Conjuntura Política e Econômica do Brasil: Desafios e Perspectivas
Data de publicação: 10 Ago 2016
Para o segundo dia de Formação Sindical, realizado no estado de São Paulo, nesta terça-feira (9/8) houve a apresentação do Programa de Educação, feito pela Coordenadora de Projetos, Cláudia Carnevalle e o Coordenador de Gestão Administrativa do Centro Avançado de Estudos na Gestão Pública e Privada - CEAESP, Leandro Mazano, iniciando assim mais um dia de conhecimento e aprendizagem aos sindicalistas da Nova Central.
De acordo com Cláudia, a plataforma de educação on-line da Nova Central é um ambiente personalizado e exclusivo da instituição para a distribuição de cursos aos seus dirigentes sindicais, permitindo ao programa de educação um alcance de nível nacional que poderá ser expandido a todos os dirigentes associados à NCST. Com um novo método de ensino interativo, onde os associados poderão fazer cursos diretos de suas bases, ampliando seu conhecimento por meio de videoaulas, matérias de apoio, atividades e ao final do curso poderão receber certificado mediante aproveitamento estabelecido. “Acreditamos que o crescimento se dá por meio do compartilhamento do conhecimento e das experiências. E para compreender melhor as diferenças existentes, neste primeiro momento de implementação, iremos fazer entrevistas e de maneira conjunta, possamos nos reconhecer e consequentemente nos fortaleceremos”, sintetizou a coordenadora do CEAESP.
Na primeira etapa, a maneira de trabalho será integrativa, com oficinas e dinâmicas, além da realização de pesquisas que irão mapear o perfil dos sindicalistas regionais.“Estaremos juntos para poder dar sustentabilidade ao programa, fazendo com que vocês percebam a potência que existe nesta relação feita com as redes de contato. E aqui teremos como premissa inicial: a história do sindicalismo sendo valorizada”, explicou Cláudia.
Serão 3 módulos, com 11 aulas, sendo elas distribuídas na área da economia, ações políticas, sindicais e sociais das entidades, tudo feito de acordo com as necessidade do grupo participante.
A dinâmica interativa realizada inicialmente pela coordenadora Cláudia, explicou de maneira prática o que vem a ser o planejamento que muito ajudará a estabelecer macroestratégias e macropolíticas, por vezes, tão necessárias para orientar na formulação dos objetivos da instituição. E assim ser possível planejar desafios e metas que se desdobrarão em estratégias políticas a partir de programas, projetos e por fim ações. “Hoje vamos adensar os conteúdos através do ensino à distância, a princípio iniciado pelos coordenadores técnicos deste projeto”, lembrou Sebastião Soares, diretor de Formação Sindical e Qualificação Profissional da Nova Central.
Leandro Mazano, coordenador do CEAESP, seguiu explicando sobre a plataforma de educação on-line e o meio de acesso ao curso. “Após entregue o login e a senha para todos vocês iremos tirar algumas dúvidas e permitir que já tenham contado com o curso on-line, onde encontrarão três plataformas com conteúdos distintos e objetivos”, esclareceu.Iniciado propriamente a Educação Sindical realizada pela Nova Central, o Consultor Político Parlamentar do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar – DIAP, André Santos, fez uma retrospectiva sobre os reais motivos do afastamento da presidente Dilma e a entrada do governo interino Temer. A Conjuntura Política com governo interino e novo presidente da Câmara dos Deputados: impactos na classe trabalhadora. “O que caracterizou o impeachment foi a desarticulação política com a crise econômica e a base social fragilizada. Temos com isso, como principais pontos da agenda do governo interino; a redução dos gastos públicos, a reforma previdenciária, o marco regulatório do petróleo, a flexibilização dos direitos trabalhistas e a terceirização. Estes serão os assuntos de grande importância tramitando no Congresso Nacional durante este ano e que muito prejudicará a classe trabalhadora de todo país”, apontou André.
O representante do DIAP destacou ainda, e de forma detalhada cada um dos pontos e projetos que certamente serão colocados em pauta no Congresso Nacional, e sobre o mal que tais medidas poderão causar a toda sociedade, indicando com isso as ações a serem tomadas, direcionando os sindicalistas presentes.
