Presidente da Nova Central-RS fala para filiados e comunidade em geral

Data de publicação: 6 Ago 2015

Esta é a primeira vez que Oniro Camilo, presidente da Nova Central Sindical de Trabalhadores do Rio Grande do Sul, dirige-se aos sindicatos filiados e a comunidade em geral, desde que assumiu. A entrevista aconteceu antes da primeira reunião de diretoria da NCST-RS, no dia 30 de julho/15.
 
NCST-RS - O que representou, para o senhor, assumir a presidência da Nova Central do Rio Grande do Sul em seguida do Sr. Valter Souza, sindicalista muito conhecido em todo o movimento sindical brasileiro?
 
Oniro Camilo — Num primeiro momento um susto, porque a gente não esperava isso que aconteceu com nosso companheiro Valter e, ainda mais, da forma como aconteceu, um infarto fulminante na nossa cidade (Butiá), numa atividade do nosso Sindicato, no dia 1º de maio.

Então a coisa foi muito emotiva, muito pegada e, num primeiro momento, a gente respeitou um período de luto, que foi uma semana que a Nova Central ficou sem atividade. No dia 12 de maio, então, como 1º vice-presidente, a gente assumiu a Nova Central-RS e estamos ainda engatinhando.

Os funcionários que estavam aqui eram vinculados ao Sindicato da Construção Civil de Porto Alegre, onde nosso companheiro Valter era o presidente. Eles foram chamados para prestarem o serviço no Sindicato de origem e respeitamos a posição do presidente Gelson Santana, que requisitou que os companheiros voltassem.

Assim, a gente ficou aqui meio sem eira, nem beira, como diz o gaúcho, mas fomos tocando, contando com a parceria dos demais diretores, com a parceria importantíssima do Larri de Oliveira Lopes, que era do Sindicato dos Mineiros de Charqueadas, e está aí nos dando uma mão, do Paulino Correa, da Federação dos Rodoviários do RS, do Ênio Klein, da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias dos Artefatos de Couro do RS, do Orlando Rangel, do SECHSPA, Sindicato dos Empregados no Comércio Hoteleiro, Bares, Restaurantes e Similares de Porto Alegre, que são parcerias que a gente encontrou e vem tocando desde lá.

Já temos algumas definições que a gente vem montando, também pagando contas que já estavam aqui e ainda continuam chegando na Nova Central, que são gastos feitos na gestão do falecido Valter e que a gente está aí, mantendo o bom nome da central, pagando essas contas, mas também investigando e analisando cada uma delas, para que a gente não pague conta que não existe.
 
NCST-RS - E qual o desafio do movimento sindical no Brasil de hoje?
 

Oniro Camilo - Quanto ao desafio, o momento que o Brasil está vivendo hoje é muito difícil, tá muito complicada, porque nós temos lá em Brasília um Congresso Nacional, onde 70% dos parlamentares são bancados por 10 empresas e isso prejudica os trabalhadores de um modo geral.

Os Deputados vinculados aos trabalhadores, com pauta de trabalhadores, nós temos em torno de 40 a 45, dependendo do momento, só até 45 no máximo, e no mais é uma luta desigual e muito difícil.

Mas a Nova Central, juntamente com as demais centrais sindicais, vem buscando se manter sendo proponente de ações que venham garantir os direitos dos trabalhadores e da nossa comunidade, que são aqueles que foram garantidos pela CLT desde que ela foi editada.

A gente sabe que da nova Constituição (88) pra cá, os trabalhadores do Brasil, de um modo geral, só vêm perdendo. Todos os governantes, que pela presidência passaram, estão rasgando um pouquinho a nossa CLT, buscando tirar um pouco o direito dos trabalhadores e se a gente não fizer uma reação em nível nacional, que comece pela base dos trabalhadores e movimentos sociais para que chegue em Brasília o nosso grito de socorro, dificilmente a gente não continuará perdendo.

Então, a Nova Central está fazendo um trabalho de base e aí já entro no assunto das novidades que estão sendo propostas pela central no RS.
 
NCST-RS - Quais seriam estas novidades?
 
