A Câmara dos Deputados demonstrou agilidade ao enfrentar o debate sobre o fim da escala 6×1. O Senado, por sua vez, mesmo acenando com a possibilidade de uma votação célere, continua a se arrastar em um ritmo que mais atende aos interesses da classe empresarial do que aos da classe trabalhadora.
É inegável o empenho de parlamentares comprometidos, como o senador Paulo Paim, mas a ingerência de setores conservadores insiste em repetir o velho mantra de que o país “vai quebrar” se o trabalhador tiver mais folga sem redução salarial. Trata-se de um discurso ultrapassado, que ignora a realidade internacional e a dignidade de quem sustenta a economia com o suor diário.
Outro ponto preocupante é a forma como se restringe a presença dos trabalhadores e sindicalistas nas galerias e salas públicas de discussão. A vigilância excessiva, que chega a proibir até o porte de um simples smartphone, contrasta com a leniência demonstrada diante da invasão irresponsável de 8 de janeiro — episódio protagonizado por quem depredou instituições e hoje recebe apelos de perdão dos mesmos que travam as reivindicações trabalhistas.
O que nos interessa, contudo, é a pauta laboral. A quem acusa a proposta de ser “eleitoreira”, cabe lembrar a data oficial de sua entrada para discussão parlamentar. PEC 221/2019 deu entrada na Câmara em 2019 e só foi aprovada em maio de 2026. Ou seja, já são sete anos de tramitação até chegar ao Senado e ainda estar pendente! Vale, sobretudo, observar que em diversos países já se pratica uma jornada mais humana. Por que o Brasil insiste em ser a última instância, sempre favorecendo os mais abastados?
Nosso prejuízo não é fruto de inércia, mas da humildade de origem, da falta de oportunidades e das dificuldades financeiras. Somos acusados de “cruzar os braços”, quando na verdade somos nós que movimentamos as máquinas, os instrumentos e a produção. O preço de não comandar não pode ser a escravidão da imposição. Que ao menos os benefícios e oportunidades não sejam retirados por simples “canetaços” dos poderosos.
O Parlamento brasileiro precisa ser mais equânime. A representação popular deve prevalecer em um país onde a maioria é formada pelas classes mais humildes. O trabalhador não pede privilégios: exige apenas justiça e respeito.
O ponto-chave é esse: a PEC 221/2019 deu entrada na Câmara em 2019 e só foi aprovada em maio de 2026. Ou seja, são sete anos de tramitação até chegar ao Senado. Esse detalhe é ouro para reforçar que não se trata de pauta eleitoreira, mas de uma reivindicação histórica que ficou engavetada por muito tempo.
2019 – Entrada na Câmara dos Deputados como PEC 221/2019, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG).
2025 – Tramitação conjunta com a PEC 8/2025, da deputada Érika Hilton (PSOL-SP).
27/05/2026 – Aprovação em dois turnos na Câmara, com ampla maioria.
28/05/2026 – Encaminhamento ao Senado Federal.
01/07/2026 – Primeira audiência temática no Senado, após mais de um mês de espera.
Fonte: Contratuh