Governo quer reduzir valor do auxílio emergencial para R$ 300
Data de publicação: 21 Ago 2020Senador Chico Rodrigues, vice-líder do governo no Senado, diz que prorrogação deve levar o pagamento até dezembro deste ano. Governo deve apresentar detalhes na próxima terça-feira
O governo Bolsonaro estuda prorrogar o auxílio emergencial para trabalhadores informais e desempregados até dezembro deste ano. Mas quer reduzir o valor da parcela para R$ 300, metade do valor pago atualmente. A informação foi dada nesta quinta-feira (20) pelo vice-líder do governo, senador Chico Rodrigues (DEM-RR). Rodrigues disse que o valor de R$ 300 foi definido pela equipe econômica do governo. “É um valor que vai continuar ajudando todos aqueles que estão passando por essa crise”, disse.
Atualmente, o pagamento de R$ 600 tem um custo mensal de R$ 50 bilhões para os cofres públicos. Mas esse valor é considerado insustentável pelo governo. Dados do IBGE mostram que mais de 30 milhões de famílias receberam a penúltima parcela do benefício em julho. Isso equivale a 44% dos domicílios do país.
Segundo o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) os detalhes serão apresentados na terça-feira (25) na cerimônia de lançamento do Pró-Brasil, programa de obras do governo para recuperação econômica após a pandemia. A alteração para um valor menos poderá ser enviada pelo governo por meio de medida provisória.
O auxílio emergencial foi inicialmente aprovado pelo Congresso Nacional para durar três meses, mas foi prorrogado por mais dois meses, totalizando cinco parcelas, que terminam agora em agosto. “Até o final de setembro, terminam também os repasses ao primeiro lote de aprovados pelo programa, inscritos pelo aplicativo e site ou que fazem parte do Cadastro Único”, informa reportagem do G1.
Novo programa de renda
Antes da aprovação, quando a matéria tramitava no Congresso, o governo Bolsonaro defendia o pagamento mensal de apenas R$ 200. Depois que o auxílio foi aprovado, o governo adotou o valor de R$ 600 no discurso para contabilizar para si os créditos políticos do programa. E agora fala em criar o programa Renda Brasil, ampliando o Bolsa Família para usar esse projeto eleitoralmente, com vistas à sua reeleição em 2022.
“Ainda me preocupa muito qual vai ser o desenho desse Renda Brasil, ou qualquer que seja o programa que será proposto”, afirma a professora de economia da USP Laura Carvalho em declaração ao portal G1. Ele lembra que Bolsonaro já falou mal dos programas de transferência de renda.
“Podemos estar em uma certa armadilha. O governo pode até mudar o Bolsa Família, dar um pouco a mais, remanejando recursos de programas já existentes, com pouco impacto no orçamento. E continuar com agenda de cortes de recursos. Isso não parece positivo, tem que ter cuidado ao analisar o que o governo está propondo”, afirma. Segundo Laura, o risco é o governo usar a renovação do programa apenas para fazer uma manobra eleitoral em benefício próprio.
Fonte: Rede Brasil Atual com informações da Agência Senado e Portal G1







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