Data de publicação: 17 Jun 2019


A Greve Geral Unificada Contra a Reforma da Previdência se provou um movimento vitorioso. É preciso ter claro que a greve não é, tão-somente, a paralisação de atividades em si, mas todo o processo de informação, conscientização, mobilização e participação dos trabalhadores e trabalhadoras. Fábricas e postos de serviços paralisados são uma expressão de greve, não o seu resultado.



Verdadeiro resultado da greve é o novo texto base da Reforma da Previdência, muito menos agressivo que o original



por Marcelo Arias



O verdadeiro resultado da greve é o novo texto base da Reforma da Previdência, muito menos agressivo que o original. O relator da Reforma na Câmara Federal, deputado Samuel Moreira, “derrubou” vários pontos criticados pelo movimento grevista.

O novo relatório elimina o sistema de capitalização; não obriga estados e municípios às regras federais; diminui a idade e o tempo de contribuição para aposentadoria rural; mantém as regras para o Benefício de Prestação Continuada (BPC); recolocou as exigências para o abono salarial em níveis razoáveis; melhora as regras de transição; diminui a idade mínima para mulheres, servidoras e professoras; mantém a obrigatoriedade de reajuste anual pela inflação; mantém a Previdência no texto constitucional. Esse é o verdadeiro resultado da Greve Geral. A suavização da reforma é vitória da resistência da classe trabalhadora.






Sun Tzu, renomado estrategista, dizia que a suprema arte da guerra é ganhar uma batalha sem disparar um tiro. Foi o que aconteceu neste 14 de junho de 2019.

Apesar da batalha ganha, a guerra ainda não acabou. As regras para cálculo dos benefícios ainda são duras e penosas para os trabalhadores; alguns benefícios ainda possuem restrição ao acesso; a acumulação entre pensão e aposentadoria, tão comum entre viúvas, ainda sofre impedimentos; alguns deputados ainda querem enfiar a reforma goela abaixo dos estados e municípios; e o mais importante: os verdadeiros privilegiados não foram atingidos.






A classe trabalhadora precisa continuar se movimentando pois ainda existem outras batalhas a travar. Que estas continuem sendo vencidas sem disparar um único tiro.



* Marcelo Arias é especialista em Gestão Pública.





Fonte: Portal Vermelho