Boletim de Conjuntura mostra crescimento do assalariamento e da formalização entre 2022 e 2026, mas destaca desafios para garantir empregos de qualidade
O mercado de trabalho brasileiro apresentou avanços nos últimos quatro anos, com crescimento do assalariamento, da formalização e da renda. Ao mesmo tempo, permanecem desafios relacionados à informalidade e à expansão de vínculos mais precários. É o que aponta o Boletim de Conjuntura nº 56 do DIEESE, divulgado em setembro de 2026.
Segundo o levantamento, entre o segundo trimestre de 2022 e o mesmo período de 2026, o número de ocupados cresceu 6,9%, passando de 96,4 milhões para 103 milhões. No mesmo período, o número de assalariados aumentou 9,4%, de 65,3 milhões para 71,4 milhões. O assalariamento formal teve crescimento ainda maior, de 10,4%.
O setor privado com carteira assinada foi responsável pela criação de aproximadamente 4,4 milhões de postos de trabalho no período. A formalização também avançou entre diferentes segmentos da população. Educação, saúde e serviços sociais concentraram cerca de 1,8 milhão de novos vínculos formais. As mulheres ocuparam 51% das novas vagas formais, enquanto a população negra respondeu por quase 72% desse crescimento.
Apesar dos avanços, a informalidade continua elevada. No segundo trimestre de 2026, havia 13,6 milhões de empregados do setor privado sem carteira assinada, além de 4,1 milhões de trabalhadores domésticos nessa condição. O emprego público sem carteira também cresceu e chegou a 3,5 milhões de trabalhadores, 30,4% acima do registrado quatro anos antes.
Renda cresce, mas desigualdades permanecem
O rendimento médio dos ocupados aumentou 19% entre o segundo trimestre de 2022 e o segundo trimestre de 2026. Entre os trabalhadores do setor privado com carteira assinada, a alta foi de 13%, chegando a R$ 3.386. O valor permanece superior ao rendimento médio dos trabalhadores sem carteira, de R$ 2.608.
O boletim também chama atenção para o crescimento do trabalho temporário. No segundo trimestre de 2026, eram 7,6 milhões de assalariados temporários, dos quais 5,97 milhões estavam em vínculos informais. Ou seja, quase oito em cada dez trabalhadores temporários não tinham vínculo formal.
Para o DIEESE, os resultados mostram que o desafio do mercado de trabalho não se resume à criação de postos. É necessário garantir qualidade, estabilidade, remuneração, jornada adequada, proteção social, segurança e representação coletiva.
O estudo conclui que os avanços registrados precisam ser aprofundados para que a expansão do assalariamento se traduza em empregos de melhor qualidade, com mais direitos e proteção para os trabalhadores.
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https://www.ncst.org.br/images_news/files/boletimconjuntura56.pdf )