Oniro Camilo - Já criamos duas Delegacias Regionais da Nova Central-RS, que já estão prontas para funcionar, uma em Santa Maria, com a coordenação geral da companheira Rejane Carara Cabral e, também, em Passo Fundo, no Sindicato dos Rodoviários, onde o companheiro Gilberto Boeira é nosso coordenador daquela região.

Ainda há pouco estivemos reunidos com o Sindicato dos Mineiros de Candiota, para abrir uma Delegacia na região da Campanha. Então, a gente já está aí com três delegacias para serem apresentadas para a nossa diretoria, na reunião que teremos daqui a pouco e, com certeza, nos próximos dias  já estarão a pleno vapor, porque o nosso Estatuto diz que podemos chegar até seis Delegacias, portanto, a gente espera estar com pelo menos mais uma até o fim do ano, com quatro até dezembro.
 
NCST-RS - E qual o objetivo destas Delegacias da Nova Central-RS?
 
Oniro Camilo - A ideia das Delegacias Regionais é uma maior aproximação da Nova Central com os Sindicatos, porque se tem uma coordenação regional ficam mais fácil fazer as reuniões lá no interior, lá em Santa Maria, lá em Passo Fundo, lá em Candiota, porque é mais fácil mobilizar os sindicatos, com maior número de diretores, do que trazer todo mundo pra  fazer uma discussão em Porto Alegre.

Então, a Nova Central-RS vai estar se deslocando de Porto Alegre para o interior do estado para levar a central e, como consequência disso, mexer com o movimento sindical no interior, mexer com os movimentos sociais, para que a gente faça aquilo que eu falei lá no início, ou seja, movimentar as bases, tirar o movimento sindical e comunitário dessa zona de conforto em que se encontra, para que a gente consiga avançar, quem sabe, tendo o Rio Grande do Sul dando início a uma reação em nível nacional contra a retirada dos direitos dos trabalhadores da maneira como estão sendo tirados da gente. Necessário movimentar a comunidade, levando até ela tudo o que está acontecendo e a forma como a gente entende que é para avançar, para garantir os direitos e novas conquistas.
 
NCST-RS - Já estão planejadas algumas ações ou eventos das Delegacias?
 
Oniro Camilo - Ainda no mês de agosto pretendemos fazer um encontro de final de semana num local em que a gente consiga ter uma estrutura para levar todos os Sindicatos filiados à Nova Central-RS, que são em torno de 100, e também toda a diretoria da Central, numa parceria com a CNTI, para que a gente consiga, então, requalificar o nosso dirigente sindical, ou seja, atualizar ele dentro das coisas que hoje estão acontecendo e qualificar aqueles dirigentes novos que estão chegando no movimento sindical.

Enfim, qualificação de quem tá chegando e atualização daqueles diretores que já estão aí na luta a mais tempo, porque nós precisamos estar sempre nos atualizando de momento em momento.

No mês de outubro, dentro da programação da Nova Central-RS, estaremos realizando três atividades, uma no dia 19, em Candiota, na região da Campanha, depois no dia 21, em Santa Maria, e 23 a mesma atividade, em Passo Fundo. Nelas vai estar o pessoal de Brasília e São Paulo, ministrando um curso de atualização, e será a rodada da Central no interior do Estado, fazendo esse esforço de atualização.
 
 
NCST-RS - Como o senhor está vendo a situação atual do RS?
 
Oniro Camilo - Nós estamos buscando, junto ao movimento sindical dos funcionários públicos do RS, uma reação contra, num primeiro momento, ao atraso e parcelamento dos salários, em seguida contra a onda de privatizações que está por vir.

Então, a Nova Central-RS se antecipando a isso, um dia antes do anúncio do parcelamento do salário dos servidores públicos, por parte do governo estadual) estivemos numa reunião na FESSERGS (Federação dos Sindicatos de Servidores Públicos do RS), onde o companheiro Sérgio Arnaud vai coordenar, em nome da Nova Central, uma reação no estado do Rio Grande do Sul contra as privatizações. Ou seja, nós entendemos que a privatização de qualquer bem público do estado, no momento, não vai resolver o problema e ainda vai trazer mais prejuízos para os trabalhadores e para a comunidade também.
 
