINDICAL DE TRABALHADORES – NCST foi forjada na unidade, coragem e ousadia, capaz de propor uma alternativa de luta para os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil. A NOVA CENTRAL SINDICAL DE TRABALHADORES marca um momento importante na história do Movimento Sindical Brasileiro, ela é a esperança transformada em realidade que se constitui como instrumento de luta e de unidade da classe trabalhadora do nosso País.

NEWSLETTER
RECEBA NOTÍCIAS POR EMAIL

Receba diariamente todas as notícias publicadas em nosso portal. Após cadastro, confirme sua inscrição clicando no link que chegará em sua caixa de entrada. Confira essa novidade!

Endereço: SAUS Quadra 04 Bloco A Salas 905 a 908 (Ed. Victória) - CEP:70070-938 - Brasília-DF | Telefone: (61) 3226-4000

Back to Top