::: NCST - NOVA CENTRAL SINDICAL DE TRABALHADORES :::
Mau exemplo de combate à pandemia, Brasil ultrapassa 111 mil vítimas da covid-19
20 Ago 2020
O Brasil é o segundo país mais afetado pela pandemia de covid-19 no mundo. A comparação com o cenário global revela o descaso do poder público
País vive cenário de relativa estabilidade da curva epidemiológica no pico de mortes há semanas, mas sempre acima de mil óbitos diários em média. Não há sinais de regressão
por Gabriel Valery
O Brasil teve 1.212 mortes causadas pela covid-19 oficialmente confirmadas nas últimas 24 horas. Desde o início do surto, em março, a doença provocada pelo novo coronavírus já deixa 111.100 mortos, de acordo com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). As informações foram atualizadas no início da noite desta quarta-feira (19).
Em número de novos casos, o país registrou mais 49.298 infectados no período, totalizando 3.456.652. Os números não retratam a realidade da pandemia no Brasil, que é um dos países que menos aplica testes para a covid-19 no mundo. A subnotificação é denunciada pela ciência desde o início do surto e reconhecida até mesmo por autoridades.
O Brasil é o segundo país mais afetado pela pandemia, atrás apenas dos Estados Unidos, (5.571.840 casos e 173.979 mortos). Porém, aquele país testa muito mais – cerca de 100 casos negativos para cada positivo. Esta taxa está em torno de cinco negativos para um positivo no Brasil.
Dados consolidados pelo Conass
Mundo
O Brasil ocupa o epicentro da pandemia de covid-19 ( https://www.redebrasilatual.com.br/tag/coronavirus/ ) no mundo desde o início de junho, quando passou a registrar mais de mil mortes diariamente. Sozinho, o país tem quase duas vezes o número de mortos do que os 11 países da América do Sul somados. A Argentina, que promoveu intensas medidas de prevenção ao contágio, com medidas de distanciamento social sérias adotadas pelo governo, tem 223.518 casos e 6.064 mortos.
Outro caso de sucesso no controle é Cuba ( https://www.redebrasilatual.com.br/saude-e-ciencia/2020/08/cuba-inicia-testes-vacina-covid-19-proxima-semana/ ). A ilha caribenha tem boas políticas públicas em relação à medicina ao longo de sua história. Com intenso controle de casos, o país socialista tem 88 mortos e 3.408 casos confirmados. Cuba tem pouco mais de 11 milhões de habitantes, quase o mesmo número da cidade de São Paulo ( https://www.redebrasilatual.com.br/educacao/2020/08/volta-as-aulas-sao-paulo-mais-dificil/ ). A maior cidade do país, sozinha, tem 10.761 mortos e 240.115 casos ( https://www.seade.gov.br/coronavirus/ ), números maiores do que toda a China, primeiro epicentro da doença.
Em geral, governadores e prefeitos pelo Brasil passaram a suspender as medidas de proteção no pior momento da pandemia. Enquanto isso, o governo Bolsonaro sempre minimizou a doença, apesar das notícias que vinham da Europa e da Ásia.