Neste 1º de Maio, Dia Internacional do Trabalhador, milhões de brasileiros vão às ruas por melhores condições de trabalho, valorização profissional e direitos sociais. No entanto, uma parcela crescente da classe trabalhadora não encontra motivos para comemorar: os trabalhadores de aplicativos.
Motociclistas, ciclistas profissionais e motoristas de aplicativos enfrentam uma realidade marcada pela precarização extrema. Apesar de serem essenciais à economia e fundamentais durante a pandemia, continuam à margem da legislação trabalhista. Sem vínculo empregatício formal, não têm acesso a direitos básicos como férias remuneradas, 13º salário, licença médica, previdência social ou seguro em caso de acidente.
O presidente do Sindicato dos Motociclistas Profissionais do Distrito Federal (Sindmoto/DF), Luíz Carlos Galvão, que há 34 anos exerce a função, afirmou que não há nada a comemorar: "Neste 1º de Maio, infelizmente, nós, motociclistas profissionais, não temos nada a comemorar. São 34 anos dedicados a essa profissão, e posso afirmar com tristeza que continuamos enfrentando as mesmas dificuldades: longas jornadas, falta de direitos trabalhistas básicos, nenhum tipo de proteção social. Trabalhamos sob sol e chuva, arriscando nossas vidas diariamente, e o mínimo que esperamos é respeito e reconhecimento. O que temos visto é um cenário de abandono, com a precarização crescendo e as plataformas explorando cada vez mais. Hoje, mais do que celebrar, é dia de levantar a voz por dignidade, regulamentação justa e condições de trabalho que nos permitam viver com segurança e dignidade."
Submetidos a jornadas exaustivas, metas abusivas e sem garantia de renda mínima, esses trabalhadores também arcam com todos os custos da própria atividade, como combustível, manutenção do veículo e equipamentos de proteção. A ausência de regulação faz com que empresas de tecnologia ampliem seus lucros, enquanto a base que sustenta esse modelo permanece invisível e desamparada.
“A Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST) reafirma, neste 1º de Maio, seu compromisso com a luta por justiça social, trabalho decente e direitos para todos — inclusive e especialmente para quem hoje carrega o peso de um sistema injusto nas costas. É urgente garantir proteção, dignidade e segurança para os trabalhadores e trabalhadoras por aplicativo. Eles não podem mais esperar”, afirmou Moacyr Auersvald, presidente da Nova Central.
Porque sem direitos, não há democracia plena.
E sem dignidade, não há o que comemorar.