Agricultores familiares de Limeira são alvo de ataques de prefeito após regularização de área.

Data de publicação: 27 Jul 2025



A CNTA – Confederação Nacional dos Trabalhadores da Alimentação, filiada à Nova Central, acompanha com atenção os desdobramentos e a repercussão sobre a cessão recente de uma área da União para 105 famílias assentadas em uma área na cidade de Limeira, SP. A portaria 4.913/2025 do Governo Federal, publicada em 4 de julho, destinou cerca de 600 hectares para o INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, para a regularização do assentamento Elizabeth Teixeira.

A decisão, que deveria ser digna de comemoração, pois regulariza uma situação que se arrasta por quase duas décadas, e que possibilita o diálogo para que o governo municipal regularize pelo menos dois equipamentos públicos locais que se encontram irregulares na área, o Horto Florestal e o Aterro Sanitário, se transformou em tema de discórdia.

“O prefeito Murilo Félix usou as redes sociais para provocar um verdadeiro levante da população contra as famílias que estão assentadas lá“, diz Artur Bueno de Camargo, presidente da CNTA. “São agricultores familiares que ocuparam uma área improdutiva da União, em um processo que já chega a vinte anos, vivendo sob péssimas condições, com energia elétrica conquistada há pouco tempo via medida judicial e com água fornecida por caminhões pipa, de maneira precária, impactando na saúde de todos e na produção agrícola deles. São seres humanos, trabalhadores, que não podem ser tratados como marginais, ainda mais pelo prefeito!”

Em postagens, replicadas por populares, por alguns vereadores e até por parte da imprensa local, o prefeito Félix (Podemos), cita que os assentados não podem “tomar o Horto” da cidade e que caso cheguem novos “invasores” haverá confronto.

“Truculento e violento”, prossegue Artur. “A agricultura familiar desenvolvida ali pode ser ampliada e servir para a própria comunidade. O prefeito perde a oportunidade de trazer essas famílias para o seio da sociedade que ele representa, acolher, ajudar para que produzam mais e, além de tudo, estabeleceer o diálogo para a regularização, definitiva, das áreas onde a prefeitura desenvolveu o Horto e o Aterro.”
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