NCST-RS - Qual a mensagem final que o senhor deixa para os filiados e movimento sindical nesta primeira manifestação pública como presidente da Nova Central - RS?
 

Oniro Camilo - Nossa intenção é estar sempre próximo aos Sindicatos do estado do Rio Grande do Sul. A Nova Central-RS, dentro desta nova mentalidade do sindicalismo brasileiro, quer estar próxima dos trabalhadores, quer estar próxima das comunidades e dos movimentos sociais. Por isso, este projeto de levar nossa central para o interior do estado. Assim, pedimos que os Sindicatos façam contato com a gente que, com certeza, teremos o maior prazer de ir até essas localidades, para conversar, organizar e dialogar com os movimentos sociais e também com os Sindicatos das mais diversas regiões do Rio Grande do Sul.
 
AS DELEGACIAS REGIONAIS DA NCST-RS
 
Na mesma oportunidade, aproveitamos para conversar com os novos Delegados Regionais da NCST-RS. Confira:
 
NCST-RS - O presidente da Nova Central-RS, Oniro Camilo, disse em sua entrevista que estão sendo criadas duas Delegacias Regionais, uma em Santa Maria e outra em Passo Fundo, eu queria uma palavra de vocês, de como vão funcionar as Delegacias e quais os objetivos para alcançar?
 
Rejane Carara Cabral -  Santa Maria – Bom, nós ficamos muito lisonjeados por termos sido procurados pelo presidente, Sr. Oniro Camilo, já que nós estamos filiados à Nova Central e acompanhando o serviço da central sindical desde a sua fundação.

Nós somos o Secohtur - Sindicato dos Empregados no Comércio Hoteleiro, Restaurantes, Bares e Similares de Santa Maria. Eu estou na tesouraria do Sindicato e devido à nossa disponibilidade para executar os serviços que a Nova Central nos convoca, nos sentimos no dever de contribuir através dessa Delegacia, que será organizada em Santa Maria e, através dela, aglutinar mais pessoas. Inclusive, nosso Sindicato, dentro do ramo hoteleiro, tem a pretensão de fazer uma extensão de base nas cidades vizinhas, próximas a Santa Maria. Um dos objetivos é trazer para participar, junto com a Nova Central, novos Sindicatos filiados da nossa categoria e das demais.
 
Gilberto Boeira – Passo Fundo – Eu sou presidente do Sindicato dos Rodoviários da cidade de Passo Fundo e mais 69 municípios lá da região, desde 2008. Também recebemos a primeira visita do nosso presidente Oniro, assim que esse assumiu, e ficamos bastante satisfeitos com o trabalho que a Nova Central estadual vem realizando há tempo.
A gente já vinha acompanhando e trabalhando nestes moldes de regionalização com o presidente falecido, nosso amigo e companheiro, Valter Souza.

Dessa forma, nós já tínhamos disponibilizado a sede da entidade, se a Nova Central do Rio Grande do Sul achasse por bem formatar uma Delegacia lá. Assim, passei a mesma ideia ao presidente que assumiu, Oniro, e recebemos uma visita, quando fomos contemplados com a Delegacia da central na região de Passo Fundo.
 
Então, a Delegacia de Passo Fundo já está tomando forma?
 
Gilberto - Como presidente do Sindicato de lá estou aglutinando outros Sindicatos da região, que não são filiados a nenhuma central, para nós trazermos para a Nova Central.

Eu já tenho uma sala lá, o presidente Oniro já tomou conhecimento, já visualizou, já tá a disposição da Nova Central, como sempre esteve, e estamos fazendo um trabalho de base chamando Sindicatos no interior dos municípios, para que a gente consiga aglutinar e trazer essas entidades para se somarem as fileiras da Nova Central, para que juntos consigamos galgar mais espaço, que nós estamos precisando, já que a gente tem “n” empecilhos que vêm contra aos Sindicatos.
 
NCST-RS - E quais seriam estes empecilhos, ou pelo menos, qual o maior deles?
 
