Data de publicação: 27 Jun 2019




por Nailton Francisco



Em entrevista para os meios de comunicação na terça-feira (25/06) no G1, Folha de São Paulo e Rádio Bandeirantes na manhã de quinta-feira (26/06), Francisco Xavier da Silva Filho (Chiquinho), secretário-geral do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo (SindMotoristas), mandou o recado para a Prefeitura de São Paulo e se posicionou contrário à retirada dos cobradores de ônibus da capital sem uma conversa ampla e um debate detalhado sobre o tema com todos atores do transporte.

De acordo com ele, assim que a diretoria do sindicato teve conhecimento da circular da SPTrans que orienta as empresas operadoras do sistema de transporte coletivo por ônibus urbano da cidade, só adquirir a partir de 2 de setembro, veículos padron e básico com novo “lay aut”  sem o assento a gaveta utilizada pelo cobrador, procurou imediatamente a Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes (SMT) para pedir os devidos esclarecimentos.

“A notícia causou grande alvoroço e traz preocupações sobre o futuro dos mais de 20 mil postos de trabalho destes profissionais, que se depender do SindMotoristas serão preservados, através de muita luta e mobilizações. Se não houver discussões, na força não vai rodar. Isso nós podemos assegurar. O sindicato não permitirá que as empresas operem sem o cobrador e sem uma ampla discussão profissional e com os trabalhadores", declarou o secretário geral.

A medida anunciada dia 14 de junho, faz parte do plano de renovação da frota da gestão Bruno Covas (PSDB) que correspondem a cerca de 46% dos 14.400 coletivos que atualmente atende a população. Para justificar tamanha crueldade e eliminar os postos de trabalho, a SPTrans argumenta que desde 2014, circula na cidade 6 mil ônibus sem cobrador e a cobrança dos 5% dos passageiros que fazem pagamento em dinheiro é feito pelo motorista.

“Esta narrativa é falha e descabida. O cobrador exerce um papel social e importante para a população. Ele não só cobra tarifa. Ajuda a sociedade no auxílio ao cadeirante, idoso, gestante, deficiente visual e os turistas que não conhece a cidade. Penso que propor uma mudança desta envergadura em momento de crise, que contribuirá para aumentar o desemprego não seja uma boa iniciativa para o prefeito Bruno Covas”, alerta o sindicalista.

Que segundo ele, o mais racional neste momento seria aprofundar a discussão em um fórum com a participação da sociedade, especialistas do setor, sindicatos e poder legislativo municipal. “Vamos fazer nossa parte como representante que é enfrentar mais este desafio, acompanhar atentamente e intervir de forma propositiva para que a categoria não seja prejudicada por mais este ataque, orquestrado pelo poder público”, afirmou Chiquinho.




Fonte: Blog Profissão Transportes