Começa onda de protestos contra política de cortes de Bolsonaro

Data de publicação: 9 Maio 2019


'Presidente, escute o verso ligeiro e tome ciência: cancele esse projeto, bote a mão na consciência. Enquanto falar de corte, seremos resistência', dizem alunos do Instituto Federal Santa Cruz (RN)



Uma multidão foi às ruas em Salvador em defesa da UFBA, da universidade pública, gratuita e de qualidade e contra a política de cortes do governo Bolsonaro


Perto de completar um mês à frente do Ministério da Educação (MEC), Abraham Weintraub teve, na segunda-feira (06/05), uma demonstração da resistência à sua política de cortes especialmente no ensino superior. Na mesma data pela manhã, uma multidão tomou as ruas de Salvador em apoio não só à Universidade Federal da Bahia (UBFA), mas a todas as 60 universidades federais e aos 40 institutos federais (IFs) que terão 30% de corte no orçamento deste ano.

Os IFs oferecem cursos técnicos em tempo integral, com formação concomitante do ensino médio e técnico, cursos técnicos subsequentes, para o estudante que já concluiu o ensino médio – nesse caso, somente a formação técnica, cursos superiores que formam tecnólogos, bacharéis e de licenciatura para o magistério, além de pós-graduação nas modalidades especialização e mestrado.

Durante a manifestação, o reitor João Carlos Salles rebateu afirmações do ministro Weintraub. Em entrevista na última terça-feira (30), ele disse que universidades federais são espaço de "balbúrdia" e que precisam mostrar resultados.

"A UFBA melhorou seus índices e avançou em rankings e avaliações, como a do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) nos programas de pós-graduação. Afastada a justificativa de balbúrdia, era preciso afastar a justificativa de desempenho insuficiente, o que constituiria vício de motivação. Com isso, o governo recuou para em seguida avançar sobre todo o ensino superior e agora sobre a educação básica, ameaçando o futuro do nosso país", disse.

Ainda segundo Salles, o corte da UFBA totaliza R$ 55.906.441,00. "Não só a UFBA, mas as universidades não suportam a dimensão de bloqueio dessa ordem. A UFRJ teve bloqueio de R$ 114 milhões. Para a universidade que já está combalida de recursos, isso é uma sentença de destruição."






Institutos federais


Por todo o país, estudantes e professores dos IFs também se manifestaram contra os cortes no orçamento. Por meio da hashtag #TireaMãodoMeuIF, os alunos marcaram atos realizados nos institutos.

"Presidente, escute o verso ligeiro e tome ciência: cancele esse projeto, bote a mão na consciência. Enquanto falar de corte, nos seremos resistência". Os versos são parte do recado dos estudantes do Instituto Federal (IF) Santa Cruz (RN). Confira no vídeo abaixo:





Resistência


O Ministério Público Federal já começa a apurar os impactos desses cortes. Nesta sexta-feira (3), em Goiás, foram abertos três inquéritos civis. Um sobre o direito à educação dos alunos da Universidade Federal em Goiás (UFG), do Instituto Federal de Goiás (IFG) e do Instituto Federal Goiano (IF Goiano).

No mesmo dia, a Defensoria Pública da União (DPU) protocolou ação civil pública contra o Ministério da Educação (MEC) pelo corte de verbas. Diversas outras ações foram protocoladas em diferentes tribunais do Brasil. 

O movimento pela derrubada da medida do governo começa a definir sua agenda. O Diretório Central de Estudantes da UFBA convoca assembleia geral para a próxima quinta-feira (9). Na pauta, defesa da Universidade Pública e da Educação, além da definição do calendário de lutas.




Na Bahia, manifestantes dizem o que pensam das universidades e do governo de Jair Bolsonaro. No Rio Grande do Sul, alunos e professores se unem na defesa do Instituto Federal. Uma amostra do que aconteceu em todo o país.






Fonte: Rede Brasil Atual - RBA
 
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