Regulamentada atividade dos trabalhadores em frigoríficos e abatedouros

Data de publicação: 17 Abr 2013



O ministro do Trabalho e Emprego, Manoel Dias, assinou nesta quinta-feira (18/4) a NR (Norma Regulamentadora) 36 sobre Segurança e Saúde no Trabalho em Empresas de Abate e Processamento de Carnes, também conhecida como a “NR dos Frigoríficos”, a medida ficou dois anos em negociação por dois anos.

A norma vai entrar em vigor seis meses após a publicação no Diário Oficial da União, que deve acontecer na edição desta sexta-feira (19/4). A principal medida introduzida pela norma, segundo os trabalhadores, é o direito à pausa.

“Essa norma traz segurança jurídica ao trabalhador, que se sentirá protegido e aumentará sua produtividade. Todos ganharão, trabalhadores e empregadores. Esperamos que a norma produza o resultado esperado”, disse o ministro.

Atualmente, há cerca de 413,5 mil trabalhadores no setor, segundo a CNTAAfins (Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins). O estado com a maior concentração desses empregados é o Paraná (66,6 mil ou 16,1% do total), seguido por São Paulo (65,8 mil ou 15,9% do total) e Santa Catarina (57,5 mil ou 13,9% do total).

Entre os principais direitos garantidos aos empregados de frigoríficos e abatedouros, com a vigência da nova norma, estão pausas com duração entre 20 minutos e uma hora, dependendo da jornada de trabalho cumprida; assentos para trabalharem, caso seja possível; adequação da altura dos equipamentos usados; regulação da temperatura dos ambientes e tempo de permanência no local; e controle da qualidade do ar nas áreas artificialmente ventiladas.

Para os trabalhadores, a pausa foi a medida mais importante introduzida pela norma. “O mais importante foi o estabelecimento das pausas. O serviço que exercemos é penoso, é um sacrifício muito grande e causa danos à saúde”, disse Carlúcio Gomes da Rocha, um dos representantes da CNTA Afins, que trabalha no setor há mais de 30 anos e participou das discussões da comissão tripartite, formada para elaborar a norma do ministério.

As principais dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores em abatedouros e frigoríficos são as temperaturas extremas – calor, em abatedouros e frio, em frigoríficos; manuseio constante de facas; movimentos repetitivos e contato com sangue.

Segundo o representante dos empregadores no setor, Clóvis Veloso, as empresas investirão R$ 7 bilhões nos próximos 2 anos para se adequarem às novas regras. “Esse valor não está sendo visto como um custo, mas como um investimento para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores”, explicou Veloso.

As empresas terão prazo de 12 meses para se adaptarem às novas normas que demandem intervenções em mobiliário e equipamento; 24 meses para as alterações nas instalações físicas e de seis a 18 meses para adequações de assentos.

De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Estado de Santa Catarina, Clever Pirola Avila, a maioria desses investimentos deverá ser feita na infraestrutura das indústrias – como em automatização, ajuste do espaçamento mínimo entre os trabalhadores e salas onde os empegados possam descansar durante as pausas.

“Essas medidas serão tomadas para minimizar o impacto do trabalho sobre a saúde do trabalhador e sobre a produtividade” informou Avila. Para ele, esses investimentos adicionais no setor serão feitos gradativamente e não deverão ter impacto sobre os preços da carne.

Na semana passada, o MPF (Ministério Público Federal) no Amazonas, no Mato Grosso e em Rondônia processou 26 frigoríficos pela comercialização de carne com uso de trabalho escravo, entre outras acusações – como violação de direitos indígenas e devastação florestal. De acordo com o MPF, as violações ocorreram, ente outros fatores, devido à ausência da regularização da atividade frigorífica.

No total, o Ministério Público pede às empresas R$ 556,9 milhões em indenização por danos ambientais à sociedade brasileira. As empresas já haviam sido acionadas para firmarem um Termo de Ajustamento de Conduta, que não foi feito. O MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) espera que esse tipo de situação seja combatida a partir das garantias introduzidas pelas nova norma.

Fonte: Última Instância
A Construção de uma NOVA CENTRAL SINDICAL DE TRABALHADORES – NCST foi forjada na unidade, coragem e ousadia, capaz de propor uma alternativa de luta para os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil. A NOVA CENTRAL SINDICAL DE TRABALHADORES marca um momento importante na história do Movimento Sindical Brasileiro, ela é a esperança transformada em realidade que se constitui como instrumento de luta e de unidade da classe trabalhadora do nosso País.

NEWSLETTER
RECEBA NOTÍCIAS POR EMAIL

Receba diariamente todas as notícias publicadas em nosso portal. Após cadastro, confirme sua inscrição clicando no link que chegará em sua caixa de entrada. Confira essa novidade!

Endereço: SAUS Quadra 04 Bloco A Salas 905 a 908 (Ed. Victória) - CEP:70070-938 - Brasília-DF | Telefone: (61) 3226-4000

Back to Top