Formação Sindical Continuada ajudará sindicatos enfrentar os ataques orquestrados pelos patrões!

Data de publicação: 3 Dez 2019





por Nailton Francisco de Souza



Com o falso argumento de combate a corrupção, os paladinos da moral e dos bons costumes foram patriciados e financiados pelos patrões, para manipular a opinião pública e retirar do cargo em 2016, uma presidenta legitimamente eleita com mais de 52 milhões de votos e substitui-la pelo vice Michel Temer (MDB) que prometeu cumprir a risca o plano de desmonte dos direitos sociais e trabalhistas.

Desde então o movimento sindical vive ameaçado e sob fogo cruzado diuturnamente de uma campanha difamatória de sua importância na sociedade e de enfraquecimento do seu papel na defesa dos interesses imediatos e históricos da classe trabalhadora. A narrativa em defesa da Reforma Trabalhista era a de que empregos seriam gerados e a economia sairia da crise e o país voltaria a crescer.

De fato o plano deles saiu exatamente como eles queriam e, esse cenário de ataques, colocou em pauta a necessidade de renovação do movimento sindical. Neste contexto a “Formação Sindical Continuada” deve ser prioridade e abordar outros temas, para compreender a história, a economia, a política, a sociedade, direitos sociais, meio ambientes, saúde, gênero, cultura, educação e o papel do movimento sindical na luta por uma sociedade mais justa e igualitária.

Além de urgente, se faz necessário formar e preparar os atuais e novos militantes e dirigentes para que possam refletir criticamente sobre o atual contexto social, político, econômico e ambiental, com vistas a promover a qualidade de vida, atualizar o conhecimento, politizar as lutas, socializar o debate e aprender coletivamente dentre outras demandas, são tarefas urgentes e inadiáveis no contexto conjuntural.

Enquanto as elites investem em destruir a imagem dos sindicatos, os dirigentes precisam estimular outra maneira de interpretar o papel das entidades sindicais. Ofereça cursos para a categoria, promova encontros e debates para falar sobre o que afeta os trabalhadores (as). Essa proximidade certamente vai surtir efeitos positivos para a seu sindicato.

Algumas estratégias são velhas conhecidas do movimento sindical, mas que, por vários motivos, deixaram de ser prioridade com o passar do tempo. Por outro lado, existem saídas mais ousadas e alinhadas à realidade do nosso tempo. Investir em formação política e sindical deve ser peça-chave para a conscientização dos trabalhadores (as).

Em uma realidade tão conturbada a formação sintonizada com comunicação fortalecerá o processo de conscientização e a politização. É preciso convencer a base de que lutar é melhor do que competir com o colega de trabalho, de que a mobilização é a arma mais eficaz que o trabalhador tem para preservar seus direitos, de que as garantias trabalhistas não são bondades dos patrões. Todo esse trabalho de persuasão está intimamente ligado à formação e comunicação.

Para realizar essa tarefa com eficácia, não bastam algumas palavras de ordem impressas nos panfletos em preto e branco. Em um mundo conectado, a comunicação, mais do que nunca, é um dos pilares de qualquer ação política. Por isso, são necessários conteúdos estrategicamente formulados, politicamente embasados e esteticamente envolventes. Além disso, é preciso dominar o maior número de ferramentas digitais disponíveis.

Quando essas ferramentas estão sob o comando de pessoas capacitadas, elas se transformam em verdadeiras armas de politização e conscientização. As classes dominantes utilizam diversas técnicas de comunicação para disseminar suas ideologias. Devemos utilizar os mesmos mecanismos – e desenvolver outros – que contribuam para a mobilização e tomada das decisões coletivas contra os abusos patronais.

A formação política e comunicação sindical andam juntas. E as entidades que tentam tratá-las separadamente acabam dando um tiro no pé, principalmente porque deixam de aproveitar o potencial que a comunicação oferece. Quando há um bom planejamento de comunicação, as atividades de formação sindical são mais eficazes. Uma cartilha informativa, um jornal atraente, redes sociais atualizadas e a produção de vídeos são apenas algumas das ferramentas que um sindicato pode usar para aprofundar a qualificação da diretoria e da base.

Antes de tudo é preciso que os responsáveis, nos vários sindicatos, tenham clareza desta disputa. Mesmo sem substituir o papel dos vários partidos de esquerda, cada sindicato pode apontar, em cada ação, cada jornal ou boletim uma perspectiva de confronto global de classe.  Para isto é preciso que a pauta dos boletins, jornais ou programas de rádio saia do umbigo. Ou melhor, que saiba combinar os interesses imediatos dos trabalhadores (as) com seus interesses históricos.

Combinar a negociação imposta pela empresa, sobre o horário, com a denúncia da flexibilização dos direitos. Ligar cada demissão com o combate a todo esse modelo econômico que gera milhões de desempregados. Denunciar esse modelo a ser derrubado nas ruas, nas praças, nas greves, e nas próximas eleições. Ou seja, não se restringir a uma pauta corporativa, limitada.

Portanto, é necessário ter uma preocupação obsessiva com a linguagem. Em geral a linguagem usada em boletins/jornais sindicais é uma linguagem incompreensível para o público ao qual se destina. O resultado a maioria são escritos numa linguagem absolutamente estranha para seus leitores. O mesmo vale para o discurso, feito num programa de rádio, num palanque ou num carro de som. E aí fica impossível fazer a disputa da hegemonia.

