Data de publicação: 13 Dez 2018



A eminente ameaça de extinção do Ministério do Trabalho e Emprego, levou as Centrais CUT, Força Sindical, UGT, CTB, Nova Central, CSB, CGTB, Intersindical e CSP-Conlutas a realização, terça (11), de ato unitário. O protesto, em frente à Superintendência Regional do Trabalho de São Paulo, reuniu dirigentes sindicais e trabalhadores de várias categorias. Houve manifestações em outras capitais.

Os sindicalistas alertaram para o risco de uma precarização ainda maior das relações capital-trabalho. Houve unanimidade entre os dirigentes que usaram a palavra, quanto ao propósito do futuro governo de desarticular o sistema de proteção ao trabalho. 

Segundo o presidente da Força, Miguel Torres, o fatiamento do Ministério, com suas funções sendo diluídas na Economia, Justiça e Cidadania, é a cereja do bolo de um processo contínuo de sucateamento que se aprofundou nos últimos anos.



Miguel Torres, presidente da Força Sindical, diz que extinguir MTE é acabar com as fiscalizações 


“Querem acabar com uma Pasta importante. Quem perde com isso são os trabalhadores. Quem irá fiscalizar as empresas que não cumprem as normas de segurança? Como ficam os trabalhadores em situação análoga à escravidão? E o trabalho infantil, quem vai combater?", questiona o dirigente.



Adilson Araújo, presidente da CTB, afirma que acabar com o Ministério é voltar à escravidão


Adilson Araújo, presidente da CTB, destaca que a extinção do MTE será um retrocesso para o Brasil. "O fim do ministério nada mais é que a continuidade da agenda ultraliberal, que começou com o governo Temer e teve sequência com a eleição de Bolsonaro. Querem liquidar com todas as conquistas dos trabalhadores e a Pasta do Trabalho era uma das poucas garantias dessas conquistas", afirma.

Ex-ministro do trabalho de 1990 a 1992, o eletricitário Antônio Rogério Magri compareceu ao ato e lamentou que Pasta criada por Getúlio Vargas, há 88 anos, “com intuito de acabar com os conflitos entre empregados e empregadores”, possa ser extinta com uma canetada.

"O Ministério do Trabalho, sendo bem conduzido, resguarda a classe trabalhadora. O seu fatiamento é um ataque ao movimento sindical e o prenúncio de que a classe trabalhadora será submetida a um novo período de abandono", alerta Magri.



Luizinho, presidente da Nova Central-SP, conclama o sindicalismo a resistir a mais um ataque


Para Luiz Gonçalves (Luizinho), presidente da Nova Central no Estado de São Paulo, é preciso barrar as investidas contra os trabalhadores. "Em todos os governos, o Ministério do Trabalho foi um órgão destinado a apaziguar conflitos, negociar, desenvolver as políticas sociais e econômicas. Além da defesa dos trabalhadores que não têm um Sindicato", destaca.



Para Índio, secretário-geral da Intersindical, extinção do Ministério do Trabalho é retorno à barbárie


O secretário-geral da Intersindical, Edson Carneiro Índio, ressalta que o fim da Pasta é a permissão do vale-tudo para os empresários. "A intenção do novo governo é desregulamentar completamente as relações do trabalho no Brasil. Por isso, acabar com o Ministério do Trabalho é acabar com os direitos e com as garantias sindicais", denuncia.





Fonte: Agência Sindical