Data de publicação: 26 Jun 2019





por Nailton Francisco de Souza



Há anos que se discute muito sobre o futuro dos postos de trabalho dos cobradores de ônibus, principalmente, após instalação das catracas eletrônicas nos coletivos da cidade de São Paulo; com a implantação do bilhete único; integração com metrô e trens e recentemente, via comunicado da SPTrans que obrigará a renovação da frota sem o assento e gaveta utilizada por estes profissionais.

Todas às vezes que o poder público e os empresários se posicionam sobre esta questão, a narrativa se repete. Segundo eles não haverá demissões em massa; a eliminação será gradual e terá um período de transição; muitos serão reaproveitados em outras funções; serão fornecidas qualificação e requalificação profissional; outros terão orientações do SEBRAE para montar seu próprio negócio, etc...

Todos estes argumentos não passam de falácias e só demonstra que a Prefeitura de São Paulo não tem compromisso e vontade política para equacionar a situação com olhar voltado para o bem social e, sim, com vistas a só discutir o custo da mão de obra, ao invés de se preocupar em investir contra o tempo anual perdido em intermináveis congestionamentos nas principais avenidas e ruas da capital.

Em um país com mais de 13 milhões de desempregados, adotar medidas que cause mais desempregos, além de ser uma decisão insensata é uma maldade cruel com os pais e mães de famílias que dependem destes empregos para suprir suas necessidades básicas. Por estas e outras razões é que a diretoria do SindMotoristas – SP tem pela frente um grande desafio de garantir estes mais de 19 mil postos de trabalho.

O Projeto de Desmobilização dos Postos de Trabalho dos Cobradores de Ônibus, elaborado conjuntamente entre SPTrans e SPUrbanuss (poder público e sindicato dos empresários) respectivamente deve ser melhor discutido em um fórum com todos atores do setor de transporte. Ou seja, com a sociedade, os especialistas do setor, sindicatos e poder legislativo municipal.

Todo e qualquer posicionamento contrário a este encaminhamento, poderá ser taxado de paliativo, com vistas a facilitar os planos dos que querem se livrar dos custos operacionais sem levar em conta o custo social que este projeto poderá impactar negativamente na vida dos trabalhadores (as), seus dependentes e na prestação dos serviços para a população.

Em 2018 na eleição de renovação da diretoria da entidade a Chapa 1 – Noventa Presidente -, colocou no seu programa a defesa intransigente dos empregos dos cobradores (as). Neste momento em que a ofensiva sobre eliminar empregos ganha destaque na mídia, reconhecer que o cobrador de ônibus é uma função substituível por tecnologia é uma coisa, agora aceitar que isso ocorra em um cenário de crise econômica, política e de quase recessão, só se for por ignorância, ou por má-fé do representante sindical.

Neste momento de ebulição e forte ataques aos direitos trabalhistas com mudanças profundas no mundo do trabalho, provocados pela revolução cientifica e tecnológicas, os desafios do futuro para os trabalhadores (as) são mais complexos que no passado devido à redução do trabalho humano. Por isso, precisamos fortalecer os laços de solidariedade de classes para juntos enfrentarmos, acompanharmos e intervirmos no debate dos temas que nos afetam.




* Nailton Francisco de Souza é Secretário Nacional de Comunicação da Nova Central e Diretor Executivo do SindMotoristas – SP