Nesta quarta-feira (13), o Fórum das Centrais Sindicais realizou uma live com o tema “Tarifaço e Medidas de Proteção do Emprego e as estratégias para as Campanhas Salariais do 2º semestre”. O encontro reuniu os presidentes das oito principais centrais do país e foi mediado por Clemente Ganz Lúcio, coordenador do Fórum. Representando a Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), o presidente Moacyr Auersvald destacou a importância da união e da ação conjunta diante das sobretaxas impostas pelo governo dos Estados Unidos a produtos brasileiros, medida que ameaça empregos e setores estratégicos da economia.
Moacyr: soberania, novos mercados e sindicalismo forte
Durante o debate, Moacyr ressaltou o papel firme do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na defesa do país: “Vale ressaltar que o presidente Lula em momento algum se mostrou fraco ou indiferente. Ele tem defendido o Brasil, a nossa soberania e a nossa democracia, ao contrário do que vimos no passado. É um presidente preocupado com os trabalhadores, com as empresas e com a nação como um todo.”
O dirigente também chamou atenção para os impactos diretos em setores como o têxtil e o de calçados, responsáveis por uma fatia significativa das exportações brasileiras: “Essa medida vai gerar uma quantidade enorme de desemprego, e temos que ter essa preocupação. O governo, o Congresso Nacional e os empregadores precisam buscar novos rumos. A abertura de novos mercados pelo presidente Lula é fundamental para reduzir a dependência dos Estados Unidos. Ter um único cliente é sempre arriscado; quando ele vira as costas, o problema é muito maior.”
Moacyr destacou a expectativa em relação à medida provisória anunciada pelo governo, que deve apresentar ações de apoio às empresas e proteção ao emprego: “Temos confiança de que essa medida provisória trará um ponto inicial importante para resolvermos as dificuldades que enfrentamos. É fundamental criar condições para que grandes e pequenos exportadores mantenham sua produção e competitividade.”
Encerrando sua fala, reforçou a importância do sindicalismo como instrumento de resistência e mobilização: “Confiamos no presidente Lula, na democracia e na nossa soberania — valores dos quais não abriremos mão. O sindicalismo forte é necessário. Como dizia o ex-presidente da Nova Central, Calixto Ramos, o movimento sindical é uma chama que nunca se apaga. Temos convicção de que, juntos, somos fortes.”
Dieese apresenta impactos econômicos e riscos
A diretora-técnica do Dieese, Adriana Marcolino, apresentou levantamento sobre os efeitos das tarifas nos diferentes setores da economia e nas negociações coletivas do segundo semestre, destacando também propostas das centrais sindicais.
Segundo os dados, os Estados Unidos foram responsáveis por 12% das exportações brasileiras em 2024, somando US$ 40,4 bilhões. O “tarifaço” incide sobre US$ 14,5 bilhões (35,9%) dessas exportações, especialmente produtos metalúrgicos, químicos, alimentícios, madeira, vestuário e calçados. Outros US$ 18 bilhões (44,6%) foram excluídos da sobretaxa de 50%, mas seguem com tarifas adicionais de até 10%, enquanto US$ 7,9 bilhões (19,5%) estão sujeitos a alíquotas específicas já existentes — como 25% para autopeças e automóveis e 50% para aço, alumínio e cobre.
No cenário mais pessimista, a medida pode provocar a perda de até 726,7 mil empregos, queda de R$ 38,87 bilhões no valor adicionado à economia, redução de R$ 14,33 bilhões na massa salarial e impacto negativo de 0,36% no PIB em um ano. Mesmo no cenário moderado, estimativas apontam risco de 188,7 mil demissões, com queda de 0,26% no PIB.
Adriana destacou que 3.075 empresas exportadoras têm negociações coletivas ativas, com maior concentração entre setembro e novembro, abrangendo 1.459 sindicatos. Ela alertou que é preciso atenção para evitar que empresas usem o “tarifaço” como argumento para reduzir direitos ou rebaixar reajustes. CLIQUE AQUI e confira o levantamento do Dieese (
https://www.ncst.org.br/images_news/files/12ago2025%20-%20Impactos%20tarifa%C3%A7o%20na%20negocia%C3%A7%C3%A3o%20coletiva%20-%20vers%C3%A3o%202%20(1).pdf )
Governo prepara medidas para proteção do emprego
Em vídeo, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou que o governo está elaborando um conjunto de medidas para proteger empregos e estimular novos mercados, incluindo compras governamentais simplificadas para absorver produtos afetados, linhas de crédito e exigência de manutenção de postos de trabalho nas empresas beneficiadas.
“Não podemos nos desesperar. Hoje nossa dependência dos Estados Unidos é muito menor do que em 2003, e já abrimos 387 novos mercados. Essa crise pode acelerar a diversificação da nossa economia. O fundamental é que sindicatos acompanhem de perto a situação das empresas, para evitar que o momento seja usado como desculpa para rebaixar negociações. O governo estará ao lado dos trabalhadores para buscar alternativas e soluções.”
Mobilização unificada
O encontro reforçou a necessidade de unidade entre as centrais sindicais para enfrentar os impactos econômicos e políticos do “tarifaço”. A agenda do segundo semestre inclui também pautas como a redução da jornada de trabalho, o fim da escala 6x1, a atualização da tabela do Imposto de Renda e a taxação dos super-ricos.
O Fórum das Centrais e a Nova Central reafirmaram que a coesão sindical será decisiva para proteger empregos, garantir aumentos reais e fortalecer a economia nacional, preservando a democracia e a soberania do país.