Lula, Motta e Alcolumbre destravam fim da escala 6x1 antes das eleições

Data de publicação: 27 Ago 2026


Acordo entre Executivo e comando do Congresso coloca redução da jornada e 2 dias de descanso no centro do último esforço concentrado antes da eleição

O fim da escala 6x1 ganhou novo e decisivo impulso nesta quarta-feira (26). Em reunião no Palácio da Alvorada, o presidente Lula (PT), o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), acertaram a agenda prioritária para a semana de esforço concentrado de 31 de agosto a 4 de setembro, a última janela relevante de votações do Congresso antes das eleições.

Entre as 5 matérias selecionadas, a PEC 221/19, que reduz a jornada máxima de trabalho e assegura 2 dias de repouso semanal remunerado, ocupa posição central. Também estão na pauta a PEC 18/25, da Segurança Pública, a medida provisória (PM 1.357/26) que suspende a chamada “taxa das blusinhas”, o PL (Projeto de Lei) 2.780/24, marco legal dos minerais críticos e o PL 278/26, do Redata (regime tributário para data centers).

O encontro representa mudança importante no ritmo de tramitação da 6x1. A proposta estava há meses aguardando avanço no Senado e só chegou à CCJ na semana passada, depois de reaproximação política entre Lula e Alcolumbre.

Agora, o relator, senador Omar Aziz (PSD-AM), prepara-se para apresentar parecer e tentar votar a matéria já em 2 de setembro.

40 HORAS E 2 DIAS DE DESCANSO
A PEC 221/19 chegou ao Senado depois de ser aprovada pela Câmara em 2 turnos, com expressiva maioria: 472 votos a 22 no primeiro turno e 461 a 19 no segundo. O texto aprovado estabelece jornada máxima de 40 horas semanais, distribuídas em 5 dias, com 2 dias de repouso remunerado e sem redução salarial.

A proposta é o substitutivo elaborado pelo deputado Leo Prates (Republicanos-BA) a partir das PEC 221/19, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), e 8/25, da deputada Erika Hilton (PSol-SP). A versão aprovada pela Câmara optou por redução para 40 horas, em vez das 36 horas previstas originalmente em ambas as propostas, e prevê período de transição.

No Senado, Omar Aziz sinalizou que pretende preservar o texto aprovado pela Câmara. A estratégia é relevante porque eventuais alterações obrigariam a proposta a retornar à Câmara, dificultando a aprovação ainda em 2026. A manutenção do texto, portanto, abre caminho para tramitação mais rápida.

O presidente Lula voltou a defender a mudança como demanda social. Para ele, não é razoável que trabalhadores cumpram 6 dias de trabalho para ter apenas 1 de descanso. A redução da jornada, segundo o presidente, permitiria mais tempo para a convivência familiar, o lazer e outras dimensões da vida.

A proposta também conta com forte apoio da população. Pesquisa Datafolha citada em levantamentos recentes aponta que 71% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6x1.

PAUTA COM FORTE APELO SOCIAL
O avanço da PEC tem evidente dimensão política, mas não se resume a essa. O fim da escala 6x1 se transformou em uma das principais reivindicações do movimento sindical e ganhou adesão especialmente entre jovens trabalhadores, que questionam jornadas extensas, pouco tempo livre e dificuldade de conciliar trabalho, estudo, família e vida pessoal.

A mudança também recoloca no centro do debate público a relação entre jornada, produtividade e qualidade de vida. O argumento de que qualquer redução da jornada necessariamente prejudicaria a economia é contestado por experiências internacionais e por estudos que apontam possibilidades de ganhos de produtividade associados à reorganização do tempo de trabalho.

A própria tramitação da PEC na Câmara demonstrou que o tema ultrapassou as fronteiras ideológicas tradicionais. O placar de 461 votos favoráveis no segundo turno mostra que a defesa de 2 dias de descanso encontrou apoio parlamentar bastante amplo.

ALCOLUMBRE MUDA O TOM
O avanço também evidencia a mudança na relação entre Lula e Alcolumbre. O presidente do Senado vinha sendo alvo de críticas de setores do governo e de aliados por segurar matérias de interesse do Executivo. A reaproximação entre ambos, contudo, abriu espaço para a tramitação das propostas da 6x1 e da Segurança Pública.

O almoço desta quarta-feira teve, portanto, significado que vai além da pauta legislativa. Analistas identificaram na reunião demonstração de força e de coordenação entre Executivo e cúpulas de ambas as Casas do Congresso, a pouco mais de 1 mês do primeiro turno.

Há também dimensão eleitoral evidente. A redução da jornada é bandeira de forte apelo popular e integra a agenda de campanha de Lula. A oposição, por sua vez, tem interesse em impedir que a medida seja aprovada antes da eleição e se transforme em conquista associada ao governo.
Mas, independentemente da disputa eleitoral, a responsabilidade agora é do Congresso: transformar o acordo político em votação efetiva.

