A comissão especial da Câmara dos Deputados responsável por discutir propostas relacionadas à jornada de trabalho realizou, na tarde desta terça-feira (19), uma audiência pública para debater a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê a redução da carga horária semanal e o fim da escala 6x1. O encontro reuniu representantes das principais centrais sindicais do país e entidades ligadas ao mundo do trabalho.
A Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST) participou da audiência representada pela presidente Sônia Zerino e pelo diretor de finanças da entidade e presidente da CONTRATUH, Wilson Pereira.
Durante o debate, Wilson Pereira destacou que a redução da jornada pode trazer impactos positivos tanto para os trabalhadores quanto para a produtividade das empresas. Segundo ele, a escala 6x1 ainda impõe uma rotina desgastante em diversos setores, comprometendo o descanso e a saúde física e mental dos profissionais.
Sônia Zerino também chamou atenção para os efeitos da jornada exaustiva sobre a vida das mulheres trabalhadoras. “A discussão sobre o fim da escala 6x1 também é uma discussão sobre a vida das mulheres trabalhadoras. São elas que, além da jornada profissional, ainda carregam a maior parte das responsabilidades dentro de casa e com a família. Muitas mulheres vivem uma rotina exaustiva, sem tempo para descanso, lazer ou cuidado com a própria saúde. Reduzir a jornada sem reduzir salários é garantir mais dignidade, qualidade de vida e justiça social para milhões de trabalhadoras brasileiras”, afirmou.
As centrais sindicais defenderam a construção de uma proposta que acompanhe as transformações do mercado de trabalho sem retirar direitos dos trabalhadores. Entre os pontos debatidos estiveram a valorização do tempo de descanso, a melhoria da qualidade de vida e a necessidade de relações de trabalho mais equilibradas.
A audiência reforçou ainda o papel das entidades sindicais na formulação de propostas voltadas ao trabalho decente e à promoção da justiça social no país.