Não porque não haja ideias claras. Não porque não haja vontade, mas simplesmente porque a linguagem usada para se comunicar é estranha para quem à escuta ou lê. Só através de uma comunicação eficaz, atrativa e moderna teremos êxito na disputa de mentes e corações nos embates que ainda estão por vir. Uma coisa é certa, ou a comunicação sindical muda sua abordagem ou será uma velha TV, em preto e branco, que só serve como objeto decorativo ou de museu.







Algumas sugestões para sairmos da defensiva:



1) Investir em formação política -  A formação política, velha conhecida do movimento sindical, é peça-chave para a conscientização dos trabalhadores. Enquanto as elites investem em destruir a imagem dos sindicatos, os dirigentes precisam estimular outra maneira de interpretar o papel das entidades sindicais. Ofereça cursos para a categoria, promova encontros e debates para falar sobre o que afeta os trabalhadores. Essa proximidade certamente vai surtir efeitos positivos para a seu sindicato.

2) Ter representantes de base -  Muitos trabalhadores (as) perdem a identificação com o sindicato porque não têm proximidade com ele. Para enraizar a atuação da sua entidade, priorize a formação sindical de representantes de base. São eles os responsáveis por identificar os problemas enfrentados diariamente pela categoria. Eles se tornam porta-vozes do sindicato em cada local de trabalho. Esse contato direto potencializa a luta política.

3) Conquiste o apoio da sociedade -  As elites não conseguiriam aprovar a Reforma Trabalhista se não tivessem conduzido a opinião pública a uma espécie de ódio em relação aos sindicatos. Os poderosos utilizaram boatos e informações distorcidas como estratégias. Infelizmente muitas delas funcionaram. O movimento sindical precisa se apresentar novamente como um ator político legítimo e fundamental para a defesa dos direitos dos trabalhadores. Essa retomada só será possível com o apoio dos mais variados setores da sociedade. Campanhas são ótimas para isso.

4) Seja transparente -  Grande parte dos preconceitos que atingem os sindicatos tem a ver com a falta de transparência. Por isso, mantenha a honestidade e a clareza na relação com os trabalhadores (as). Preste esclarecimentos sobre a atuação sindical. Vale também publicar o balanço financeiro da entidade. Essa iniciativa simples é uma alavanca para a legitimidade da sua entidade.

5) Participe para valer das negociações -  Com o prevalecimento do negociado sobre o legislado em vários pontos da negociação coletiva, a atuação do sindicato se tornou ainda mais central para garantir a dignidade dos trabalhadores. Não são poucos os relatos de acordos e convenções catastróficas para diversas categorias. Por isso, reinventar o sindicato nesse cenário exige que os dirigentes atuem com persistência ainda maior na mobilização dos trabalhadores. Lembre-se de que quanto maior o apoio da categoria, mais força seu sindicato terá para fazer as negociações. Mas isso só irá acontecer se a sua categoria estiver sempre bem informada. A Reforma Trabalhista foi criada justamente para enfraquecer a sua relação com a categoria.

6) Promova atividades presenciais -  As atividades presenciais – as formais ou as de confraternização – são essenciais para reforçar a conexão com a categoria e o senso de coletividade entre os trabalhadores. Não subestime essa estratégia!

7) Tenha uma política de comunicação eficaz -  Um grave deslize cometido por grande parte dos sindicatos é ignorar a importância da comunicação para a luta política. Vivemos em um momento em que o sindicato que não aparece é como se não existisse. Por isso, a reinvenção dos sindicatos passa necessariamente pelo investimento em uma comunicação profissional, moderna e estratégica para a luta dos trabalhadores.

8) Priorize a agilidade da comunicação -  Essa dica é complementa o ponto anterior. Aqui, falamos de técnicas e ferramentas que ajudam o sindicato a chegar aos trabalhadores (as) com rapidez. Em um mundo conectado e ágil, tudo funciona em um ritmo acelerado. Por isso, é impossível falar da reinvenção dos sindicatos sem falar na agilidade e na qualidade da informação. Várias ferramentas podem ser utilizadas para fortalecer a conexão com a base: sites, e-mail de marketing, redes sociais, cartilhas, vídeos, informativos impressos.

Os elementos escolhidos dependem do perfil da categoria. Mas não adianta pegar essas ferramentas e começar a usá-las sem uma estratégia bem definida. A qualidade do que o sindicato produz é tão importante quanto à quantidade.




* Nailton Francisco de Souza "Porreta" é  Secretário Nacional de Comunicação da Nova Central Sindical de Trabalhadores - NCST  e Diretor Executivo do SindMotoristas – SP.




Fonte: Blog Profissão Transportes


 


A Construção de uma NOVA CENTRAL SINDICAL DE TRABALHADORES – NCST foi forjada na unidade, coragem e ousadia, capaz de propor uma alternativa de luta para os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil. A NOVA CENTRAL SINDICAL DE TRABALHADORES marca um momento importante na história do Movimento Sindical Brasileiro, ela é a esperança transformada em realidade que se constitui como instrumento de luta e de unidade da classe trabalhadora do nosso País.

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