Vice-Presidente da NCST/DF participa de ação social de proteção às mulheres vítimas de violência

Data de publicação: 28 Ago 2019


Vera Lêda (de bolsa branca) é vice-presidente da NCST/DF e presidente do Conselho do Trabalho do Distrito federal



A vice-presidente da Nova Central Sindical de Trabalhadores do Distrito Federal e Entorno – NCST/DF, Vera Lêda Ferreira de Morais participou, nesta terça-feira (27/08), da cerimônia de entrega de peças como roupas intimas, vestidos, calças e camiseta confeccionadas pela Fábrica Social para doar a mulheres vítimas de violência. A líder sindical, que também é presidente do Conselho do Trabalho do Distrito Federal, lembrou que os alunos integrantes do projeto não só estão costurando roupas, mas “construindo um DF e construindo solidariedade”.


O projeto




Pretensão do GDF é que todas as delegacias recebam trajes para vítimas de violência | Foto: Joel Rodrigues / Agência Brasília



Quando uma mulher é agredida e precisa deixar as roupas como prova do crime na polícia, o mal-estar é grande. Se um parente ou amigo a estiver acompanhando, pode ir atrás de outra vestimenta para a troca. Mas se não tem com quem contar, a vítima ainda precisa passar o constrangimento de ficar enrolada em uma toalha ou lençol até que outra roupa seja providenciada.

Essa cena, comum nas delegacias do DF, agora vai mudar. Isto porque a Fábrica Social providenciou a confecção de peças como roupas intimas, vestidos, calças e camisetas para doar a essas mulheres vítimas de violência. A entrega dos trajes foi realizada em cerimônia nesta terça-feira (27) na sede da fábrica, na Estrutural, pela Secretaria de Trabalho em parceria com a Secretaria da Mulher. Centenas de roupas já foram colocadas à disposição de eventuais vítimas (leia mais abaixo).

“Fizemos uma força-tarefa com os alunos do curso de confecção e já produzimos 150 kits. Cada um com uma roupa, um top e uma calcinha”, explica a coordenadora pedagógica da Fábrica Social, Denise Machado. Ela conta que os modelos ofertados nas delegacias foram pensados com muito carinho e técnica adequada para que sejam confortáveis. “Fizemos tudo bem larguinho pensando em vestir uma mulher, que está numa situação de dor profunda, na alma e no corpo.”

São três modelos com cores variadas. O primeiro é uma camiseta tipo T-shirt com calça comprida; o segundo, regatas com cardigan e calça; e o terceiro, vestido reto. “Estamos fazendo todos em cores diversas para não estereotipar. Queremos acolher e não tornar tudo pior”, acrescenta Denise.

Na Fábrica Social, 50 alunas foram destacadas para a missão de confeccionar as roupas. “O assunto é sempre um tabu entre todos, difícil demais. Mas quando conversamos com as meninas, todas foram muito solidárias”, explica a professora de corte e costura Ediluce Amorim. “A ideia é que a gente inclua a confecção dessas roupas no processo formativo regular de todos os alunos”, completa.

Antônia Perreira Cavalcante, uma das alunas que está colaborando na confecção dos kits, está feliz em participar do projeto. “É gratificante a gente ver que está ajudando alguém a se levantar. Ser violentada é algo muito triste. A gente nem imagina o que aquela mulher está passando”, avalia.


Sensação de acolhimento


A ideia é que as centenas de “kits vestuários”, à medida que sejam confeccionados, sejam doados para a Secretaria de Segurança Pública e, em seguida, redistribuídos para delegacias do Distrito Federal. As peças serão disponibilizadas principalmente para as vítimas de violências física e sexual que buscam socorro nas delegacias da região. Em um segundo momento, o trabalho deve ser ampliado de forma que todas as delegacias recebam o material.

O inovador programa visa dar privacidade às mulheres vítimas de abuso e também ajudar na agilidade das investigações, uma vez que as roupas das vítimas são disponibilizadas para perícia técnica.

