Como o trabalho informal multiplicou os casos e as mortes por Covid-19

Data de publicao: 13 Out 2020



Cidades brasileiras mais afetadas pela pandemia do novo coronavírus são aquelas com maior quantidade de trabalhadores informais







A crescente precarização do trabalho foi uma das causas da explosão do número de casos e de mortes por Covid-19 no Brasil. É o que aponta um estudo feito em parceria pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e pelo IRD (Instituto Francês de Pesquisa e Desenvolvimento), com base em indicadores socioeconômicos de todos os 5.570 municípios do País.

Conforme o levantamento, as cidades brasileiras mais afetadas pela pandemia do novo coronavírus são aquelas com maior quantidade de trabalhadores informais. Para cada dez pontos percentuais a amis de pessoas empregadas sem registro na população, a taxa de contágio aumenta em 29%, enquanto a taxa de mortalidade pela doença cresce, em média, 38%. O estudo indica, assim, que, para cada 1 milhão de habitantes, são registrados, em média, um adicional de 3.130 infectados e 88 mortes.

“Os municípios onde os trabalhadores informais são mais numerosos também são os mais afetados, para além do efeito amplificador das taxas de pobreza mais elevadas”, afirma o texto da pesquisa. “Podemos supor que a falta de seguridade social e a necessidade de se deslocar no exercício de seu trabalho contribuem para essa especificidade daqueles que estão na informalidade.”

Em Florianópolis (SC) – onde 23% dos trabalhadores são informais –, havia 938 contaminados e 15 mortes para cada 100 mil habitantes. O município, com pouco mais de 500 mil habitantes, tinha 4.697 casos em 11 de agosto.

Já Boa Vista (RR), com 41% dos trabalhadores na informalidade, registrava na mesma data 6.847 infectados e 108 óbitos por 100 mil habitantes. A população da cidade é de 399,2 mil habitantes.

A correlação entre trabalho informal e avanço do coronavírus também ocorre em outras capitais. Curitiba (1,9 milhão de habitantes e 25% de informais) tinha 20.629 casos em 11 de agosto, com 678 mortes (o equivalente a 35 pessoas a cada grupo de 100 mil habitantes). Já Fortaleza (2,7 milhões de habitantes e 36% de informais) tinha na mesma data tinha 44.009 casos e 3.742 mortes (ou 140 por 100 mil habitantes).

“O trabalhador informal, além de ter uma renda menor, fica mais exposto aos riscos da Covid-19”, diz o pesquisador François Roubaud, um dos autores do estudo. “A natureza da atividade exige contato com o público, locomoção constante e, não raro, convívio com áreas que têm condições sanitárias piores.”

Segundo o estudo da UFRJ, o indicador de pobreza – medido pela taxa de beneficiários do auxílio emergencial – também foi considerado como um fator de risco. Um aumento de dez pontos percentuais no total de pobres em cada cidade leva ao aumento nos óbitos em 73% – ou 167 a mais por milhão de habitante. O total de casos tem um acréscimo de 52% (ou 5.667 novos contaminados).

O auxílio emergencial de R$ 600 teve um efeito mitigador duplo: reduziu tanto os riscos associados à informalidade no trabalho (ao evitar que a pessoa saia de casa) quanto o impacto da pobreza (ao elevar a renda de muitas famílias). Cruzando-se os dados, a constatação é que o número de mortes seria menor nos lugares onde a população informal tivesse conseguido mais apoio governamental.




Fonte: Portal Vermelho com informações da Folha de S.Paulo

 


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