Data de publicação: 10 Jul 2019




O novo texto da reforma da Previdência, aprovado na madrugada da sexta (9), prejudicará, principalmente, os trabalhadores de baixa renda, que não conseguirão arcar com as novas regras previstas para se aposentar. É o que afirma o economista Clóvis Scherer, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos - Dieese.

Ele alerta sobre o documento com os 15 pontos críticos que as Centrais Sindicais apresentaram ao relator (saiba mais ( https://www.ncst.org.br/subpage.php?id=22117_27-06-2019_ncst-re-ne-se-com-minoria-centr-o-e-o-pr-prio-relator-da-previd-ncia-contra-retrocessos-no-texto#destaques )) que não estão contemplados no parecer: “Foram totalmente ignorados”, diz. Para Scherer, o texto que irá a plenário agravou as mudanças na Previdência: “A reforma elevou a idade mínima e reduziu o valor dos benefícios. Temos aí riscos sociais bastante graves, subestimados pelo Congresso.”




O economista do Dieese, Clóvis Scherer, afirma que novo texto castiga os mais pobres



Impacto - A reforma vai piorar a crise. “Nos primeiros anos o impacto será menor, mas a tendência é a transferência de renda se alterar negativamente. O caráter recessivo é flagrante. Vamos ter uma queda de demanda, não conseguiremos crescer. É muito questionável aquilo que o governo vem dizendo sobre crescimento econômico”, afirma.

Diap – Para o jornalista Antônio Augusto de Queiroz (Toninho), diretor licenciado do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar, será difícil reverter esse quadro no plenário da Câmara. Ele afirma: "O governo liberou emendas parlamentares, lançou pautas de interesse da oposição para dividir suas energias e enfraqueceu financeiramente as entidades que poderiam resistir. Esses ataques simultâneos favoreceram o resultado." 

Ele defende uma ação efetiva para informar as bases parlamentares. "O governo passou para a opinião pública a falsa ideia de que as contas da Previdência estão combalidas e tem gente desinformada apoiando essa tese", explica

Agenda - A votação da matéria em plenário está prevista para a próxima semana, na quarta (10). Os debates devem se iniciar na terça (9). São necessários 308 votos para aprovar o texto. "A intenção do governo é concluir os dois turnos da votação na Câmara até o dia 18. Para isso, teria de aprovar a quebra de uma norma interna - a obrigatoriedade da matéria passar por mais cinco sessões na Comissão Especial", afirma o jornalista e analista político Marcos Verlaine.

Segundo Verlaine, o governo tem maioria para aprovar esta mudança na norma. “Se isso ocorrer, a proposta voltará a ser debatida, em agosto, já no Senado”, afirma.




Fonte: Agência Sindical