Cerca de 13% da população mundial já comprou 51% das vacinas contra Covid-19

Data de publicação: 21 Set 2020



Ao mesmo tempo, países que servem de esteio para testes não têm nenhuma garantia de que receberão as primeiras doses


 
Majoritariamente, o desenvolvimento está nas mãos de grandes conglomerados farmacêuticos da chamada “big pharma”
Handout / Russian Direct Investment Fund / AFP


Mesmo antes de existir uma vacina contra a covid-19, os países mais ricos do mundo, que têm apenas 13% da população mundial, já compraram 51% das vacinas em desenvolvimento. Enquanto isso, os países que servem de palco para testes de empresas de todo o mundo, como o Brasil, não têm a garantia de que receberão as primeiras doses da vacina. O dado é um alerta feito pela organização não governamental Oxfam Brasil

Segundo a organização, as cinco empresas que estão com o processo de desenvolvimento de vacina mais avançado, AstraZeneca, Sputnik, Moderna, Pfizer e Sinovac, não têm capacidade de fabricar o produto em quantidade suficiente para todo o mundo. Somente em 2022, cerca de dois terços da população deverá ter acesso às vacinas. 

“Esse cenário revela um sistema que protege os monopólios e os lucros das grandes empresas farmacêuticas e favorece as nações mais ricas”, conforme explica o relatório da Oxfam Brasil. Somente a empresa Moderna tem capacidade para atender 475 milhões de pessoas, ou seja, 6% da população global. A farmacêutica já vendeu vacinas entre preços que variam entre US$ 12 a US$ 16 a dose nos Estados Unidos e cerca de US$ 35 para outros países - cerca de R$ 65, R$ 86 e R$ 189, respectivamente. 


E para o Brasil?


O grupo farmacêutico sueco-britânico AstraZeneza é a empresa que está com os estudos mais avançados para produzir a vacina, em parceria com a Universidade de Oxford, do Reino Unido, e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Nesta tentativa, os brasileiros são as cobaias para os testes.

O mesmo ocorre com a CoronaVac, vacina chinesa para a covid-19, que chegou ao Brasil do laboratório chinês Sinovac Biotech para a realização de testes por três meses, em parceria com o Instituto Butantan. No Paraná, um representante do governo estadual, o chefe da Casa Civil, Guto Silva, e o embaixador da Rússia no Brasil, Sergey Akopov, se reuniram para uma possível parceria. Na ocasião, o estado brasileiro ofereceu a estrutura do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) para a produção. 

“Tivemos a aprovação do embaixador e agora os protocolos do acordo serão preparados pelas equipes do Paraná e da Rússia. Em seguida será agendada uma reunião dele com o governador Carlos Massa Ratinho Junior para a finalização dessa parceria, que pode incluir, ainda, a produção de medicamentos para a doença”, informou o chefe da Casa Civil, em nota da assessoria do governo.

Isso não representa, no entanto, garantia de que o Brasil seja contemplado com as doses iniciais. Majoritariamente, o desenvolvimento está nas mãos de grandes conglomerados farmacêuticos da chamada “big pharma”, geridos por investidores orientados por lucros e financiados por governos de países ricos. Há chance, portanto, de que o Brasil fique de lado se a vacina for descoberta em países com a economia dominante.

“Mesmo que haja transferência de tecnologia, como esses contratos estão prevendo, como é que fica a nossa capacidade de produção? Por trás desses grandes conglomerados que estão se formando para distribuição de vacina, com essa fachada de ação humanitária, tem sempre aquele aspecto da recolonização, de grandes empresas que no final vão sair lucrando como grandes multinacionais de vacinas”, afirma Ana Prestes, cientista política e analista internacional.

Mesmo antes de existir uma vacina contra a covid-19, os países mais ricos do mundo, que têm apenas 13% da população mundial, já compraram 51% das vacinas em desenvolvimento. Enquanto isso, os países que servem de palco para testes de empresas de todo o mundo, como o Brasil, não têm a garantia de que receberão as primeiras doses da vacina. O dado é um alerta feito pela organização não governamental Oxfam Brasil.

