A disputa pela Presidência da República coloca o mundo do trabalho no centro do debate. Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), apontados como favoritos na corrida eleitoral, apresentam caminhos diferentes para questões que afetam diretamente milhões de brasileiros: jornada, remuneração, contratação e proteção social. Para os trabalhadores de turismo e hospitalidade, essas escolhas têm consequências sobre o descanso, a saúde e a segurança da renda.
Segundo levantamento do site JOTA sobre as propostas dos presidenciáveis, Lula defende o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal para 40 horas. A medida tem especial importância para empregados de hotéis, bares, restaurantes e outros serviços do setor, onde o trabalho aos domingos e feriados faz parte da rotina. Ampliar o descanso pode representar mais tempo para a família, recuperação física e qualificação profissional.
O programa do petista também prevê a manutenção da política de valorização do salário mínimo, o combate à pejotização e a garantia de direitos aos trabalhadores de plataformas digitais. Inclui propostas de regulamentação da negociação coletiva, enfrentamento do trabalho infantil e escravo e inclusão de pessoas com deficiência. No turismo e na hospitalidade, a proteção contra contratações que disfarçam relações de emprego interessa especialmente a quem enfrenta informalidade e insegurança profissional.
Flávio Bolsonaro concentra suas propostas no empreendedorismo, na capacitação e na flexibilização das relações de trabalho. Defende remuneração por hora e maior espaço para negociação das jornadas. Para trabalhadores de setores sujeitos a temporadas, eventos e oscilações de movimento, o ponto central é como esse modelo asseguraria renda mensal, descanso e previsibilidade dos horários.
O candidato do PL também propõe um Banco Nacional de Vagas, formação técnica para jovens e o programa “Escola Brasil por Elas”, com capacitação de mulheres em áreas como idiomas, finanças e tecnologia. Essas iniciativas podem dialogar com necessidades do turismo e da hospitalidade, mas seus resultados dependeriam do acesso aos cursos e da qualidade dos empregos oferecidos.
Entre os demais concorrentes citados pelo JOTA, Augusto Cury (Avante) apresenta propostas de igualdade salarial entre homens e mulheres, qualificação de mulheres em situação de vulnerabilidade e incentivos ao primeiro emprego. Também prevê um programa de saúde emocional do trabalhador, tema relevante para profissionais submetidos a pressão, atendimento intenso ao público e jornadas desgastantes.
Ronaldo Caiado (PSD) propõe estímulos ao emprego formal, transição de benefícios sociais para quem amplia a renda e ações de igualdade remuneratória. Também defende retomar dispositivos da reforma trabalhista considerados inconstitucionais pelo STF. Segundo a reportagem, após criticar a discussão sobre a escala 6×1, passou a manifestar apoio às mudanças.
Romeu Zema (Novo) defende flexibilizar limites de horas trabalhadas, reduzir encargos sobre a folha e ampliar a conexão entre cursos técnicos e vagas disponíveis. Propõe ainda novas condições para permanência em programas sociais. Já Renan Santos (Missão) se posiciona contra o fim da escala 6×1, defende pagamento por hora, outra reforma trabalhista e mudanças profundas na Justiça do Trabalho, além de substituir o Bolsa Família por frentes de trabalho.
Para quem trabalha no turismo e na hospitalidade, comparar os programas exige olhar além da promessa de gerar vagas. Salários, registro, descanso, saúde e acesso à defesa dos direitos determinam a qualidade dessas oportunidades. As propostas também dependem de aprovação legislativa, recursos e execução: a escolha dos deputados e senadores terá peso decisivo no futuro dessas medidas.
Fonte: Site Jota Pro, com reportagem de Amanda Ribeiro e Mirielle Carvalho. Arte IA. via CONTRATUH