
Já são mais de 2 mil ações contra o McDonald’s nos últimos cinco anos registrados no Ministério do Trabalho. Só entre 2013 e 2015 foram 717 ações, de acordo com uma série de novos documentos entregues por sindicatos à Justiça do Trabalho de Brasília.
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Para tratar deste assunto a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Turismo e Hospitalidade (Contratuh) e o Sindicato dos Trabalhadores em Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de São Paulo (Sinthoresp) estiveram em audiência nesta semana (8/6), no Fórum Trabalhista de Brasília, e entregaram novos documentos que apresentam evidências de desrespeito aos direitos trabalhistas pelos restaurantes McDonald’s. Ao todo, o laudo, que soma 126 páginas, reúne 2.235 autos de infração registrados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) contra a empresa entre 2000 e 2015.

O juiz da 22ª Vara de Brasília, Rogério Neiva Pinheiro após receber os novos documentos adiou a audiência para novembro, para que haja tempo suficiente de apreciar as denúncias. O pedido foi entregue durante a primeira audiência para o julgamento da ação civil pública, protocolada em 23 de fevereiro, que acusa a franqueada do McDonald’s no Brasil, a empresa Arcos Dourados Comércio de Alimentos Ltda de dumping social. A prática ilegal se caracteriza quando a empresa não paga direito os trabalhadores para economizar e competir em condições desiguais no mercado; relatou o diretor de Relações Públicas e Organização da Nova Central de São Paulo, Isaac Neco que acompanhou a audiência em frente ao Fórum juntamente com os trabalhadores da rede McDonald’s de várias regiões do Distrito Federal. “Não vamos aceitar que o McDonald’s continue lucrando com a exploração dos nossos jovens, reduzindo salários e os colocando em situação análoga a escravidão, fazendo assim o que é proibido por lei aqui no Brasil”, Lembrou o diretor da NCST.

Foram identificadas também irregularidades trabalhistas segundo Lucas Cruz de 19 anos, Renata Mendes de 25 anos e Caio Cesar de 23 anos - todos funcionários da empresa McDonald’s – que relataram sofre com a jornada móvel, o acúmulo de funções sem a devida remuneração, insalubridade, alta rotatividade e trabalhadores menores de 18 anos exercendo funções proibidas para esta faixa etária, como trabalhos nas chapas e na câmara fria das lojas.
Em Curitiba, por exemplo, uma inspeção da Justiça do Trabalho constatou que todos os empregados de um dos restaurantes, exceto os aprendizes, operavam chapas e fritadeiras. Durante a inspeção, um trabalhador de 17 anos relatou ter sofrido queimadura e, ao comunicar o acidente para a empresa, recebeu um medicamento e teve de continuar trabalhando.

A ação civil deu início à campanha #SemDireitosNãoéLegal, que reúne centrais, federações e sindicatos. Participaram da reivindicação a Nova Central, a Federação dos Empregados em Turismo e Hospitalidade do Paraná (Fethepar), Federação Interestadual dos Trabalhadores Hoteleiros de São Paulo e Mato Grosso do Sul (Fetrhotel), o Sindicato dos Motociclistas Profissionais do Distrito Federal, na presença do presidente Reivaldo Alves e do companheiro Luiz Carlos entre outros.
O McDonald's é hoje um dos maiores empregadores do Brasil, somando 50 mil funcionários em suas 850 lojas e 84 cafés. Só no estado de São Paulo, a multinacional emprega 30 mil pessoas. No mundo, são 440 mil trabalhadores.
Fonte: Rede Brasil Atual com adaptação Nova Central