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O voto do trabalhador também decide o futuro do trabalho
Data de publicação: 29 Set 2026.png)
No dia 4 de outubro, o trabalhador brasileiro escolherá presidente, governadores, deputados estaduais ou distritais, deputados federais e dois senadores por estado. É natural que a disputa pela Presidência concentre as atenções. Mas quem deseja melhores condições de trabalho precisa olhar com igual cuidado para as candidaturas ao Legislativo. É na Câmara, no Senado e nas assembleias legislativas que propostas capazes de mudar a vida de milhões de pessoas avançam, são alteradas ou ficam paradas.
A jornada de trabalho, a proteção da renda, a saúde de quem trabalha e o direito de organização sindical não dependem apenas das promessas feitas durante a campanha. Dependem também de parlamentares dispostos a ouvir os trabalhadores quando essas questões chegam ao debate legislativo. Um presidente pode defender uma proposta; sem apoio no Congresso, porém, terá dificuldade para transformá-la em lei.
Isso é especialmente importante para quem trabalha no turismo e na hospitalidade. Em hotéis, bares, restaurantes e tantos outros serviços, o expediente frequentemente alcança noites, fins de semana e feriados. Quando se discute jornada, descanso, remuneração ou segurança, não se trata de uma disputa distante de Brasília. Trata-se do tempo para estar com a família, da saúde preservada e do dinheiro que chega ao fim do mês.
O movimento sindical conhece o esforço necessário para colocar essas reivindicações em pauta. Organiza trabalhadores, negocia, apresenta propostas e cobra respostas. Ainda assim, encontra obstáculos quando falta, nos espaços de decisão, uma representação comprometida com as causas trabalhistas. Os interesses empresariais têm voz no debate público; a voz de quem vive do próprio trabalho também precisa ser ouvida e levada a sério.
Por isso, escolher representantes não deve ser um gesto automático, guiado apenas por uma frase de campanha ou pela popularidade de um candidato. Vale conhecer sua trajetória, suas propostas e, quando já exerceu mandato, suas posições diante de temas que afetam os trabalhadores. Quem pede o voto hoje deverá responder por suas decisões depois da eleição.
Representação classista significa manter as necessidades de quem trabalha presentes onde as leis são discutidas. Não exige concordância cega com um partido ou uma liderança. Exige atenção a uma pergunta simples: quando os interesses dos trabalhadores estiverem em jogo, de que lado esse representante estará?
O voto é individual e livre. Seus efeitos, porém, são coletivos. Em 2026, escolher bem os ocupantes do Executivo será decisivo. Escolher com consciência os integrantes do Legislativo também será. A dignidade no trabalho precisa de organização sindical, mobilização permanente e representantes que estejam dispostos a defendê-la.
Fonte: CONTRATUH










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