Autonomia Econômica e Igualdade no Mundo do Trabalho

Data de publicação: 27 Out 2015


A socialização é distinta desde o começo. As brincadeiras já induzem mulheres e homens a assumirem papéis diferenciados na sociedade. Mulheres brincam de boneca e de casinha, já aprendendo pela brincadeira como realizar o trabalho doméstico e a assumir certos valores, como docilidade e atenção pelo outro. Os homens são estimulados à interação nos espaços públicos, como brincar na rua, correr, jogar futebol e internalizam, desde cedo, a masculinidade, a agressividade e a atenção a si mesmo.
 
Esses papéis não são apenas separados, mas são valorizados socialmente de forma diferente. O trabalho remunerado e as atividades na esfera pública são mais valorizados que os cuidados e afazeres domésticos realizados na casa. Essa é a base para a divisão sexual do trabalho, em que as atividades produtivas e realizadas na esfera pública são compreendidas como masculinas e o trabalho de reprodução social, realizado especialmente na esfera doméstica, é realizado pelas mulheres, de modo invisível e desprestigiado.
 
O fato das mulheres terem consolidado sua participação no mercado de trabalho não significa dizer que elas não trabalhavam de forma remunerada antes. Como exemplo, podemos citar as mulheres negras que trabalham desde a escravidão e mesmo com a abolição continuaram como empregadas domésticas e cozinheiras, recebendo baixos salários. Atualmente, o mercado de trabalho tem participação crescente de mulheres em sua multiplicidade raça / etnia, idade e classe social. 
 
Isso reflete o fato que o mercado de trabalho deixou de ser compreendido como um terreno proibido para as mulheres. Embora as barreiras formais tenham sido superadas, não significa que não existam barreiras invisíveis. As mulheres ainda enfrentam maiores taxas de desemprego que os homens: enquanto para eles o desemprego era de 4,7% em 2011, para elas era de 7,5% (dados da Pesquisa Mensal de Emprego, IBGE, 2011). Além disso, as mulheres seguem responsáveis pelo cuidado e pelos afazeres domésticos já que, dentro das famílias, os homens não assumiram essas tarefas de forma igualitária. 
 
A responsabilidade das mulheres pelas tarefas concretas de cuidar de outros, combinada aos valores associados à feminilidade, leva as mulheres a estarem em menor quantidade e em piores cargos do que os homens no mercado de trabalho. Menos disponíveis para a inserção nas ocupações remuneradas e com grande chance de terem a trajetória interrompida pela gravidez, elas também estão em ocupações de pior qualidade, mais precárias, mais informais, em jornadas flexíveis e parciais, resultando em uma diferença expressiva na remuneração entre mulheres e homens.
 
Essa diferença aumenta, inclusive, entre as mulheres, quando consideramos os fatores raciais, de classe, regional etc. Além disso, aquelas que estão inseridas no mercado de trabalho tendem a se concentrar em determinados nichos ocupacionais, de acordo com os estereótipos associados às profissões femininas e masculinas. As ocupações consideradas femininas costumam ser menos remuneradas que as masculinas.
 
O trabalho doméstico remunerado é o elo entre esses diferentes processos. Primeiro, porque é a maneira pela qual mulheres de classe média e alta transferem a execução dos trabalhos domésticos para outras mulheres, de forma relativamente barata, sem que os homens tenham que assumir tais trabalhos.
 
Segundo, porque é uma ocupação realizada majoritariamente por mulheres, sobretudo negras e empobrecidas, cujas condições de trabalho (piores remunerações, precariedade de garantia de proteção social e trabalhista) garantem que esse modelo seja economicamente viável para quem dele se utiliza. Sendo mal remunerado, tal trabalho não contribui para a superação da situação de pobreza dessas mulheres.
 
É necessário que, dentro das famílias, o cuidado e os afazeres domésticos sejam redistribuídos entre mulheres e homens, cuja mudança de mentalidade pode ser estimulada por ampliação da licença paternidade e criação de uma licença parental.
 
O Estado, igualmente, deve assumir a corresponsabilização pelo cuidado, através de equipamentos sociais que garantam tempo disponível para mulheres e homens dedicarem-se a outras atividades, como creches, cozinhas comunitárias, restaurantes comunitários, transporte escolar etc. E quem cuida deve ser valorizado/a, o que significa garantir direitos iguais às trabalhadoras domésticas, mas também valorizar e profissionalizar diversas personagens ligadas ao cuidado, como pedagogas, assistentes sociais, enfermeiras, cuidadoras e demais profissões.
 
A promoção da autonomia econômica das mulheres não considera somente a promoção da igualdade de oportunidades das mulheres, mas também a democratização e socialização dos trabalhos que são atribuídos às mulheres, para que elas tenham igualdade de condições dentro e fora de seus lares.
 


A Construção de uma NOVA CENTRAL SINDICAL DE TRABALHADORES – NCST foi forjada na unidade, coragem e ousadia, capaz de propor uma alternativa de luta para os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil. A NOVA CENTRAL SINDICAL DE TRABALHADORES marca um momento importante na história do Movimento Sindical Brasileiro, ela é a esperança transformada em realidade que se constitui como instrumento de luta e de unidade da classe trabalhadora do nosso País.

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