Brasil a um dia de 130 mil mortos. Número de novos casos volta a subir
Data de publicação: 11 Set 2020Com 983 vítimas nas últimas 24 horas, covid-19 segue descontrolada no Brasil. Efeitos da pandemia podem aumentar mortes indiretas de crianças, afirma OMS
mas temos também que prevenir todos os contágios possíveis"
por Gabriel Valery
edição de Fábio M. Michel
O Brasil registrou, nesta quinta (10) 983 mortos por covid-19 nas últimas 24 horas. Os números oficiais indicam tendência de leve queda na letalidade do vírus, puxada por grandes cidades, como São Paulo. No entanto, desde o início da pandemia, em março, já são 129.522 vidas perdidas para a infecção. O levantamento é divulgado diariamente pelo Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass).
Já o número de novos doentes voltou a superar os 40 mil, marca que não era batida há cinco dias. Agora, o Brasil registra, oficialmente, 4.238.446 infectados desde março. O avanço da contaminação coincide com o estudo da Imperial College de Londres que, no início da semana, afirmou que a pandemia voltou a fugir do controle, após um breve período de estabilidade e queda nos índices de contágio.
Cenário único
Tal tendência de queda foi verificada após 12 semanas consecutivas com o Brasil registrando média diária acima de mil mortos e de novos casos acima de 40 mil. O país é a nação que está a mais tempo como epicentro da pandemia no mundo, 14 semanas, posto que não perdeu ainda. Diferentemente de outros membros da comunidade internacional, o país pouco fez pelo controle da pandemia.
Além de o governo de Jair Bolsonaro desdenhar do vírus desde o começo da pandemia, prefeitos e governadores passaram progressivamente a abandonar medidas de segurança e distanciamento. Isso resulta na persistência da pandemia no país, algo único no mundo.
Como a covid-19 é um vírus novo, ainda em estudo pela comunidade científica internacional, os cuidados para conter sua propagação devem ser mantidos. É o que afirmam cientistas e a OMS. “Temos que salvar vidas, mas temos também que prevenir todos os contágios possíveis, pois não sabemos ainda o suficiente sobre os efeitos a longo prazo da covid-19”, disse hoje a diretora técnica da entidade, Maria van Kerkhove.
Crianças em foco
A OMS, assim como outras agências pares da ONU, temem que a covid-19 impacte na mortalidade infantil global. Nos últimos 10 anos, o número anual de crianças mortas por doenças caiu de 12,5 milhões para 5,2 milhões, em 2019. O impacto do novo coronavírus seria resultado da falta de capacidade de sistemas hospitalares em todo o mundo para lidar com enfermidades infantis, no momento em que muitos idosos e pessoas em grupos de risco lotam hospitais pela covid-19.
“A comunidade mundial avançou tanto para eliminar mortes infantis passíveis de prevenção e não podemos deixar que a pandemia de covid-19 nos pare. As crianças não podem acessar os sistemas de saúde com sobrecarga, ou as mulheres não podem dar a luz em hospitais por receio da infecção. Todos esses acabam se tornando vítimas indiretas da covid-19”, disse a diretora-executiva da Unicef, Henrietta Fore.
Fonte: Rede Brasil Atual - RBA







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