Manifesto de trabalhadores da Saúde cita ‘genocídio’ na pandemia

Data de publicação: 25 Nov 2020



Rede internacional de profissionais de saúde lançou nesta terça-feira (24) manifesto político, cultural e ecumênico com ativistas, artistas, religiosos e lideranças sindicais


 
Manifesto “Não nos Calarão – O genocídio e a crise da Covid-19” responsabiliza governo Bolsonaro pelos mais de 6 milhões de casos e 170 mil mortes



Artistas, religiosos, profissionais de saúde, ativistas pelo trabalho decente, pela saúde e pela paz pedem a responsabilização das autoridades pela negligência no enfrentamento à pandemia da covid-19. E promoveu nesta terça-feira (24), das 19h às 21h45, o lançamento virtual de um manifesto intitulado “Não nos Calarão – O genocídio e a crise da Covid-19”. Para os organizadores – a Rede Sindical UNISaúde – o governo de Jair Bolsonaro é cúmplice de um genocídio de brasileiros, sobretudo os mais pobres, entre eles indígenas e quilombolas. E também de milhares de profissionais de saúde obrigados a atuar em péssimas condições de trabalho.

Sob a ótica desse universo de vítimas da covid-19, o manifesto político, cultural e religioso teve participação de vários convidados especiais. Entre eles o ativista argentino e Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel, a líder budista Monja Coen, o padre católico Júlio Lancellotti, a psicóloga Rejane Pafej Kaingangue (primeira indígena formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul). Os músicos Chico César, Mônica Salmaso e Teco Cardoso farão apresentações. Haverá também manifestações de lideranças sindicais da CUT, UGT e CSP-Conlutas e do setor da saúde do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

A condução do evento ficou a cargo da atriz e poeta Luz Ribeiro e, ao longo da transmissão, está previsto um ato ecumênico, além das intervenções artísticas e culturais, com homenagens a todas as vítimas da covid-19. O Brasil tem oficialmente mais de 6 milhões de casos de covid-19 e 170 mil mortes pela doença provocada pelo novo coronavírus.


Assista ao vídeo de apresentação do evento:






Genocídio


“No começo da pandemia, profissionais de saúde foram alçados ao posto de heróis e o que se viu depois foi total descaso, como desemprego, condições precárias de trabalho, incluindo a de equipamentos de proteção Individual e de testagem”, lembra Márcio Monzane, secretário regional da UNI Americas, à qual é integrada a Rede Sindical Brasileira UNISaúde. A organização reúne 40 entidades sindicais, que representam mais de um milhão de profissionais das redes de saúde pública e privada, em 18 estados e no Distrito Federal. A UNI Americas, por sua vez, é o braço latino-americano da UNI Global, entidade sindical mundial, com sede na Suíça, que representa mais de 20 milhões de trabalhadores do setor de serviços em três continentes.

Monzane observa que desde o início da pandemia o presidente Jair Bolsonaro minimizou a gravidade da crise sanitária. “Chamou de gripezinha, deu péssimos exemplos ao promover aglomerações e não usar máscara, publicou decretos que dificultaram a assistência médica e até o acesso de indígenas e quilombolas a água potável. Foram medidas responsáveis pelo elevado índice de contaminações e mortes entre esses povos”, afirma o dirigente, para quem não há outra palavra para definir a conduta da maior autoridade do país: “O que ele fez contra os profissionais de saúde e, especialmente, esses grupos étnicos foi um genocídio”.

De acordo com Marcio Monzane, o lema escolhido para o evento – “Não nos calarão! O genocídio e a crise da Covid-19” – é uma forma de deixar explícita a resistência dos profissionais de saúde e demais vítimas da pandemia no Brasil. “E de enfatizar que continuarão lutando, especialmente agora que o país já pode estar vivendo uma segunda onda da doença.”


Profissionais de saúde


No universo de profissionais de saúde, houve 370 mil casos confirmados da doença, conforme o último Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, e quase 400 mortes. A Rede UNI Saúde pondera, porém, que os dados estão subnotificados devido a problemas no sistema em que são cadastradas as informações pelas secretarias estaduais de saúde.

Em julho passado, a organização apresentou uma queixa assinada por 63 entidades ao Tribunal Penal Internacional de Haia, na Holanda. A iniciativa acusou o governo Bolsonaro de genocídio e de crime contra a humanidade. A queixa foi suspensa pelo tribunal, mas ainda é possível recorrer. Durante o evento desta terça à noite, a coalizão pretende reafirmar compromisso de seguir lutando para que o governo brasileiro seja responsabilizado legalmente por sua má gestão e omissão frente à pandemia.


Como acompanhar:





“Não nos calarão! O genocídio e a crise da Covid-19”
Terça, 24/11, das 19h às 21h45
Nas plataformas www.manifao.org
E no canal do Youtube: UNI Americas Comunicación 





Fonte: Rede Brasil Atual - RBA 

 
A Construção de uma NOVA CENTRAL SINDICAL DE TRABALHADORES – NCST foi forjada na unidade, coragem e ousadia, capaz de propor uma alternativa de luta para os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil. A NOVA CENTRAL SINDICAL DE TRABALHADORES marca um momento importante na história do Movimento Sindical Brasileiro, ela é a esperança transformada em realidade que se constitui como instrumento de luta e de unidade da classe trabalhadora do nosso País.

NEWSLETTER
RECEBA NOTÍCIAS POR EMAIL

Receba diariamente todas as notícias publicadas em nosso portal. Após cadastro, confirme sua inscrição clicando no link que chegará em sua caixa de entrada. Confira essa novidade!

Endereço: SAUS Quadra 04 Bloco A Salas 905 a 908 (Ed. Victória) - CEP:70070-938 - Brasília-DF | Telefone: (61) 3226-4000

Back to Top