SEGURANÇA PÚBLICA NO PACOTE
A PEC da Segurança Pública também ganhou prioridade. O relator na CCJ do Senado, Rogério Carvalho (PT-SE), sinalizou que deverá apresentar parecer favorável ao texto aprovado pela Câmara.

A proposta reorganiza competências entre União, Estados e municípios e trata das fontes de financiamento da segurança pública, incluindo recursos provenientes das apostas esportivas para os fundos nacionais da área e do sistema penitenciário.

Lula afirmou que, uma vez aprovada a PEC, pretende criar o Ministério da Segurança Pública e discutir orçamento específico para estabelecer política nacional articulada com Estados e municípios.

A iniciativa procura responder a uma das principais demandas da sociedade: mais integração entre as forças de segurança e maior participação da União no enfrentamento ao crime organizado.

“TAXA DAS BLUSINHAS” TEM PRAZO
Outro item com prazo apertado é a MP 1.357/26, que suspende temporariamente a cobrança de 20% de Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50.

A medida perde validade em 8 de setembro. Por isso, a comissão especial deverá ser instalada em 1º de setembro, com a intenção de acelerar a análise e permitir que Câmara e Senado votem a matéria dentro do prazo.

A cobrança, criada em 2024 sob o argumento de proteger o comércio nacional, é alvo de forte controvérsia. De um lado, o varejo brasileiro reclama da concorrência com plataformas estrangeiras; de outro, consumidores defendem o acesso a produtos mais baratos.

MINERAIS E DATA CENTERS
O marco legal dos minerais críticos também foi incluído na agenda. O PL 2.780/24 cria política nacional para pesquisa, exploração, beneficiamento e transformação de minerais considerados estratégicos para setores como transição energética, indústria de alta tecnologia e segurança nacional.

O Redata, previsto no PL 278/26, estabelece regime especial de tributação para estimular a instalação e expansão de data centers no País, com incentivos vinculados a investimentos em infraestrutura tecnológica, pesquisa e inovação e uso de energia limpa.

São 2 agendas relacionadas ao projeto de desenvolvimento nacional: uma orientada aos recursos minerais estratégicos e outra à infraestrutura da economia digital.

ÚLTIMA JANELA ANTES DAS URNAS
O acordo entre Lula, Motta e Alcolumbre cria janela política rara. Entre 31 de agosto e 4 de setembro, o Congresso poderá votar combinação de medidas de forte impacto social, econômico e político.

Para a PEC 221/19, entretanto, o caminho ainda não está concluído. Depois da CCJ, será necessário superar as 2 votações no plenário do Senado, com quórum qualificado de 49 votos favoráveis para chancelar a proposta. Se o texto for aprovado sem alterações, poderá avançar para promulgação; se sofrer modificações de mérito, retornará à Câmara.

Por isso, dizer que a escala 6x1 está definitivamente com os dias contados ainda seria precipitado. O que mudou, e muito, é que a proposta deixou de estar parada e passou a ter data, relator e compromisso político para avançar.

O desafio agora é transformar o acordo firmado no Alvorada em votos no plenário. Para milhões de trabalhadores submetidos à escala 6x1, a diferença entre promessa e conquista está justamente aí: na capacidade de o Congresso votar aquilo que a sociedade há meses vem cobrando.

O QUE PODE MUDAR
Se aprovada nos termos encaminhados pela Câmara, a PEC estabelecerá jornada máxima de 40 horas semanais, 2 dias de repouso remunerado e manutenção dos salários. A mudança será implantada progressivamente e deverá ser regulamentada para situações específicas.

CRONOGRAMA
O relator, senador Omar Aziz deve apresentar o parecer na CCJ do Senado, com votação prevista para 2 de setembro. É preciso incluir nesse cronograma, pedido de vista da oposição, de 24 horas. A semana de 31 de agosto a 4 de setembro será o último esforço concentrado do Congresso antes das eleições.

Fonte: DIAP
A Construção de uma NOVA CENTRAL SINDICAL DE TRABALHADORES – NCST foi forjada na unidade, coragem e ousadia, capaz de propor uma alternativa de luta para os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil. A NOVA CENTRAL SINDICAL DE TRABALHADORES marca um momento importante na história do Movimento Sindical Brasileiro, ela é a esperança transformada em realidade que se constitui como instrumento de luta e de unidade da classe trabalhadora do nosso País.

NEWSLETTER
RECEBA NOTÍCIAS POR EMAIL

Receba diariamente todas as notícias publicadas em nosso portal. Após cadastro, confirme sua inscrição clicando no link que chegará em sua caixa de entrada. Confira essa novidade!

Endereço: SAUS Quadra 04 Bloco A Salas 905 a 908 (Ed. Victória) - CEP:70070-938 - Brasília-DF | Telefone: (61) 3226-4000

Back to Top