Dieese: Pandemia pode ser oportunidade para a construção de um mundo novo

Data de publicação: 20 Maio 2020



Conjuntura econômica exige gasto público para manter a vida







Há pouco mais de um mês, quando foi divulgado o Boletim de Conjuntura 21, o Brasil registrava um total de 300 mortos pela Covid-19 e pouco mais de 7,9 mil casos confirmados. Agora, os casos confirmados passam de 165 mil e os mortos superam 14 mil pessoas, embora a subnotificação e a falta de testes permitam avaliar que a realidade pode ser mais trágica. Estimativas do Laboratório de Inteligência em Saúde da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo, indicam que os casos no Brasil já devem superar 2 milhões, 14 vezes mais do que apontam os números do Ministério da Saúde.

No último mês, o sistema de saúde de várias capitais, como Manaus, Belém, Fortaleza e  São Luís, entrou em colapso.. A pandemia espalhou-se por todo o país e interiorizou-se para as cidades médias e pequenas. Estados e vários municípios estão adotando medidas para reforçar o isolamento social e caminhando para o lockdown. Os infectados e os mortos nessa escalada da pandemia são, sobretudo, os pobres e moradores das periferias urbanas.

No Boletim de Conjuntura 21, foram traçados três cenários possíveis para o desempenho da economia brasileira ao longo desse ano. O cenário pessimista descrito ali agora passou a ser o mais provável: queda de 8,5% do PIB com aumento do volume de desocupados em 4,4 milhões, o que elevaria o total, no Brasil, para cerca de 17 milhões de trabalhadores desocupados ao final deste ano. Além disso, deverá aumentar o número de trabalhadores subocupados e, claro, ocorrer perda expressiva de renda.

As vítimas econômicas da Covid-19 também se multiplicam. Segundo estimativa da Instituição Fiscal Independente, órgão do Senado Federal, o número de beneficiários do auxílio emergencial para trabalhadores informais pode saltar dos atuais 50 milhões de pessoas para até 112 milhões, mais da metade da população brasileira, caso a crise se agrave ainda mais 1. A redução da renda já é uma percepção para algumas famílias, evidenciada em pesquisas como a encomendada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), que indicou que 23% dos entrevistados perderam totalmente a renda e outros 17%, parte dos rendimentos. Porém, os números efetivos dos efeitos da crise provocada pela pandemia virão com os dados da PnadC (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A pandemia, como foi alertado, além de aprofundar a crise que existia no país em direção a uma recessão econômica, tenderá a acentuar o abismo da desigualdade social. Dados do IBGE mostram que, em 2019, os 10% mais ricos se apropriavam sozinhos de 43% de toda a renda do país, alcançando o maior patamar histórico de concentração desde que a pesquisa começou a ser realizada. O crescimento da pobreza pode ser visto pelo número de pedidos para acesso ao Bolsa Família, que subiu 9,3% em abril deste ano em relação a março, superando 14 milhões de solicitações.

É importante registrar a dificuldade atual de conhecer os reais efeitos da recessão causada pelo coronavírus e a situação em que se encontram os trabalhadores, uma vez que as principais pesquisas oficiais sobre desemprego e renda enfrentam interrupções. O Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério da Economia), que registra informações mensais sobre contratações e desligamentos, foi suspenso em 30 de março. Os últimos dados divulgados são referentes a dezembro de 2019. Dados oficiais sobre o número de empregos preservados com o Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda têm sido divulgados durante a crise, mas de forma imprecisa e pouco transparente. O desinvestimento e a falta de apreço pela informação por parte do governo têm sido apontados como fatores que levaram à piora na qualidade de algumas estatísticas oficiais, mas a situação se tornou mais preocupante diante da instabilidade econômica, agravada pela pandemia. Sem dados confiáveis e completos, não é possível estimar o impacto da crise na ocupação e na renda, o que dificulta a formulação de políticas públicas de proteção ao emprego e de estímulo à economia...



Clique AQUI e a acesse a íntegra do Boletim de Conjuntura 22 do Dieese




Fonte: Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos - Dieese

 


A Construção de uma NOVA CENTRAL SINDICAL DE TRABALHADORES – NCST foi forjada na unidade, coragem e ousadia, capaz de propor uma alternativa de luta para os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil. A NOVA CENTRAL SINDICAL DE TRABALHADORES marca um momento importante na história do Movimento Sindical Brasileiro, ela é a esperança transformada em realidade que se constitui como instrumento de luta e de unidade da classe trabalhadora do nosso País.

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