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Texto do relator da PEC Emergencial acaba com piso para gastos em saúde e educação

23 Fev 2021



Senador Márcio Bittar entregou relatório nesta segunda. Caso o texto seja aprovado como está, estados e municípios ficam desobrigados de fazer investimento mínimo nessas duas áreas.


 
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por Alexandro Martello


O relator da proposta de emenda à Constituição conhecida como PEC Emergencial ( https://g1.globo.com/economia/noticia/2019/11/05/pec-emergencial-governo-propoe-acionar-gatilhos-se-for-descumprida-regra-de-ouro.ghtml ), senador Márcio Bittar (MDB-AC), divulgou o parecer sobre o assunto nesta segunda-feira (22). O texto acaba com os pisos para gastos em saúde e educação dos estados e municípios.

Com isso, caso a proposta passe pelo Legislativo, os governantes ficam desobrigados de efetuar gastos mínimos nessas áreas. O senador já havia defendido essa medida anteriormente ( https://g1.globo.com/politica/noticia/2020/01/15/relator-do-pacto-federativo-defende-fim-de-piso-para-gastos-em-saude-e-educacao.ghtml ).

Atualmente, no orçamento do governo federal, os pisos de saúde e educação têm de ser corrigidos pela inflação do ano anterior – conforme regra do teto de gastos ( https://g1.globo.com/politica/noticia/pec-do-teto-de-gastos-e-promulgada-no-congresso.ghtml ) aprovada em 2016 no governo do então presidente Michel Temer.

No caso dos estados, a Constituição diz que devem destinar 12% da receita à saúde e 25% à educação. Municípios, por sua vez, têm de gastar, respectivamente, 15% e 25%.

A proposta do senador difere do que foi apresentado pelo governo em novembro de 2019, pela qual os pisos seriam mantidos, mas unificados ( https://g1.globo.com/economia/noticia/2019/11/05/governo-propoe-piso-unico-para-saude-e-educacao-mas-inclui-aposentadorias-no-calculo.ghtml ), dando uma maior flexibilidade a estados e municípios para gastarem mais em uma área do que em outra.

Em entrevista à GloboNews, Bittar afirmou que, embora essa proposta seja polêmica, resolveu incluí-la no texto final de seu relatório. Segundo ele, vincular (definir valores fixos) os gastos com saúde e educação não surtiu os efeitos esperados ao longo dos anos.

“[A ideia é] devolver aos municípios, aos estados e à União o poder de legislar uma das leis mais importantes, que é a do orçamento. Até porque, vincular o orçamento da União, que é o único país democrático no mundo que tem esse grau de vinculação, não resolveu nada. Nós gastamos 6,3% do PIB nacional com educação e estamos com educação brasileira entre as 20 piores nações do mundo", declarou.

Segundo a assessoria de imprensa do senador, Bittar não incluiu no relatório a proposta do governo de reduzir jornada e salário de servidores públicos em até 25% ( https://g1.globo.com/economia/noticia/2019/11/05/governo-propoe-criar-estado-de-emergencia-fiscal-com-reducao-de-jornada-e-salario-de-servidor.ghtml ). Essa ideia era cogitada como uma foram de ajustar as contas públicas, mas ficou de fora.

Também não foi incluída no relatório da PEC emergencial, segundo a assessoria do senador, a possibilidade de congelar benefícios de aposentados, que chegou a ser discutida com a área econômica no ano passado ( https://g1.globo.com/economia/noticia/2020/09/13/renda-brasil-area-economica-apoia-que-aposentados-fiquem-sem-aumento-por-ate-dois-anos.ghtml ).

Essa alternativa foi criticada pelo presidente Jair Bolsonaro. Ele ameaçou dar um cartão vermelho a quem defendesse a medida no seu governo ( https://g1.globo.com/politica/noticia/2020/09/15/bolsonaro-diz-que-no-governo-dele-esta-proibido-falar-em-renda-brasil-e-que-bolsa-familia-vai-continuar.ghtml ).


Votação da PEC


A votação da PEC Emergencial está prevista para começar nesta semana no Senado. Por se tratar de uma emenda constitucional, ela precisará ser aprovada em dois turnos. Em seguida, vai para a Câmara dos Deputados.

Em uma rede social, o presidente da Câmara, Arthur Lira ( https://g1.globo.com/tudo-sobre/arthur-lira/ ) (PP-AL), disse nesta segunda-feira que, assim que a matéria chegar na casa legislativa, poderá ter tramitação prioritária e ser votada ainda em março, desde que ouvidos os líderes partidários.

Na semana passada, Lira havia dito que a tramitação da PEC no Congresso poderia levar até três meses. O argumento dele foi que o prazo na Câmara costuma ser mais longo do que no Senado em razão das exigências regimentais.

O rito na Câmara prevê que a proposta seja primeiro analisada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, depois, por uma comissão especial com prazo mínimo de dez sessões. No entanto, se houver acordo entre os partidos, a discussão poderá ser acelerada e feita diretamente no plenário.



Fonte: Portal G1
 
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