Menor que inflação, reajuste do INSS deixa aposentados com 'nome sujo'

Data de publicação: 23 Out 2018


Em setembro deste ano, 18,3 milhões de pessoas entre os 50 e os 84 anos passaram a ser "negativadas", com restrições no CPF devido aos atrasos no pagamento de contas.




Em setembro deste ano, 18,3 milhões de pessoas entre os 50 e os 84 anos ficaram com restrições no CPF devido aos atrasos de contas, aponta o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Ao todo, 62,4 milhões estão com nome sujo. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

De acordo com uma reportagem, enquanto as aposentadorias acima do salário mínimo foram corrigidas em 2,07% em 2018, a inflação para o idoso está acumulada em 5,15% em 12 meses, segundo o Índice de Preços ao Consumidor - Terceira Idade (IPC-3i), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). De acordo com André Braz, coordenador do IPC, alguns preços monitorados afetam especialmente os aposentados. 

Gastos com a conta de luz, por exemplo, comprometem 3% das rendas das pessoas mais novas, mas chegam a 4,8% no caso dos mais velhos, de acordo com o especialista. "Como os idosos acabam passando mais tempo em casa, ficam mais reféns desse serviço. E esse é um gasto difícil de abrir mão, então há pouco espaço para substituir por itens mais baratos, como acontece com a alimentação", afirma o especialista.

O aposentado Brás Ferreira, de 56 anos, ouvido pela "Folha", afirma que seus gastos com plano de saúde, remédios, energia e gás estão pesando mais neste ano. Além de cortar atividades de lazer, também deixou de poupar. "Faço tudo para não sair do orçamento e não ficar devendo nada. Mas preciso 'rebolar' muito para que dê certo", conta. Ele faz associação direta entre a inflação ser maior que o reajuste dado aos benefícios do INSS como explicação para o aumento da parcela dos aposentados que estão "no vermelho".

Outro problema alertado por especialistas é o crédito consignado. Assim como o aumento do endividamento, a concessão de crédito para aposentados e pensionistas do INSS cresceu. Segundo dados do Banco Central, o volume foi de R$ 125,6 bilhões em agosto deste ano, ante R$ 112,5 bilhões no mesmo mês de 2017, um aumento de 11,7%.

Também à "Folha", Milton Cavalo, diretor-presidente da Coopernapi (Cooperativa de Crédito do Sindicato Nacional dos Aposentados), explica como é comum que os segurados tomem o crédito para aumentar o poder financeiro ou sanar problemas da família. Porém, ele alerta que para os riscos da tomada de empréstimo. "O crédito consignado não é um complemento de renda. É uma operação financeira que deve ser bem pensada." 




Fonte: Rede Brasil Atual -  RBA
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