Mais caro o molho que o peixe – artigo sobre o emprego verde e amarelo

Data de publicação: 16 Dez 2019





por Artur Bueno Junior



O Governo Federal, mais uma vez, vende gato por lebre, tenta enganar a população com mais uma medida provisória que seria a salvação para os jovens desempregados: o programa Verde e Amarelo. Porém, recentemente a imprensa teve acesso a um estudo interno da Secretaria de Política Econômica (SPE) do próprio Ministério da Economia que mostra que o custo mensal do programa Verde e Amarelo é mais alto que o próprio salário médio que seria recebido pelos trabalhadores beneficiados – ou seja: criar e manter esse programa é mais caro que todo o possível benefício econômico que o programa pudesse gerar. Como diz o antigo ditado: sai mais caro o molho que o peixe.
 
Esse é o mais puro exemplo da confusão, despreparo e falta de estratégia desse governo. Para parecer que estão querendo fazer algo de bom, metem os pés pelas mãos, criam programas que além de serem inócuos do ponto de vista social ainda são dispendiosos e sequer tocam nos principais problemas que pretendem resolver. O programa Verde e Amarelo pretende abrir espaço para que jovens ainda não qualificados ocupem o espaço de trabalhadores qualificados reduzindo os custos trabalhistas das empresas – ou seja: é um programa que aparentemente seria bom para os jovens desempregados e desqualificados e para as empresas, mas, na verdade, não é bom para ninguém. Não gera mais vagas, elas não existem. Pode desempregar o trabalhador já empregado com idade e salário maior, o que é prejudicial para todo, acarretando inclusive na perda de produtividade das empresas. E, em última instância, pode abrir essa vaga para alguém que se submeta a ganhar menos e não vai contribuir com o INSS, o empresário vai pagar menos impostos, é menos dinheiro para o Governo, já em dificuldades de manter os serviços públicos fundamentais – então a conta simplesmente não fecha positivamente.
 
De maldade em maldade, vão cometendo medidas como essa, que parecia desonerar diretamente o patrão para que ele abrisse mais cargos e vagas; mas os estudos apontam que isso deve ser a última coisa a acontecer – caso aconteça – e até lá o prejuízo geral terá sido enorme, muito maior do que os benefícios a posteriori.
 
Esse é o (des) governo da falácia. Estão sempre dizendo que essa ou aquela medida é importante, essencial, fundamental, para que o país decole, que a economia se estabilize, que os empregos apareçam, mas nada acontece e o abismo se aproxima. Faltam políticas corretas para enfrentar este grave problema; o que gera emprego é o crescimento econômico – tema que não tem recebido a devida atenção do Governo.



* Artur Bueno Junior é vice-presidente da CNTA – Confederação Nacional do Trabalhadores da Alimentação; presidente do Stial – Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Limeira e Região e presidente da USTL – União Sindical dos Trabalhadores de Limeira





Fonte: Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins de Limeira e Região - Stial, entidade filiada à NCST


 


A Construção de uma NOVA CENTRAL SINDICAL DE TRABALHADORES – NCST foi forjada na unidade, coragem e ousadia, capaz de propor uma alternativa de luta para os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil. A NOVA CENTRAL SINDICAL DE TRABALHADORES marca um momento importante na história do Movimento Sindical Brasileiro, ela é a esperança transformada em realidade que se constitui como instrumento de luta e de unidade da classe trabalhadora do nosso País.

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