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Renda em queda: duas de cada três campanhas salariais têm índice abaixo da inflação

20 Out 2021


Inflação é um complicador para as negociações: índice de agosto foi o maior para uma data-base em mais de cinco anos

 
Com o INPC em alta, quase metade dos reajustes em 2021 perdeu para a inflação - Foto: Reprodução


por Vitor Nuzzi


Dois terços das campanhas salariais de categorias com data-base em agosto tiveram reajuste abaixo da inflação acumulada (INPC-IBGE). Foram 66,3% com perdas, ante 16,8% em igual período do ano passado. Os dados foram compilados pelo Dieese, com base em informações do Ministério do Trabalho ( https://www.dieese.org.br/boletimnegociacao/2021/boletimnegociacao12.pdf ). A inflação crescente piora um cenário que já era ruim com a crise econômica e a pandemia.

Agosto tem o pior resultado de 2021, em um ano que registrou acordos abaixo do INPC em seis de oito meses. As informações referem-se a negociações concluídas até o início de setembro. Categorias como metalúrgicos ( https://www.redebrasilatual.com.br/trabalho/2021/09/metalurgicos-abc-reajuste-inflacao-greve/ ) e químicos ( https://www.redebrasilatual.com.br/trabalho/2021/09/quimicos-acordo-sp-reajuste-dois-anos/ ), em São Paulo, recentemente fecharam acordo com o INPC integral. Os bancários, que fazem campanha nacional, firmaram em 2020 acordo coletivo com validade de dois anos ( https://www.redebrasilatual.com.br/trabalho/2020/09/acordo-bancarios-120-mil-assembleias-caminhos-negociacao/ ). Os trabalhadores nos Correios, que têm data-base em agosto, estão com dissídio em julgamento no Tribunal Superior do Trabalho ( https://www.redebrasilatual.com.br/trabalho/2021/10/pedido-de-vista-adia-julgamento-do-dissidio-e-trabalhadores-correios-continuam-sem-acordo/ ) (TST).

Dos acordos fechados até agora relativos a agosto, apenas 8,8% das campanhas salariais chegaram a reajuste acima do INPC. Outros 25% ficaram com índice equivalente ao da inflação, que segue sendo um “inimigo” das negociações. O Dieese lembra que o INPC de 0,88% em agosto representou “o maior percentual de reajuste necessário para uma data-base” desde fevereiro de 2016.

A taxa mantém trajetória de crescimento, somando 10,42% em 12 meses. Há um ano, esse mesmo índice acumulado era de 2,94%. Em setembro, com nova alta, o INPC chegou a 10,78%, enquanto a inflação oficial (IPCA) também atingiu os dois dígitos (10,25%) ( https://www.redebrasilatual.com.br/economia/2021/10/maior-taxa-setembro-inflacao-10/ ).


Quase metade abaixo do INPC


No acumulado de janeiro a agosto, o resultado também é ruim. Quase metade dos reajustes (48,5%) ficou abaixo do INPC. Um terço (33,2%) equivale ao índice oficial e apenas 18,2% ficam acima. A variação real média dos reajustes salariais mostra perda: -0,71%.

No recorte por setor econômico, o de serviços tem 61,2% de acordos (de um total de 3.686) perdendo para a inflação. A indústria (2.814) tem 35,7% e o comércio (1.164), 32,1%. O maior percentual de reajustes acima do INPC é do setor industrial (24,7%).



Fonte: Rede Brasil Atual - RBA

 
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