Segundo a organização, as cinco empresas que estão com o processo de desenvolvimento de vacina mais avançado, AstraZeneca, Sputnik, Moderna, Pfizer e Sinovac, não têm capacidade de fabricar o produto em quantidade suficiente para todo o mundo. Somente em 2022, cerca de dois terços da população deverá ter acesso às vacinas. 

“Esse cenário revela um sistema que protege os monopólios e os lucros das grandes empresas farmacêuticas e favorece as nações mais ricas”, conforme explica o relatório da Oxfam Brasil. Somente a empresa Moderna tem capacidade para atender 475 milhões de pessoas, ou seja, 6% da população global. A farmacêutica já vendeu vacinas entre preços que variam entre US$ 12 a US$ 16 a dose nos Estados Unidos e cerca de US$ 35 para outros países - cerca de R$ 65, R$ 86 e R$ 189, respectivamente. 


E para o Brasil?


O grupo farmacêutico sueco-britânico AstraZeneza é a empresa que está com os estudos mais avançados para produzir a vacina, em parceria com a Universidade de Oxford, do Reino Unido, e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Nesta tentativa, os brasileiros são as cobaias para os testes.

O mesmo ocorre com a CoronaVac, vacina chinesa para a covid-19, que chegou ao Brasil do laboratório chinês Sinovac Biotech para a realização de testes por três meses, em parceria com o Instituto Butantan. No Paraná, um representante do governo estadual, o chefe da Casa Civil, Guto Silva, e o embaixador da Rússia no Brasil, Sergey Akopov, se reuniram para uma possível parceria. Na ocasião, o estado brasileiro ofereceu a estrutura do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) para a produção. 

“Tivemos a aprovação do embaixador e agora os protocolos do acordo serão preparados pelas equipes do Paraná e da Rússia. Em seguida será agendada uma reunião dele com o governador Carlos Massa Ratinho Junior para a finalização dessa parceria, que pode incluir, ainda, a produção de medicamentos para a doença”, informou o chefe da Casa Civil, em nota da assessoria do governo.

Isso não representa, no entanto, garantia de que o Brasil seja contemplado com as doses iniciais. Majoritariamente, o desenvolvimento está nas mãos de grandes conglomerados farmacêuticos da chamada “big pharma”, geridos por investidores orientados por lucros e financiados por governos de países ricos. Há chance, portanto, de que o Brasil fique de lado se a vacina for descoberta em países com a economia dominante.

“Mesmo que haja transferência de tecnologia, como esses contratos estão prevendo, como é que fica a nossa capacidade de produção? Por trás desses grandes conglomerados que estão se formando para distribuição de vacina, com essa fachada de ação humanitária, tem sempre aquele aspecto da recolonização, de grandes empresas que no final vão sair lucrando como grandes multinacionais de vacinas”, afirma Ana Prestes, cientista política e analista internacional.

Diante desse cenário, Kátia Maia, diretora executiva da Oxfam Brasil, afirma ser inaceitável a produção de vacina estar atrelada ao “objetivo de lucrar”. Para ela, “tragédias como a que o mundo está vivendo hoje e que está afetando, de forma brutal, milhões de pessoas colocam o objetivo de lucrar em um lugar, para dizer o mínimo, inaceitável. A vacina para esse coronavírus deve estar disponível para todas as pessoas do planeta. Isso é uma questão de humanidade”.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), há a expectativa que centenas de milhões de doses de uma vacina contra a covid-19 possam ser produzidas neste ano e dois bilhões de doses até o final de 2021. A prioridade seria dada a profissionais da linha de frente, como médicos, pessoas vulneráveis por causa da idade ou outra doença e a quem trabalha ou mora em locais de alta transmissão, como prisões e casas de repouso.




Fonte: Brasil de Fato 


 


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