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Como superar o desequilíbrio inerente à relação de trabalho?

20 Maio 2020





por Nailton Francisco de Souza



A nova forma de organização social e internacional do trabalho coloca a associação sindical e a consciência de classe diante de uma grande crise de viabilização da representação e união de trabalhadores (as) e a participação da massa operária de forma democrática nas relações com o Estado e, reposta mais precisa, para superar à desigual relação capital e trabalho é o fortalecimento da coletividade, união e solidariedade de classe.

Na sociedade contemporânea, fortemente estimulada ao consumo, que nem sempre reflete a real necessidade das pessoas. O dinamismo do mercado não permite que elas reflitam sobre realidade e interesses próprios, o que faz com que sigam rotinas sem observarem que não é exatamente o que lhes satisfazem ou as prejudicam.

Têm pessoas em nosso meio com interesses dúbios. Ou seja, não conseguem refletir e ficam reféns de um ciclo vicioso de consumo e trabalho, no qual precisa trabalhar cada vez mais e pensar menos. E por inúmeras razões, o tempo livre vira o tempo do consumo, o que torna a vida extremamente limitada.

Na visão do professor e escritor americano, David Konstan o homem vive numa época de “empobrecimento emocional coletivo” e as sociedades individualistas de nosso tempo sofrem de uma “síndrome crônica de empobrecimento social e emocional”. E a vida emocional do homem contemporâneo parece ter ficado restrita ao “universo do erotismo e das aventuras emocionais”.

Sendo que uma das formas de reverter essa situação de empobrecimento emocional do homem moderno é fazê-lo participar de eventos, que amplia os espaços para a vida social e pública e conduz as pessoas para a experimentação conjunta de emoções. Pois por meio de sua participação em eventos, o homem moderno “aprende a reaprender a ter emoções, desenvolver seu senso crítico, aprimora suas visões, preza a liberdade”.

Diante da conjuntura política e econômica que atravessamos desde 2016 com a retirada de Dilma Rousseff da presidência do Brasil e, principalmente, nesse momento de pandemia provocada pelo novo coronavírus, tem marcado um aprofundamento das políticas neoliberais representados pelo profundo ataque e retirada de direitos dos trabalhadores (as), após o fim do pacto de conciliação conquistado na (Constituição Federal de 1988). Desde então para o movimento sindical brasileiro, os anos passados foram de insegurança e incertezas econômicas e políticas.

O sindicato combativo, enquanto instrumento de luta frente ao capital, que dá a segurança e ameniza os impactos da exploração e impede a retirada de direitos, é encardo como uma grande ameaça à aplicação de políticas como as previstas nas leis aprovadas nos governos Michel Temer (MDB de 2016 a 2018) e atualmente por Jair Bolsonaro (ex-PSL).

As crises financeiras que aparecem com frequência, servem de munição para os empresários se juntarem para barrar as conquistas da classe trabalhadora, pois no Estado Neoliberal, enfraquecer os trabalhadores (as) e seus sindicatos é parte essencial para a implementação de todos os ataques pretendidos pela classe dominante.

O exemplo mais nefasto desta ruptura está no texto das leis da Reforma Trabalhista (13.467/2017) que alterou a CLT – Consolidação das Leis do Trabalho -, que aprofunda a exploração da classe trabalhadora e a torna cada vez mais fragilizada na relação de trabalho; da Terceirização Irrestrita (13.429/2017); Emenda Constitucional (95/2016), que limita por 20 anos os gastos públicos e a Emenda Constitucional (103/2019) da Reforma da Previdência.

Um obstáculo para o desenvolvimento de um país é a parcela da economia que provém de atividades deliberadamente não declaradas ao poder público, para sonegar impostos ou por serem ilegais, e não melhorias nas condições de trabalho, salários e distribuição de renda, para que todos possam ter uma vida mais digna.



* Nailton Francisco de Souza (Porreta) é diretor Executivo do SindMotoristas – SP e Secretário Nacional de Comunicação da Nova Central Sindical de Trabalhadores.




Fonte: Blog O Veículo


 
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