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Últimas notícias da vacina: menos de 50% das capitais receberão doses da Pfizer
21 Abr 2021
Governo já desembolsou R$ 1,13 bilhão, mas ainda não recebeu doses, que devem chegar apenas na última semana de abril
Para ser transportado com segurança, o imunizante da Pfizer requer uma temperatura de -60°C, o que dificulta a logística - FREDERIC SIERAKOWSKI / POOL / AFP
por Caroline Oliveira
Menos de 50% das capitais brasileiras receberão doses do imunizante da empresa farmacêutica estadunidense Pfizer produzida em parceria com a alemã BioNTech, de acordo com dados do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) ( https://www.conasems.org.br/ ).
Cerca de um milhão de doses da vacina devem chegar no Brasil na última semana de abril, mas, por demandarem uma temperatura de -60°C para serem transportadas com segurança, apenas municípios com estrutura para tal irão recebê-las.
“Esse primeiro lote deve ser somente para as capitais, devido à necessidade de estrutura para armazenamento e logística”, afirmou o secretário-executivo do Conasems, Mauro Junqueira, em entrevista ao Correio Braziliense ( https://www.correiobraziliense.com.br/brasil/2021/04/4919243-menos-de-50--das-capitais-devem-receber-1-lote-da-vacina-da-pfizer.html ). “O ministério está conversando junto conosco, até porque o número de doses ainda é pequeno, e a gente deve concentrar nas capitais, nas maiores cidades”, completou.
Depois que a entrega de 1 milhão de doses for realizada, há a previsão de recebimento de novos lotes para maio e junho, somando 15,5 milhões.
Em pronunciamento feito na semana passada, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que “uma boa notícia é justamente a antecipação de doses da vacina Pfizer, fruto de uma ação direta do presidente da República Jair Bolsonaro com o executivo principal da Pfizer, que resulta em 15,5 milhões de doses da Pfizer já no mês de abril, maio e junho”.
Pago, mas não recebido
A vacina Pfizer/BioNTech foi a primeira a conseguir o registro sanitário definitivo pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o que difere da autorização para uso emergencial. Também foi um dos únicos imunizantes a serem pagos pelo Ministério da Saúde, mas que, até o momento, não chegaram em solo brasileiro.
No dia 31 de março houve um pagamento adiantado, previsto em contrato com a farmacêutica estadunidense ( https://www.documentcloud.org/documents/20601640-contrato_52-2021___assinado_pelas_partes ), de pouco mais de US$ 200 milhões, o equivalente a R$ 1,13 bilhão, para a aquisição de 100 milhões de doses da Pfizer, segundo levantamento feito pelo jornal Folha de S. Paulo ( https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2021/04/governo-bolsonaro-ja-desembolsou-r-17-bi-por-vacinas-da-pfizer-e-da-janssen-que-ainda-nao-recebeu.shtml ).
Até o momento, apenas duas vacinas contra a covid-19 estão sendo distribuídas pelo país: a Coronavac, produzida entre o Instituto Butantan e a biofarmacêutica chinesa Sinovac; e o imunizante feito em parceria entre a farmacêutica britânica AstraZeneza e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Somando as duas, são mais de 50 milhões de doses distribuídas.
E a Sputnik V?
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, publicou na última segunda-feira (19), uma decisão que autoriza o estado do Ceará a comprar diretamente a vacina russa Sputnik V, produzida pelo Instituto Gamaleya, caso a Anvisa não se manifeste sobre a autorização para o uso do imunizante no Brasil até o dia 29 de abril.
"Ultrapassando o prazo legal, sem a competente manifestação da Anvisa, estará o Estado do Ceará autorizado a importar e a distribuir o referido imunizante à população local, sob sua exclusiva responsabilidade, e desde que observadas as cautelas e recomendações ao fabricante e das autoridades médicas", determinou Lewandowski em decisão judicial.
No dia 12 de abril, o governador do Ceará, Camilo Santana (PT), informou que entraria com uma ação no STF solicitando a liberação de 5,87 milhões de doses da vacina Sputnik V pela Anvisa. Nas redes sociais, o governador afirmou que "a Sputinik V já é utilizada em cerca de 60 países, com eficácia de 91,6%. Iremos a todas as instâncias possíveis para que as vacinas que adquirimos cheguem o mais rápido possível para imunizar nossa população".
O estado oficializou a compra das 5,87 milhões de doses no dia 19 de março junto ao Fundo Soberano Russo. A compra fez parte de um acordo do Consórcio Nordeste, formado pelos nove estados da região nordeste, que estabeleceu a compra de 39 milhões de doses da Sputnik V.
A compra também foi autorizada pela Assembleia Legislativa do Ceará e pelo STF, em caso de descumprimento do Plano Nacional de Imunização (PNI), do Ministério da Saúde.
Mais 30 milhões de doses da CoronaVac
Seguindo como o imunizante mais distribuído no país, mais 30 milhões de doses da CoronaVac foram adquiridas na segunda (19), conforme anunciou o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). As doses, no entanto, devem ser aplicadas somente no estado de São Paulo.
Com isso, a partir de outubro deste ano, haverá a possibilidade de concluir "a totalidade da vacinação em São Paulo, de todas as pessoas que podem ser vacinadas", até dezembro de 2021. Da totalidade de vacinas distribuídas no país, 85% delas são de CoronaVac.
Vacinação e pandemia no Brasil
Segundo o último balanço do consórcio de veículos de imprensa ( https://g1.globo.com/bemestar/vacina/noticia/2021/04/19/brasil-aplicou-ao-menos-uma-dose-de-vacina-contra-covid-em-266-milhoes-de-pessoas-aponta-consorcio-de-veiculos-de-imprensa.ghtml ), até às 20h de segunda (19), 26.654.459 pessoas receberam a primeira dose do imunizante contra a covid-19, seja do Instituto Butantan ou da Fiocruz. O número pode parecer expressivo, mas representa apenas 12,59% da população brasileira.
No mesmo período, 10.131.323 pessoas receberam a segunda dose, ou seja, somente 4,78% da população do país. No total, foram aplicadas 36.785.782 de doses.
Paralelamente, o Brasil registrou 1.347 óbitos nas últimas 24 horas, até às 18h desta segunda-feira (19), segundo dados do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) ( https://www.brasildefato.com.br/2021/04/19/brasil-registra-mais-de-30-mil-casos-de-covid-entre-domingo-e-esta-segunda-feira ). Com isso, o país acumula 374.682 mortes ocasionadas pela doença desde o início da pandemia.
Com relação ao número de casos, foram 30.624 novos infectados no mesmo período, totalizando 14 milhões de casos também desde o início da pandemia.