Proposta que prevê benefício integral após 40 anos de contribuição, desconsidera a desigualdade que obriga jovens a trabalharem informalmente antes da idade permitida
Novos ingressantes também temem os impactos da combinação da "reforma" trabalhista com a da Previdência.
As dificuldades de ingressar no mercado de trabalho formal adicionadas à pouca idade e ao grau de rotatividade no emprego fazem da
"reforma" da Previdência (
https://www.redebrasilatual.com.br/trabalho/2019/02/bolsonaro-entrega-projeto-de-reforma-da-previdencia-ao-congresso ), apresentada pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL), uma penalidade também para
os mais jovens (
https://www.redebrasilatual.com.br/revistas/147/jovens-bucha-de-canhao-do-mercado-de-trabalho-de-um-pais-subdesenvolvido ), como avalia o economista e mestre em Economia Política pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Marcos Henrique do Espírito Santo.
Em entrevista à Rádio Brasil Atual, o economista explica que
essa parcela da população (
https://www.redebrasilatual.com.br/economia/2019/02/governo-bolsonaro-planeja-dividir-jovens-entre-explorados-e-empregados ) será afastada do sistema previdenciários devido a fatores como a perspectiva de concessão do benefício integral
somente depois de 40 anos de contribuição (
https://www.redebrasilatual.com.br/trabalho/2019/02/reforma-contribuir-por-ate-40-anos-sera-desafio-quase-inalcancavel ), desconsiderando que os jovens trabalham de
forma informal (
https://www.redebrasilatual.com.br/trabalho/2018/07/informalidade-e-o-emprego-precario-estreitam-horizontes-para-a-juventude ) desde cedo e não têm como comprovar esse vínculo.
"Quando a gente fala 'jovem', pensamos em alguém com 18 anos trabalhando, mas o Brasil é um país desigual e perverso, as pessoas entram no mercado de trabalho com 11, 12, 13 anos", adverte Marcos Henrique à repórter Beatriz Drague Ramos.
Outros pontos da
"reforma" da Previdência (
https://www.redebrasilatual.com.br/trabalho/2019/02/maldades-da-reforma-de-bolsonaro-sao-parte-de-um-processo-de-destruicao-do-bem-estar-social ) também são vistos com desconfiança por quem acaba de ingressar no mercado de trabalho, como o cabeleireiro Matheus Flausino da Silva que, aos 24 anos, é um trabalhador autônomo e teme que a combinação da proposta com a "reforma" trabalhista aprovada no governo Michel Temer aprofunde as
desigualdades sociais (
https://www.redebrasilatual.com.br/trabalho/2019/02/reforma-da-previdencia-de-bolsonaro-nao-combate-privilegios ). "Infelizmente o povo vai pagar por tudo isso (...) acho que esse é um impacto, não vamos poder nos assegurar de alguns direitos", afirma.
Ouça a reportagem da Rádio Brasil Atual:
Fonte: Rede Brasil Atual - RBA