Clemente Ganz, diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos – DIEESE, de maneira simples e direta fez um panorama do meio político, prevendo o aumento do desemprego, que segundo ele tenderá a crescer cada dia mais. Mostrou também qual será a medida adotada pelo DIEESE para ajudar neste processo. “Vamos produzir uma nota técnica em âmbito municipal, estadual e federal, com iniciativas locais e nacionais, em relação ao problema do desemprego. Lembro ainda que temos que aprender todo dia, lutando e intervindo, pois acredito que ainda é possível fazer muito, e com isso o movimento sindical poderá chegar a uma negociação sempre".Além disso, Clemente reforçou sobre o poder da unidade sindical na tentativa de se chegar a um objetivo específico. “Não haverá mudança se não houver mobilização, com propostas ousadas, assim a negociação sempre vai depender da luta e da unidade, que neste caso vai fazer grande diferença. Por isso, vamos construir a unidade e vamos à luta. Resistir é avançar, não avança quem não tem conhecimento, e por isso a formação é imprenscindível".
Entidades Sindicais: Missão e Resgate Histórico, foi com este tema que o professor e coordenador de Formação Político Sindical e Social do CEAESP, Erledes Elias, deu continuidade ao curso sindical. “O trabalho desenvolvido pela Nova Central é inédito, pois toda vez que não for possível ao dirigente sindical comparecer a uma aula, ele poderá estudar à distância”, observou.Para o professor, a formação político sindical ou educação sindical se faz por meio da consciência crítica, não da para transformar sem conhecer. "Estou falando da educação que leva a consciência crítica e política. O nosso papel é de defender os interesses da sociedade, além de defender a luta dos trabalhadores – Ensinar não é transferir conhecimento, mais criar as possiblidades para sua produção ou a sua construção. Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender", incluiu Erledes uma citação do saudoso Paulo Freire.
Erledes fez uma série de questionamentos, e acabou mencionado sobre o real compromisso ideológico da Nova Central. “A Nova Central tem o comprometimento com o desenvolvimento do país, com a sustentabilidade e com a justiça social, possibilitando construir e organizar uma sociedade ética, democrática, com justiça social e direitos de oportunidades, com igualdade para todos”, disse.
Luis Sérgio, docente em Segurança e Saúde do Trabalho e Previdência doutor em Higiene Ocupacional e Membro da ACGIH, seguiu falando sobre A Centralidade do Trabalho no Mundo Contemporâneo, reforçando a importância, em um momento de crise, do movimento sindical no processo de organização e mobilização diante das mais variadas formas de centralidade da sociedade morta em que a tecnologia suplanta a ideia de trabalho. “A força do trabalhador canalizada para a centralidade é ruim. O trabalho é uma força social e coletiva, sendo que o sindicato tem um papel importante de criar o ser coletivo que trabalha com mais consciência. O trabalho nasceu de uma tortura e foi impositivo ao longo da história, hoje, porém não pode ser visto como uma tortura, e sim como sendo a inclusão de um sistema produtivo, e acima de tudo é preciso que se perceba esta realidade. O capitalismo e a globalização estão fazendo a centralidade do trabalho, mais o trabalhador tem uma função social que não pode ser esquecida”, detalhou.“Agradeço esta rica oportunidade, pois só assim poderemos buscar o que perdemos no meio sindical, resgatar a nossa história ou a missão que foi confiada a todos nós. Vamos pensar na nossa unidade e na busca para sermos sempre éticos e fiéis aos nossos princípios”, manifestou Roberta dos Reis, represente do Sindicato dos Moveleiros do Espírito Santo.
Seguindo para o encerramento, Sebastião Soares, com uma excelente palestra, tratou da Desconstrução do Mundo do Trabalho, com a exposição de uma realidade agressiva que se instala nas relações de trabalho com o surgimento da Teoria das gerações: Baby Boomers, Geração X, Y e Z, onde existe o foco na organização, sem vínculo de classe. “O formador sindical tem que ir além da aparência e dúvidar de tudo, não aceitando apenas o que chega até ele. Posso dizer que esta seria uma prática estratégica para nós sindicalistas. Nossa missão é de dialogar com as pessoas, com consciência de que a realidade não é essa na qual estamos inseridos, não se permitindo ser prisioneiro da realidade dos outros, por conta, em especial, desta precarização do trabalho, fenômeno mundial que prejudica as relações de trabalho, sendo para nós um grande desafio superar esta realidade que prejudica os movimentos sindicais e sociais”, finalizou.



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