Reformas pregam aposentadorias mais tarde, mas não planejam trabalho para idosos

Data de publicação: 2 Dez 2019



Os trabalhadores demitidos após os 55 anos têm chances mínimas de se reposicionar no mercado




Divisão das tarefas nas empresas deve considerar diferenças de idade dos funcionários, mas evitando criar nichos. Foto: C.Pxhere.com



O envelhecimento da população confronta os governos ocidentais a esticar os limites de idade mínima para a aposentadoria. Em geral, o estopim para a realização de reformas na Previdência é uma crise econômica, como no Brasil. Mas em que condições os idosos estão sendo levados a trabalhar por mais tempo? Na prática, como concretizar esse objetivo?

Do ponto de vista econômico, a mudança parece fundamental para encarar o aumento da longevidade sem aniquilar os cofres públicos. A França debate atualmente a elevação da idade mínima para se aposentar, que pode passar de 62 para 63 ou até 64,5 anos. No entanto, quais as alternativas de trabalho para quem perdeu o emprego aos 55 anos e precisa continuar a trabalhar por mais oito? As opções no mercado são adaptadas a um idoso, por mais elástica que essa definição seja hoje?

O médico especialista em envelhecimento Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil, indica que a preparação para o trabalho por mais tempo deve ser pensada ao longo de toda a carreira.

“Você precisa investir em lifelong learning, ou seja, que essas pessoas sejam atraentes para o mercado de trabalho. Eu não vejo isso acontecer, nem na Europa”, frisa Kalache, que por 13 anos foi diretor do programa Envelhecimento e Saúde da OMS (Organização Mundial da Saúde). “Nós continuamos com muito preconceito em relação ao idoso, como se ele não pudesse mais contribuir para a sociedade e não pudesse aprender novas habilidades.”


Metade das empresas não prevê nada para funcionários mais velhos


As estatísticas alertam há anos para o envelhecimento da população, em especial nos países desenvolvidos. Até 2050, 49 milhões de pessoas não estarão mais aptas a trabalhar na União Europeia, segundo a Fundação Robert Schumann. Ainda assim, um estudo da consultoria Deloitte, publicado em 2018, indicou que mais da metade de 11 mil empresas analisadas no mundo não havia qualquer plano para os funcionários com mais de 55 anos.

Na maioria dos casos, a idade avançada não é bem vista. Uma pesquisa realizada por Emmanuelle Prouet e Julien Rousselon, especialistas em antecipar as mudanças no mercado de trabalho do instituto France Stratégies, revelou que, ao lado do gênero, a idade é a principal razão de denúncias de assédio moral no mercado de trabalho.

“Devemos desconstruir alguns estereótipos. Uma pessoa mais velha não necessariamente fica mais exausta pelo trabalho do que um colega de 30 anos que acabou de ter filhos. E a experiência delas em geral os ajuda a ter mais resiliência diante de imprevistos”, pontua Rousselon. “Uma proporção significativa dos trabalhadores que se aposentam o mais tarde possível não o faz só por razões financeiras, mas sim porque têm qualidade de vida no trabalho. Há uma correlação direta entre a satisfação profissional dos idosos e a taxa de empregabilidade nesta faixa etária.”


Chances mínimas de contratação


Concretamente, os trabalhadores demitidos após os 55 anos têm chances mínimas de se reposicionar no mercado, principalmente os menos qualificados e as mulheres, aponta o Observatório Francês de Conjuntura Econômica (OFCE). Na França, apenas 29% dos idosos com mais de 60 anos conseguem permanecer na ativa – seja porque as condições de trabalho são insatisfatórias ou porque a saúde já não lhes permite exercer as funções.

O estudo de Prouet e Rousselon pesquisou maneiras de tornar o trabalho na terceira idade menos penoso para o empregado e mais atraente para o empregador. Qualificação periódica, flexibilidade nos horários, home office e a possibilidade de se aposentar sem parar de trabalhar são algumas das soluções – que em geral se apresentam como uma oportunidade de experimentar novos desafios, em áreas diferentes.

“O governo, pelo menos o francês, tomou consciência de que não é possível incitar as pessoas a trabalhar mais tempo apenas por uma simples reforma das regras de aposentadoria. É importante que se possa viabilizar que elas permaneçam mais tempo no seu emprego, afinal é bem mais difícil reposicionar alguém que saiu do mercado”, afirma Prouet. “Experiências concretas já mostraram que pode haver aumento da produtividade quando é adotada uma distribuição do trabalho adequada às idades e às competências, de forma a gerar uma sinergia na equipe."


Se adaptar para preservar a saúde


A saúde dos funcionários ao longo da carreira é um aspecto que costuma ser negligenciado nas empresas – uma falha que, mais tarde, vai gerar problemas para ambos os lados. Na Europa, os avanços mais marcantes têm sido vistos na indústria de automóveis. Fabricantes como a alemã Volkswagen instalaram estruturas que se assemelham a exoesqueletos para os trabalhadores nas fábricas, para evitar que as suas articulações sejam sobrecarregadas pelo peso e o esforço repetitivo.

Alexandre Kalache foi. Ele afirma que, em vez de olhar para a bomba relógio, o melhor é desativá-la e transformá-la em uma oportunidade. O especialista brasileiro relembra que a maior conquista do século 20 foi poder envelhecer com qualidade.

“Você tem que adaptar a sociedade, a fábrica, o emprego, o escritório, de forma que essas pessoas possam continuar produtivas – afinal, assim elas continuam pagando imposto e abrindo oportunidades de trabalho na base da pirâmide”, comenta Kalache.

Além disso, na ativa, a terceira idade continua a movimentar a economia.  “A cada três pessoas com mais de 60 anos que continuam no mercado de trabalho, uma vaga extra é aberta na base”, comenta o especialista brasileiro.

Na Europa, um trabalhador costuma ser qualificado como sênior a partir de 56 anos – mas, em 6% das empresas, esse limite chega a ser de 45 anos.




Fonte: CartaCapital

 


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