Data de publicação: 16 Out 2019



Plano Nacional previa universalização até 2033, mas falta de gestão, integração e investimentos públicos postergam serviços fundamentais, avalia Dieese




Ao menos 35 milhões de brasileiros vivem sem acesso à rede de abastecimento de água e 100 milhões sem coleta e tratamento de esgoto



O Plano Nacional de Saneamento Básico, que prevê a universalização da oferta de água potável e da coleta e tratamento de esgoto até 2033, está muito distante de ser atingido. O Brasil está mais de 30 anos atrasado em relação ao cumprimento das metas ( https://www.redebrasilatual.com.br/blogs/blog-na-rede/2019/06/novo-marco-saneamento-retrocesso/ ), apontam cálculos da entidade Trata Brasil. As informações  ( https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2019/10/mantido-ritmo-brasil-vai-atrasar-em-30-anos-meta-de-saneamento-universal.shtml )são do jornal Folha de S.Paulo.

Ao menos R$ 22 bilhões são necessários como investimento anual para atingir os compromissos firmados no plano, mas, o país investe valor inferior a R$ 10 bilhões, menos da metade da quantia necessária para que o saneamento básico seja estendido à toda população. Hoje, pelo menos 17%, ou 35 milhões de brasileiros, vivem sem acesso à rede de abastecimento de água, desassistência que aumenta em relação à coleta e tratamento de esgoto. Pelo 100 milhões de brasileiros não têm acesso a esses serviços, ou seja, quase metade da população do país.

desigualdade cresce ( https://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2019/06/agua-potavel-bilhoes-pessoas/ ) ainda mais em níveis geográficos. Enquanto que na região Sudeste quase 92% da população tem acesso à água potável, cerca de 79% do esgoto coletado e 51% dele tratado, na região Norte, a oferta de água chega a menos de 58% dos habitantes, onde ainda aproximadamente 10% do esgoto é coletado e somente 22% dele recebe tratamento. “Portanto, de todo o esgoto na região Norte, menos de 2% é tratado, ou seja, 98% dos esgotos são jogados em rios”, observa o diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio.

Em entrevista à Rádio Brasil Atual, Clemente cita o descaso dos governos no cumprimento dos compromissos firmados. E, ao contrário do que defende a gestão de Jair Bolsonaro ( https://www.redebrasilatual.com.br/ambiente/2019/06/privatizacao-do-saneamento-pode-levar-a-aumento-na-tarifa-e-diminuicao-da-qualidade-da-agua/ ), que fala em privatizar as empresas ( https://www.redebrasilatual.com.br/politica/2019/05/urbanitarios-pressionam-deputados-contra-mp-que-privatiza-saneamento-basico/ ) do setor, o diretor técnico do Dieese cobra investimento público, como ocorre no Canadá, onde há a universalização. “É fundamentalmente ele que garante esse processo”, destaca.

A 14 anos do prazo para ampliação do tratamento de água e esgoto, somente 41% das cidades têm plano municipal de saneamento básico, como aponta o pacto nacional, o que reforça a afirmação do presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária Ambiental (Abes), Roberval Tavares de Souza, à reportagem da Folha. “Em saneamento, estamos no século passado.”

“Estamos muito atrasados”, confirma Clemente. “O Plano Nacional de Saneamento Básico propunha e formulava toda uma estratégia para superarmos esse atraso de um século e, infelizmente, os governos federal, estadual e municipal, não têm cumprido a meta. Têm, pelo contrário, cortado de forma contínua os investimentos nesse quesito, que é o saneamento básico e o acesso à água potável. E isso tem retardado em mais de três décadas o acesso à universalização da oferta de água e tratamento de esgoto sanitário”, finaliza o diretor técnico do Dieese.


Ouça a entrevista completa:


 





Fonte: Rede Brasil Atual - RBA