Sem controle da pandemia, volta às aulas é debate ‘prematuro’, diz Dieese

Data de publicação: 29 Jul 2020



Além das restrições materiais para implementar os protocolos de segurança, risco no deslocamento de alunos, pais e professores também preocupa


 

Um dos desafios é manter o distanciamento e o uso de máscaras entre as crianças menores


O Dieese lançou na semana passada nota técnica em que avalia os riscos e desafios da volta às aulas presenciais. Além da falta de infraestrutura nas escolas da rede pública, o documento aponta os riscos representados pelo deslocamento de alunos, pais e professores. Há também a sobrecarga para os profissionais de educação, que teriam ainda a incumbência de fiscalizar o cumprimento das medidas de segurança.

Segundo o técnico Thiago Soares, da subseção do Dieese no Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), é precipitado falar em retorno às aulas presenciais, sem que a curva de números de casos de covid-19 tenha decrescido. “É muito prematuro, com a possibilidade do aumento do risco do contágio e de mortos. A volta às aulas envolve mais movimentação de pessoas nas ruas, nos transportes públicos. Aumenta o risco, não apenas em relação aos alunos, mas também para os pais e professores. É um debate fora de lugar, dada a situação da pandemia”, afirmou, em entrevista a Glauco Faria no Jornal Brasil Atual, nesta terça-feira (28).

Além disso, de acordo com o estudo do Dieese, parte da pressão pela volta às aulas se deve às escolas privadas, atingidas pela alta da inadimplência, pelos pedidos de descontos feitos pelos pais nas mensalidades, acarretando perdas em suas receitas.

Em vez da volta precipitada, segundo Thiago, a discussão deveria ser como criar as condições para garantir aos alunos da rede pública o acesso ao ensino a distância.


Infraestrutura


O Conselho Nacional de Secretários da Educação (Consed) elaborou, em conjunto com as secretarias de alguns estados e outras instituições, um protocolo para o retorno às aulas. As diretrizes a serem seguidas pelas escolas, públicas e privadas, incluem número reduzido de alunos por sala, com cancelamento de atividades em grupos. A disponibilidade de máscaras individuais para alunos e professores. E, ainda, a instalação de “estações de higiene”, com a adequação de sanitários e tapetes com solução higienizadora, entre outras medidas.

A adequação a esse protocolo é um obstáculo, portanto, para as redes públicas de ensino. “É desafio para muitas escolas que hoje têm estruturas combalidas. Desafio de investimentos que, até hoje, tem ficado muito aquém do necessário. Muitas escolas não vão conseguir adotar todos esses protocolos. A gente está falando de recursos”, afirmou Soares.


Estafa


Por outro lado, além do risco das escolas se tornarem um vetor de transmissão da doença, Soares também destacou o impacto “emocional e psicológico” para as professores e demais profissionais da educação. “Para as escolas de ensino infantil, por exemplo, manter as crianças utilizando as máscaras é um desafio muito grande. Além do impacto para os profissionais, que vão ter que arcar com mais essa função, que é sanitária, e não educacional. Estamos falando não apenas do risco de contaminação, mas também de possíveis estafas, com esgotamento emocional e psicológico.”


Assista à entrevista:








Fonte: Rede Brasil Atual - RBA 

 


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