Cepal rejeita políticas de ajuste e pede investimento social. Brasil caminha no sentido contrário

Data de publicação: 18 Dez 2019



De acordo com relatório da Comissão, região da América Latina e Caribe combina desaceleração generalizada e aumento da demanda social




'A região não suporta políticas de ajuste e precisa de políticas para estimular o crescimento e reduzir a desigualdade', diz a secretária-executiva da Cepal, Alicia Bárcena



Relatório da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) mostra um cenário de “desaceleração econômica generalizada” em países e setores, completando seis anos de baixo crescimento, combinado com crescentes demandas sociais e “pressões para reduzir a desigualdade e aumentar a inclusão social”. A projeção da entidade, vinculada às Nações Unidas, é de que este será mais um ano de desempenho ruim, com estimativa de crescimento médio de 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB), praticamente uma estagnação. Apenas na América do Sul, a previsão é de retração (-0,1%).

Para o próximo ano, a Cepal fala em crescimento médio de 1,3% em toda a região – 1,2% na América do Sul. “Em consequência, o período 2014-2020 seria o de menor crescimento para as economias da América Latina e do Caribe nas últimas sete décadas”, aponta.

As recomendações do organismo vão no sentido contrário do que fazem muitos países, inclusive o Brasil. “Diante desse cenário, a região não suporta políticas de ajuste e precisa de políticas para estimular o crescimento e reduzir a desigualdade”, afirma a secretária-executiva da Cepal, Alicia Bárcena. “As condições atuais necessitam que a política fiscal se centre na reativação do crescimento e em responder às crescentes demandas sociais.”

De acordo com a Comissão, o panorama macroeconômicos dos últimos anos mostra tendência de desaceleração da atividade econômica, com diminuição do PIB per capita, redução dos investimentos, queda do consumo, retração das exportações e uma expressiva deterioração da qualidade do emprego. O balanço preliminar pode ser visto aqui na íntegra, com versão em espanhol. O quadro é de desaceleração da demanda interna e externa e mercados financeiros internacionais mais frágeis.


Mais desemprego


Uma política fiscal ativa requer estratégia para se mostrar sustentável. “Isso implica que deve estar vinculada à capacidade de crescimento e à dinâmica da produtividade, junto com o fortalecimento da capacidade de arrecadação do Estado, melhorando a progressividade da estrutura tributária mediante o aumento dos impostos diretos e reduzindo a evasão fiscal, que representa por volta de 6,3% do PIB da região”, exemplifica a Cepal.

No informe, 23 dos 33 países da região mostram desaceleração do crescimento em 2019, enquanto 14 devem ter expansão de pelo menos 1%. No caso do Brasil, a previsão é de 1% neste ano e de 1,7% no próximo. De 2014 a 2019, o PIB per capita na região terá caído 4%, enquanto a taxa de desemprego subirá de 8%, em 2018, para 8,2% neste ano. Acréscimo de 1 milhão de pessoas, chegando ao nível recorde de 25,2 milhões de desempregados, “ao que se soma uma deterioração na qualidade de emprego pelo crescimento do trabalho por conta própria (que superou o emprego assalariado) e da informalidade”.

Apesar das limitações e dificuldades, a Comissão lembra que a maioria dos países tem hoje inflação em níveis historicamente baixos e reservas internacionais relativamente elevadas, além de acesso aos mercados financeiros, condições que favorecem a implementação de políticas macroeconômicas no sentido de reverter o cenário. Mas a conclusão da Cepal não encontra respaldo na atual gestão brasileira: “É fundamental reativar a atividade econômica mediante um maior gasto público em investimentos e políticas sociais. Para dar conta das demandas sociais, os esforços redistributivos de curto prazo devem ser complementados com aumento na oferta e qualidade de bens e serviços públicos.”




Fonte: Rede Brasil Atual - RBA
 


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