Data de publicação: 10 Jun 2019


Debate realizado pela Unesco mostra que as mulheres negras ganham menos do que as brancas ocupando o mesmo cargo, além de estarem mais suscetíveis ao desemprego



Apenas 6,3% das pessoas negras ocupam cargos de gerência e 4,7% são executivos nas 500 maiores empresas do Brasil



O racismo, além de um problema social, é também é econômico e leva boa parte da população ao desemprego, de acordo com pesquisas que embasaram o debate promovido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em Brasília, na quinta-feira (6). O encontro, que reuniu especialistas em ações afirmativas para a inclusão da população negra, abordou as desigualdades ( https://www.redebrasilatual.com.br/cultura/2019/05/em-novo-single-emicida-da-mais-um-golpe-no-estereotipo-racista/ ) que prejudicam principalmente as mulheres negras ( https://www.redebrasilatual.com.br/trabalho/2019/03/reforma-da-previdencia-agrava-desigualdades-enfrentadas-por-mulheres-negras/ ) no acesso ao mercado de trabalho.

De acordo com um levantamento do Instituto Ethos, no país onde pretos e pardos representam mais da metade da população, apenas 6,3% dos negros ocupam cargos de gerência e somente 4,7% são executivos nas 500 maiores empresas do Brasil. A representante da ONU Mulheres Ana Carolina Querino alerta que a situação é ainda mais grave quando a desigualdade racial ( https://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2019/05/alunos-de-escola-publica-organizam-slam-contra-preconceito-e-falta-de-oportunidades/ ) é combinada com a questão de gênero, com as mulheres negras ganhando menos do que as brancas ocupando o mesmo cargo, além de estarem mais suscetíveis ao desemprego ( https://www.redebrasilatual.com.br/trabalho/2018/11/desemprego-e-maior-entre-mulheres-negras-e-jovens-aponta-estudo-do-ipea/ ).

“Temos três mulheres negras, de acordo a última pesquisa, ocupando cargos de poder e liderança nas empresas privadas. E isso é um somatório de fatores que estão na raiz das desigualdades de gênero e raça no mercado de trabalho em que as mulheres negras acumulam os piores indicadores”, explica a representante da ONU Mulheres.

A Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2014 indica ainda que 80% dos negros que entraram no ensino superior ganham o equivalente a 80% dos que recebem os brancos nas mesmas condições. Para a fundadora e diretora executiva do Instituto Identidades do Brasil (ID­­_BR) e autora do livro Sim à Igualdade Racial, Luana Génot,  o quadro só será alterado com uma mudança ( https://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2019/04/projeto-mapeia-ocupacao-negra-no-centro-de-sao-paulo/ ) de mentalidade da sociedade. “À medida que as pessoas entenderem que a luta contra o racismo e pela igualdade racial pertence a cada um de nós, que precisamos combater piadas racistas e lutar para ter mais pessoas negras nos altos postos de trabalho, a gente entenderá que só assim o país cresce”, explica.


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Fonte: Rede Brasil Atual - RBA