A delegada-chefe adjunta da Delegacia Especial de Atendimento a Mulher, Scheyla Cristina Costa Santos, descreveu a situação de vulnerabilidade das mulheres que chegam às delegas. “Muitas vezes chegam sujas, rasgadas e precisam dessas roupas para trocar as vestimentas que estavam usando”, relata a policial civil.




Produção dos trajes uniu Secretaria de Trabalho e Secretaria da Mulher | Foto: Joel Rodrigues / Agência Brasília



O subsecretário de Integração de Ações Sociais da Secretaria de Trabalho do DF, Gerson Vicente de Paula Júnior, agradeceu a todos os alunos que participaram da confecção dos kits e falou do significado do trabalho deles. “Vocês não têm ideia do quanto isso é importante para as mulheres que irão recebê-los. Sei que cada material desse foi feito com muito cuidado e carinho. A mulher que vai receber irá se sentir mais acolhida nesse momento difícil que está passando”, declarou.

O secretário também frisou que, dentro de um processo de qualificação profissional, os alunos da Fábrica Social estão experimentando uma oportunidade única de vivência profissional. “Isso me deixa muito feliz e alegre. Os alunos da Fábrica Social entrarão no mercado de trabalho de uma forma extremamente profissionalizada. Não tenho dúvida de que o setor produtivo irá absorver essa mão de obra”, destacou Gerson.

Já o secretário de Segurança Pública do DF, Anderson Torres, reforçou a importância do acolhimento paras mulheres nas delegacias. “Essa é uma iniciativa vitoriosa do governo. A hora em que uma mulher chega em delegacia de polícia vítima de violência é um momento que só quem já sofreu essa violência física ou quem está do outro lado do balcão recebendo essa pessoa sabe dizer o que ela está passando. A entrega desses kits representa um ato de carinho do Estado em fornecer o mínimo de dignidade para essa pessoa”, declarou.


Foco


A secretária da Mulher, Ericka Filippelli, ressaltou a necessidade de manter o foco e a defesa da integridade das mulheres. “Essa é nossa luta e missão e vamos seguir sempre em frente com muita união e coragem. Não vamos desanimar”, prometeu.

A secretária também destacou o trabalho por trás de tudo. “O mais importante é que esse kit foi feito por mãos de mulheres que estão saindo de uma situação de dificuldade e de vulnerabilidade, aprendendo uma profissão e podendo compreender que não só podem trabalhar, mas podem fazer com que o trabalho gere vida, transformação e valor social para outras mulheres. Isso que é um trabalho gratificante”, acrescentou Ericka.




“O mais importante é que esse kit foi feito por mãos de mulheres que estão saindo de uma situação de dificuldade e de vulnerabilidade”, destaca Ericka Filippelli | Foto: Renato Araújo / Agência Brasília



O secretário de Trabalho e Educação, João Pedro Ferraz, lembrou que a Fábrica Social é uma escola de cidadania, de parceria, de convivência e de um ofício. “Desde que assumi a Secretaria de Trabalho tenho voltado um olhar especial para a Fábrica Social. Gosto de estar aqui. É um projeto fantástico”, testemunhou.
Ele falou ainda do valor social da participação dos alunos. “Quando vocês estão fazendo uma peça dessa roupa não estão apenas construindo uma peça de vestuário, estão participando de um projeto social da maior importância”, concluiu.

No final da cerimônia, as peças que compõem os kits vestuários foram apresentadas em um desfile de alunas da Fábrica Social.



Clique AQUI e acesse a Galeria de Fotos da cerimônia





Fonte: Agência Brasília com adaptações da Imprensa NCST


 


A Construção de uma NOVA CENTRAL SINDICAL DE TRABALHADORES – NCST foi forjada na unidade, coragem e ousadia, capaz de propor uma alternativa de luta para os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil. A NOVA CENTRAL SINDICAL DE TRABALHADORES marca um momento importante na história do Movimento Sindical Brasileiro, ela é a esperança transformada em realidade que se constitui como instrumento de luta e de unidade da classe trabalhadora do nosso País.

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