D. Evaristo Arns deixa uma enorme lacuna na luta pela democracia, direitos humanos e justiça social
Data de publicação: 14 Dez 2016
Para a diretoria Nacional da Nova Central a morte de dom Paulo Evaristo Arns, frade franciscano e cardeal brasileiro, ocorrida quarta-feira (14/12), em São Paulo, deixa um “vazio enorme” nos direitos humanos e na luta por justiça social no País.
O homem que a ditadura não silenciou, nasceu em uma família de imigrantes alemães, com outros 12 irmãos e irmãs, entre os quais três freiras e um irmão da Ordem dos Frades Menores, D. Evaristo cursou o seminário franciscano em Rio Negro (PR) e foi ordenado presbítero em Petrópolis, onde desenvolveu trabalho reconhecido junto à população necessitada do município.
Em 1966 obteve a ordenação episcopal e em outubro de 1970 foi nomeado arcebispo de São Paulo e cardeal-cardeal-presbítero em 1973. Durante as suas atividades eclesiásticas sempre atuou com dedicação à população da periferia, aos trabalhadores e às comunidades eclesiais de base.
Notabilizou-se pela sua incansável dedicação à defesa e promoção dos direitos da pessoa humana, sendo o criador da Comissão de Justiça e Paz de São Paulo, consagrando-se como o Cardeal dos Direitos Humanos.
Na década de 70, sua coragem cívica foi de profunda relevância na luta contra a ditadura militar, pelo fim das torturas e restabelecimento da democracia no Brasil. Inaugurou um feito histórico, aproximando a Igreja Católica com a comunidade judaica, resultando, dessa união, uma frente de resistência ao arbítrio e prepotência dos militares, subscrevendo o livro “Brasil Nunca Mais” e “Tortura Nunca Mais”.
No “Projeto Brasil Nunca Mais”, uniu-se ao pastor Jaime Wrigth, na clandestinidade, para impedir que documentos do período da ditadura militar desaparecessem. Resultou, desse trabalho, a publicação de processos ocorridos no Superior Tribunal Militar (STM), com mais de uma milhão de páginas, escancarado a face cruel do regime militar.
Também foi relevante a sua dedicação às ações da Pastoral Operária, Pastoral da Moradia e na Pastoral da Criança. Dom Evaristo Arns tornou-se, pela sua obra, daqueles personagens considerados imprescindíveis, conforme Bertold Brecht, e sua vida é símbolo de dignidade na luta com a opressão, a exploração e a miséria social.
No momento grave em que vive o nosso País, com supressão de direitos sociais e trabalhistas, retrocesso social, desemprego e avassaladora crise econômica, em meio a uma vergonhosa crise moral que assola os mais altos poderes em Brasília, a voz e a presença de D. Evaristo são exemplos para todos nós. A sua luta é uma fonte permanente de referência para a nossas responsabilidades de buscar, sempre, um Brasil mais justo, mais solidário e soberano.



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