Dirigentes avaliam mudanças após reconhecimento das centrais
Data de publicação: 8 Abr 2014
O presidente da Nova Central Sindical de Trabalhadores, José Calixto Ramos, ressaltou que a Lei 11.648/08 conferiu reconhecimento jurídico das centrais sindicais, porém, restringiu o diálogo com as entidades do sistema confederativo.A observação foi feita durante painel do II Congresso Internacional de Direito Sindical, quando dirigentes das centrais sindicais avaliaram os sete anos da Lei 11.648/08. Dirigentes da Nova Central e da CSPB participaram do evento, realizado de 2 a 4 de abril, em Fortaleza (CE).
“Ao invés de ampliar o diálogo com os trabalhadores, houve uma tentativa de substituição, em razão do desprezo ao sistema confederativo, confirmado pela Constituição. Embora o movimento sindical tenha ganhado com o reconhecimento das centrais num sentido macro, no critério da especificidade não houve o ganho que se esperava. Houve, ao contrário, uma certa fragilidade”, avaliou o presidente da Nova Central.
José Calixto iniciou sua fala com vários questionamentos acerca das falas dos dirigentes que o antecederam no debate sobre liberdade sindical, contribuição e interferência do Ministério Público do Trabalho. “Que tipo de liberdade querem nos oferecer quando o MP quer proibir cláusulas dos estatutos das entidades? Quando obrigam os dirigentes sindicais a assinarem TACs envolvendo todos os trabalhadores e tratando a todos como marginais? Que tipo de liberdade querem nos oferecer quando o Tribunal Superior do Trabalho impõe o Enunciado 74 e o Precedente Normativo 119? Quando o Congresso aprova a Emenda 45 pela qual para impetrar dissídio tem de ter o de acordo do patrão?”
Ele destacou o papel das centrais como fundamental para consolidar a convergência e a união do movimento sindical em torno da unidade de ação. “A unidade de ação se mostra necessária na medida em que reúne forças organicamente dispersas no sentido de agregar a sua coletividade representada para promover a atuação em bloco perante os poderes, fixando diretrizes socioeconômicas de grande envergadura para a nação, com vistas ao pacto social”, destacou José Calixto.
O presidente da Nova Central alertou que a lei trouxe uma série de requisitos, inclusive o índice de representatividade, e que, em busca da representatividade, as entidades estão se esquecendo de buscar a unidade de ação. “É necessário desmistificar que esse atrelamento trouxe algum avanço em prol dos trabalhadores e do movimento sindical. Pelo contrário, trouxe um aspecto de individualidade entre as entidades sindicais, onde cada uma busca alcançar o maior índice e muitas vezes se esquecendo do que é mais importante, a unidade de ação”.Para o presidente da Força Sindical, Miguel Torres, o reconhecimento das centrais foi o mais importante instrumento para a democracia nas relações de trabalho desde a Constituição de 88. Ele também criticou a “interferência ilegal e abusiva do Judiciário, ao arrepio dos estatutos das entidades”, citando a anulação de cláusulas referentes às contribuições assistencial e confederativa e pediu a revogação do Precedente Normativo 119. Ele ressaltou as ações e bandeiras unitárias, citando a pauta e as conquistas por meio das marchas das centrais, como a política de reajuste do salário mínimo.
O representante da UGT, Canindé Pegado, lembrou que antes da lei as centrais eram consideradas entidades da sociedade civil, embora reconhecidas pelos governos na interlocução com os trabalhadores. “A lei é benéfica para a democratização da organização sindical, deu critérios objetivos para a representação de fato e de direito”. Segundo ele, não se mede uma central pela quantidade de sindicatos, mas dos trabalhadores a ela filiados, ressaltando que o conjunto das centrais tem oito milhões de filiados.
“O reconhecimento veio para que tenhamos caráter sindical na defesa da sociedade e do sistema democrático nas relações de trabalho”, analisou a dirigente da CUT, Maria das Graças Costa. Segundo ela, a lei também trouxe pontos negativos, como a migração entre as centrais e o forte desmembramento das entidades sindicais. Citou como ponto positivo a pauta unificada e defendeu a não interferência da Justiça do Trabalho na organização sindical.
Carlos Rogério Nunes, dirigente da CTB, fez um resumo da história da organização sindical no país e destacou o papel das centrais para a luta de classe e, a partir daí, para a luta política. “A CTB luta para resgatar os princípios classistas da autonomia e da democracia nas entidades”.
O dirigente da CSP Conlutas, Atinágora Lopes, avaliou que, junto com o reconhecimento das centrais se aprofundaram as mazelas da organização sindical. “Os objetivos foram os de sempre, incorporar as entidades ao controle do Estado. Não é o Estado que deve estabelecer regras”.
Geralda Fernandes
Foto: André Lima





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