Vincular a vacina contra a covid à aids ‘assusta até mesmo a base bolsonarista’

Data de publicação: 26 Out 2021


Segundo o cientista político Wagner Romão, “espiral de insanidade” do presidente, após perda de parte do apoio do mercado financeiro, pode acarretar prejuízos até diante de seus apoiadores mais radicais

 
Em live, Bolsonaro disse que vacinados contra a covid-19 estão desenvolvendo aids - Foto: Isac Nóbrega/PR


por Tiago Pereira
edição de Helder Lima



O presidente Jair Bolsonaro teve sua live da última quinta-feira retirada do Facebook e do Instagram na noite desse domingo (24). Na transmissão, ele disse que “vacinados (contra a covid) estão desenvolvendo a síndrome da imunodeficiência adquirida (aids)” com base em uma notícia falsa. De acordo com professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Wagner Romão, Bolsonaro volta a estimular seus seguidores mais radicais, após perder parte do apoio do mercado financeiro, mas com essa declaração pode também provocar prejuízos na base bolsonarista.

Na semana passada, quatro secretários do ministro da Economia, Paulo Guedes, pediram demissão como reação à proposta de furar o teto de gastos para implementar o Auxílio Brasil, substituto do Bolsa Família. Premido entre os interesses do mercado financeiro e a necessidade de socorrer as milhões de famílias que passam fome, Bolsonaro volta a apostar no discurso antivacina.

Trata-se de uma “espiral de loucura”, segundo Romão, que pode se voltar contra o próprio presidente. Na ocasião, ele disse temer que sua live fosse derrubada devido à declaração. Nesse sentido, também foi um sinal a seus apoiadores radicais que reclamam de “censura” imposta a figuras como o blogueiro Allan dos Santos.

“Vincular vacina com aids é algo que assusta até mesmo alguns componentes da base bolsonarista”, disse Romão, em entrevista a Glauco Faria, para o Jornal Brasil Atual, nesta segunda-feira (25). “Espero que mesmo pessoas ainda muito fieis ao bolsanarismo possam ser sensibilizadas para a loucura desse tipo de declaração, que é absolutamente inconcebível”, acrescentou.


Cassação no TSE


Nesta semana, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também começa a julgar duas ações contra a chapa Jair Bolsonaro-Hamilton Mourão. Eles são acusados pelo uso indevido de meios de comunicação e abuso de poder econômico, em esquema de disparos em massa de fake news, nas eleições de 2018. Romão não vê “clima” para uma eventual cassação. Mas espera que o TSE utilize o julgamento para estabelecer normas e critérios de combate às fake news nas próximas eleições.


Moro no Podemos


Circulou ainda a informação de que o ex-ministro Sergio Moro deve anunciar sua filiação ao Podemos nas próximas semanas. Nesse sentido, Romão não acredita que o ex-juiz da Lava Jato seja candidato à Presidência da República, sugerindo que ele deve apostar numa candidatura ao Senado pelo Paraná. Ainda assim, ele acredita que o lavajatismo, apoiado no discurso “cego” do combate à corrupção, ainda deve ter sobrevida na cena política.


Assista à entrevista:







Fonte: Rede Brasil Atual - RBA
 


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