“Se as medidas básicas não forem seguidas, a única direção que essa pandemia pode seguir é piorar”, afirma diretor-geral da OMS
Não houve redução nas mortes no Brasil. Foi observada uma estabilidade nas mortes, mas os casos seguem aumentando exponencialmente
por Gabriel Valery
edição de Fábio M. Michel
O Brasil tem oficialmente 72.833 mortos pela covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus. Nas últimas 24 horas, foram registradas 733 novas vítimas e 20.286 doentes, de acordo com o Comitê Nacional dos Secretários de Saúde (
Conass (
http://www.conass.org.br/ )). Desde março, 1.884.967 pessoas foram diagnosticadas com a doença.
Existem dois fatores a serem considerados nos dados desta segunda-feira (13). Primeiro, nos fins de semana, menos profissionais da Saúde e de estatística trabalham, o que provoca um represamento dos dados, Por isso, os números são mais baixos que a média diária a partir das terças-feiras.
O segundo ponto é a franca subnotificação dos números da covid-19 no Brasil. Epidemiologistas alertam que o país é um dos que menos realiza testes no mundo em relação ao número de habitantes. O problema é mais incidente no interior e em regiões mais afastadas dos grandes centros, por falta de estrutura de medicina diagnóstica.
Curva epidemiológica do novo coronavírus no Brasil
Atualmente a
pandemia do novo coronavírus segue um caminho de interiorização (
https://www.redebrasilatual.com.br/saude-e-ciencia/2020/07/covid-19-sul-centro-oeste/ ), após um primeiro momento de grande impacto nas capitais. Estudos, porém, já indicam tendência de
refluxo da pandemia de volta às capitais (
https://www.redebrasilatual.com.br/sem-categoria/2020/07/nicolelis-nordeste-ja-sente-efeito-bumerangue-da-covid-19/ ), uma vez que o colapso das redes de atendimento no interior levam obrigatoriamente à busca pelos centros maiores.
Essa tendência, aliada à falta de estrutura em locais mais distantes da capitais, aumenta a subnotificação, tanto de casos como de mortes. Isso fica demonstrado no aumento de mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag) sem causa detectada. O coronavírus pode provocar a síndrome. Em Minas Gerais, por exemplo, o número da enfermidade sem razão oficial aumentou mais de 650% neste ano em relação ao ano anterior.
Sem isolamento
Embora muitos estados e cidades do Brasil estejam afrouxando as fracas medidas de isolamento social que foram impostas nos últimos meses, tais medidas são precoces, defendem especialistas. Há quem diga que a
tragédia está naturalizada, já que não houve redução nas mortes no Brasil (
https://www.redebrasilatual.com.br/saude-e-ciencia/2020/07/brasil-perto-de-70-mil-mortos-pela-covid-19-temos-de-nos-preparar-para-o-pior-alerta-cientista/ ). Foi observada uma estabilidade nas mortes, mas os casos seguem aumentando exponencialmente.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) lamenta a postura de países que seguem o caminho inverso ao indicado pelos especialistas. O isolamento social ainda é indicado. “Deixe-me ser direto. Muitos países estão na direção errada”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom. Ele chegou a
chorar na semana passada ao lamentar a falta de união no combate ao vírus (
https://www.redebrasilatual.com.br/saude-e-ciencia/2020/07/brasil-passa-de-70-mil-mortos-pela-covid-19-oms-lamenta-falta-de-lideres-solidarios/ ).
“O vírus permanece como inimigo público número um, mas a ação de muitas pessoas e governos não reflete isso”, seguiu. Adhanom analisa que as medidas de relaxamento precoce podem agravar o quadro. “Se as medidas básicas não forem seguidas, a única direção que essa pandemia pode seguir é piorar, piorar e piorar. Não tem atalhos nessa pandemia. Todos nós esperamos uma vacina, mas precisamos usar as ferramentas que temos”, completou.
Estados brasileiros mais afetados pelo vírus
Fonte: Rede Brasil Atual - RBA