Data de publicação: 23 Mar 2020



Método utilizado no Brasil é diferente do utilizado em vacina que já está sendo testada nos Estados Unidos




De acordo professor,, vacina em desenvolvimento com VLP já possue histórico de uso, como no papiloma vírus – o HPV



Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) começaram a trabalhar no desenvolvimento de uma vacina para o novo coronavírus (Covid-19) ( https://www.redebrasilatual.com.br/saude-e-ciencia/2020/03/casos-suspeitos-de-coronavirus-no-brasil-se-aproximam-de-9-mil/ ). Apesar de os testes ainda não terem começado, a expectativa é de que isso possa acontecer dentro de alguns meses.

O professor Jorge Kalil, diretor do Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração (Incor) da Faculdade de Medicina da USP, explica que a vacina tem como objetivo ser uma resposta rápida contra o vírus, possibilitando a criação dos anticorpos necessários.

O método de desenvolvimento se dá a partir da criação de uma partícula similar ao coronavírus ( https://www.redebrasilatual.com.br/saude-e-ciencia/2020/03/novo-coronavirus-nao-foi-criado-em-laboratorio-conclui-estudo/?_thumbnail_id=407116 ), o VLP (virus-like particle, em inglês). “O nosso projeto se propõe a fazer uma partícula semelhante ao vírus, ela terá a estrutura do vírus, mas oco, sem ter a possibilidade de ser contagioso e se multiplicar”, explica Kalil.

“Quando construímos esse vírus, colocamos alguns pedaços do coronavírus que são importantes para desencadear uma forte resposta no indivíduo que recebe a vacina e criar anticorpo bloqueador. A gente quer induzir os anticorpos através de partículas que parecem o vírus, mas só tem segmentos do coronavírus”, afirma ao Jornal da USP ( https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-da-saude/vacina-contra-coronavirus-em-desenvolvimento-na-usp-e-diferente-da-americana/ ).

A vacina em desenvolvimento no Brasil é diferente da que já está sendo testada nos Estados Unidos. Os pesquisadores norte-americanos utilizaram a tecnologia mRNA, que insere na vacina uma partícula sintética do RNA mensageiro do vírus e, então, é injetada no organismo humano e instruída a produzir proteínas que possam ser reconhecidas pelo sistema imunológico.

De acordo com o professor da USP, as vacinas com VLP já possuem histórico de uso, como no papiloma vírus – o HPV. As respostas tendem a ser mais robustas, enquanto a utilização da mRNA gera respostas mais tímidas.

China também começou a testar em humanos uma possível vacina ( https://www.redebrasilatual.com.br/saude-e-ciencia/2020/03/china-comeca-atestar-vacina-contra-coronavirus-em-humanos/ ) contra o coronavírus. Os cientistas da Academia de Ciências Médicas Militares da China receberam a aprovação para iniciar os ensaios clínicos em estágio inicial da potencial vacina.

A vacina foi desenvolvida pela equipe da epidemiologista Chen Wei, de acordo com padrões internacionais e regulações locais chinesas. À emissora estatal CCTV, ela afirmou que esta é a “arma científica mais poderosa” para combater o coronavírus, e que ser o primeiro país a desenvolver a vacina demonstraria o “progresso da ciência chinesa”.



Fonte: Rede Brasil Atual - RBA