Secretário de Bolsonaro tenta evitar asfixia financeira da indústria de fake news

Data de publicação: 22 Maio 2020



PGR é cobrada a investigar Fabio Wajngarten por querer manter verba estatal em sites acusados de mentir




Foto: Marcelo Camargo / ABR



por André Barrocal



O secretário de Comunicação Social da Presidência, Fabio Wajngarten, está convocado pela CPI das das Fake News desde outubro. O vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente, é outro que alguns membros da comissão gostariam de chamar. Se faltavam motivos para marcar o depoimento de Wajngarten e convocar Carlos, não faltam mais. O motivo é a chegada ao Brasil de uma tentativa de sufocar pelo bolso quem dissemina mentiras na web, um tiro nas milícias digitais bolsonaristas. A iniciativa surgiu nos Estados Unidos e é levada adiante através de uma conta no Twitter chamada Sleeping Giants, que acaba de ganhar uma versão brasileira.

Os responsáveis caçam anúncios de empresas em sites que propagam notícias falsas. Depois, espalham na web a ligação do anunciante com os mentirosos, para constranger a empresa e ela cancelar o patrocínio. Tem dado certo nos EUA, a ponto de Steve Bannon, um dos cabeças da extrema-direita americana, ter dito que os Sleeping Giants “são o pior que há”.

Carlos Bolsonaro, um dos líderes das milícias digitais bolsonaristas, está uma fera. Os Sleeping Giants identificaram anúncios do Banco do Brasil no “Jornal da Cidade Online” e tascaram que a instituição estatal “não precisava” anunciar “em um site conhecido por espalhar fake news e que é contra o isolamento social”. O banco decidiu cancelar o anúncio. E Carlos chiou no Twitter: “o marketing do Banco do Brasil pisoteia em mídia alternativa”.

Wajngarten entendeu o recado. “Estamos cientes da importância do jornalismo independente. Nem toda a comunicação do que é público depende de nós, mas já estamos contornando a situação”, tuitou ele em 20 de maio, em conversa com um jornalista bolsonarista que também reclamou. No mesmo dia, o Banco do Brasil decidiu voltar atrás na suspensão do patrocínio.

Um senador (Alessandro Vieira, do Cidadania de Sergipe), dois deputados federais (Tábata Amaral, do PDT paulista, e Felipe Rigoni, do PSB capixaba) e um estadual (Renan Ferreirinha, do PSB carioca) pediram ao procurador-geral da República, Augusto Aras, que abra uma investigação por improbidade administrativa contra Wajngarten.

Órgão da Procuradoria Geral, a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão quer que sua unidade no Distrito Federal entre na Justiça com uma ação por improbidade contra Wajngarten. E mais: para impedi-lo “de selecionar anunciantes para veiculação de publicidade oficial em razão de afinidades ideológicas” e para obrigá-lo a divulgar na web os gastos publicitários do governo.

É fácil entender a reação governista aos Sleeping Giants. “O Bolsonaro é o protagonista das redes. As redes políticas no Brasil giram em torno dessa máquina de comunicação construída por ele”, diz Felipe Nunes, cientista político da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e sócio da Quaest, empresa de análise do mundo digital. “Acabar com a máquina de comunicação do Bolsonaro nas redes é acabar com ele.”

É por isso que o presidente forçou a barra para trocar o chefe da Polícia Federal (PF), interessado em inquéritos que correm no Supremo Tribunal Federal (STF), como aquele que mira a rede de mentiras na internet, conforme alegações do ex-ministro da Justiça Sergio Moro.

Por isso também que o deputado Eduardo, filho do ex-capitão, pediu uma liminar ao Supremo para acabar com a CPI, prorrogada em abril por mais 180 dias. O juiz Gilmar Mendes negou o pedido.
E é por isso que agora Wajngarten atiça membros da CPI a lutarem para marcar o seu depoimento, algo prejudicado pela pandemia de coronavírus, durante a qual não tem havido sessões da comissão.

O chefe da propaganda bolsonarista teve sua convocação proposta pelo deputado Rui Falcão, do PT paulista, com base em uma reportagem de Carta Capital de outubro de 2019. A reportagem apontou a possibilidade de Wajngarten ter participado de uma operação de financiamento de milícias digitais e fake news durante a eleição de 2018 através de um instituto filantrópico chamado Liberta.




Fonte: CartaCapital


 


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