Bolsonaro descontextualizou frase de chefe da organização para justificar fim do isolamento social
'A frase da técnica da OMS foi triste, mas uso politico para relaxar o isolamento é genocida!", disse médico pneumologista
A Organização Mundial da Saúde (
OMS) explicou, nesta terça-feira (9), que a transmissão por casos assintomáticos de covid-19 está ocorrendo (
saiba mais (
https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/2020/06/09/oms-nega-que-evidencias-concluam-que-assintomaticos-nao-repassam-virus.htm )). “A questão é saber quanto”. A entidade internacional esclareceu fala da chefe do programa de emergências, Maria van Kerkhove, de que a transmissão do vírus por pacientes sem sintomas da doença parece ser “rara”.
A frase da especialista foi considerada ambígua e tirada de contexto por defensores do
fim do isolamento social (
https://www.redebrasilatual.com.br/saude-e-ciencia/2020/06/reabertura-comercio-prematura-professor/ ). O
presidente Jair Bolsonaro (
https://www.redebrasilatual.com.br/saude-e-ciencia/2020/06/brasil-tem-707-412-casos-de-covid-19-confirmados-mortos-passam-de-37-mil/ ), por exemplo, usou a declaração para pedir a “reabertura mais rápida” das atividades econômicas e criticou o “pânico pregado por parte da grande mídia”. Mesmo com a curva de contágio pelo coronavírus ainda estar em alta e colocar o Brasil como epicentro da pandemia.
Entretanto, especialistas criticaram a postura de Bolsonaro. O médico pneumologista e presidente da Sociedade de Pneumologia e Tisiologia Gestão, Fred Fernandes, explica que a declaração da OMS passou longe da interpretação feita pela ala bolsonarista, de que não o vírus não traz risco.
“A frase da técnica da OMS foi triste. A interpretação da imprensa foi infeliz. O uso politico para relaxar o isolamento é genocida!”,
publicou Fernades nas redes sociais (
https://twitter.com/FredLAFernandes/status/1270325263654621184 ).
Assintomáticos
Ao analisar o tema da propagação do vírus, nesta segunda-feira (8), Maria van Kerkhove citava países com grande capacidade de testagem e rastreio. Além disso, em alguns casos, quando uma segunda análise dos supostos casos assintomáticas é feita, descobre-se que os pacientes tiveram, na verdade, leves sintomas da infecção.
A bióloga Natalia Pasternak Taschner, da Instituto de Ciências Biomédicas (ICB), explica que a frase da chefe da OMS não foi uma declaração oficial baseada em estudo, mas uma resposta “infeliz”, durante coletiva de imprensa.
Além disso, a bióloga explica que há diferenças entre pressintomaticos de assintomáticos de covid-19. O primeiro grupo é formado por quem ainda não tem sintomas, mas acabam por desenvolve-los. Já o segundo é quem testam positivo, mas nunca chegam a desenvolver sintomas.
“Não se pode afirmar que assintomáticos não transmitem nem que certamente transmitem. Mas o que se pode afirmar com certeza é que uma declaração dessas, mal colocada e mal interpretada, tem o potencial de confundir ainda mais a população, que pode assumir que quem não tem sintomas e não precisa cumprir as medidas de distância ou uso de máscara”, lamentou ela.
O biólogo
Átila Iamarino (
https://twitter.com/oatila/status/1270171555369308162 ) endossa a diferença entre os dois grupos. Ele explica que a declaração da OMS causou confusão, mas que não justifica o fim das medidas de proteção social. “Ainda vale a máxima de que você deve usar máscara e se cuidar. Se você pegar covid-19, não tem como saber de antemão se vai ou não desenvolver sintomas, se vai ou não transmitir muito. Então se cuida e cuida de quem tá ao seu redor”, acrescentou.
Fonte: Rede Brasil Atual - RBA