Gilberto - A tendência do Ministério Público Federal, eu ouvi dito pelos Procuradores, ainda em 18 de maio deste ano, numa audiência pública que eu participei em Brasília, que ‘enquanto não houver a regulamentação das contribuições assistenciais, nós vamos tocar nosso trabalho entrando com as ações cíveis’.

Por isso, eu penso que nós devemos agregar mais Sindicatos na nossa central e trabalhar conjuntamente com ela, fazendo um trabalho político para que a gente consiga regulamentar as contribuições assistenciais dos sindicatos, porque se nós não tivermos um número satisfatório de Sindicatos filiados às centrais, elas também vão sucumbir, tal como os sindicatos. Essa falência generalizada é uma pretensão do Ministério Público, sucumbir com os Sindicatos de trabalhadores.
 
NCST-RS - Isso é uma luta dos Sindicatos há tempo e agora tá pior, mesmo...
 
Gilberto - Eu, lá em Passo Fundo, sofri uma ação civil pública contra a qual a gente lutou no Tribunal, foi pra Brasília e acabamos perdendo lá. A ação do Ministério Público foi procedente.

Então, hoje nós estamos proibidos de cobrar a contribuição assistencial. Essa é uma luta que nós temos que fazer, enquanto movimento sindical.

O Ministério Público afirmou lá em Brasília, no evento, que não vai largar o pé dos Sindicatos, enquanto não houver essa regulamentação.
 
NCST-RS – Então, o objetivo comum de vocês é aglutinar. Quanto mais Sindicatos participarem da Nova Central é melhor, não é?
 
Gilberto – Essa é a minha visão pessoal, como o presidente Oniro e todos os diretores da Nova Central têm também essa visão. Agora, eu já passei ao presidente o nome do projeto que já foi aprovado no Senado, voltou para a Câmara dos Deputados, e está com o relator para ele pegar e apresentar o parecer dele para que seja votado na Câmara.
Neste início de mês vamos dar um jeito de entrar em contato com o deputado Laércio José de Oliveira (CE), que é quem está com esse Projeto e vai prolatar o parecer. Antes dele dar o parecer queremos oficiar a ele e colocar a central nacional neste confronto, para que ele delibere um parecer favorável para que a Câmara dos Deputados aprove e regulamente a contribuição assistencial, para que todos os Sindicatos, Federações, Confederações consigam ficar mais aglutinados.

Porque se nós não tivermos a parte financeira, o aporte financeiro, não tem como fazermos a luta dos trabalhadores, vai chegar num ponto em que a classe patronal vai dominar e nós vamos sucumbir, e ao invés de nós progredirmos com os trabalhadores, os trabalhadores vão ter uma regressão. É muito importante a unicidade do movimento sindical.
 
NCST-RS - Para finalizar, mais alguma coisa que vocês gostariam de dizer, ou complementar?
 
Rejane – Para finalizar, gostaria de falar a respeito da nossa luta também pelo piso estadual.
Na verdade, é uma conquista e um outro empecilho que a gente tem, porque os empregadores ainda não entendem que isso é uma Lei, uma obrigação, assim também enfraquece muito os Sindicatos e as negociações, porque os empregadores não aceitam e não concordam  com os valores do piso estadual.

Por isso, a grande e urgente importância de estarmos juntos com a Nova Central, também é a defesa do piso estadual. Ela sempre esteve junto conosco convocando reuniões para estarmos presentes, para discutirmos em comissões, e sempre tivemos um espaço com a Central. Então, é importante nós estarmos juntos, aglutinados, para que tenhamos mais forças frente às nossas necessidades e aos nossos objetivos, enquanto classe trabalhadora gaúcha.

Fonte: NCST/RS
A Construção de uma NOVA CENTRAL SINDICAL DE TRABALHADORES – NCST foi forjada na unidade, coragem e ousadia, capaz de propor uma alternativa de luta para os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil. A NOVA CENTRAL SINDICAL DE TRABALHADORES marca um momento importante na história do Movimento Sindical Brasileiro, ela é a esperança transformada em realidade que se constitui como instrumento de luta e de unidade da classe trabalhadora do nosso País.

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